Na sessão de terapia...
— Tenho pensado muito em o quanto sou super sensível para várias
coisas e isto está me matando; fico pensando em tudo, nas pessoas que estão
passando por coisas ou momentos difíceis, pode ser uma notícia, uma fala de alguém,
algo que eu vi na rua, sei lá, quando eu vejo já absorvi aquilo para mim e já
era, fico triste sem saber e estrago o dia de todo mundo!
— ?
— Sim, realmente, enfim, pode ser isso mesmo que você disse, mas quando eu
percebo eu já ouvi, já vi, e já assimilei aquilo tudo e daí estou pensando na
pessoa que está ali, na história que ela me contou ou que eu ouvi, ou na notícia
e nem percebo que o dia já ficou estranho por causa dessas coisas.
— . ? ?
— Não sei dizer. Não sei se é isso.
— . ; ! ! ?
— Não tinha pensado assim. Pode até ser que eu esteja
fazendo isso para me sabotar, ou para justificar a rotina exaustiva, e minhas próprias
angústias, ou para pesar o clima, entendi...enfim, não tinha pensado por esse
prisma.
— . . . ? ? ? ?
— Ás vezes acontece o que você disse, mas outras vezes não.
Depende. Quanto a essa outra ideia, sei lá. Não tinha reparado que eu faço
isso. Faço sem querer?
— . ! ! ! ? ? ? ! . ? .
— Ah! Não é isso não, não é possível que eu faça isso para
me vitimar, para eu poder justificar, será? Justificar o quê? Ah! Será? Caramba,
isso é interessante, complexo, como você mesmo falou.
— .
— Eu sei que você não falou vitimar. E também não disse que
faço para pesar o clima, desculpa. Eu que achei que você insinuou isso, mas eu
entendi.... Será? Só acho que sou muito sensível.
— .
— Verdade. Eu percebi. Sem insinuações e suposições.
— .
— Sim, eu vi, que fiz isso.
— .
— Vou pensar.
— .
— Para você também... até semana que vem.