As coisas não residem no tempo
Se costuram a ele, em pedaços de trapos de memórias
Que antanho, vão se aparecendo
Descaradamente em nossos olhos saudosos
Se o tempo, quando cronológico, engana
Para uns em demora, para outros em segundos
Ele soberano, esquevo, passa e passa e passa
As coisas não se amoldam no tempo
Se desvelam a ele, entretempos, em pequenos
contratempos
Que diuturno, vão se acumulando
Clarividentemente em nossos olhos cansados
Se o tempo, quando memória, perturba
Para uns em tristeza, para outros em alísios
Ele relativo, anacrônico, atrasa e atrasa e atrasa
Todas as coisas são o próprio tempo
Somos o instante, época, era e o momento
Somos as grandezas dos eventos nossos inacabados
Medidas complexas, entremeios de antes e depois
Que intuitivo, constrói histórias atemporais, guardadas
Melancolicamente em nossos corações envelhecidos