segunda-feira, 5 de outubro de 2026

CRÔNICA FIEL

 

Inacreditável, não era mesmo à toa que a poesia saía de mim cheia de medos e dúvidas, porque a volta de tempos sombrios se aproxima novamente e percebo que o ser humano se desumanizou, continua olhando para o seu redondo umbigo, se embebedando de ódio e perpetuando a velha história horrorosa de Caim que matou Abel por pura inveja, tudo isso diante dos olhos de deus!

Aleluia irmãos!

Inafiançável, não era mesmo à toa que a palavra saia de mim repleta de pavor, porque a gente sente o terror quando ele se aproxima, já que os homens se mostram sempre com a boca escancarada, e o os peitos estufados, e ninguém mais se acovarda diante de nada, porque agora há certidão; uma certidão para cada um dos cidadãos de bem, para todos aqueles que dão um salve para a família, pátria e estão perdoados.

Glória a Deus!

Imperdoável, não era mesmo à toa que o poeta, amargurado, pressentia, porque a poesia sente quando está prestes a morrer, a música se cala, a arte definha,  porque a educação finda, e os homens não tão de bem, estão ali, cheios de hipérbatos, metáforas do mal, do mau,  iludindo uns outros tantos cidadãos de bem,  que querem ganhar a tão sonhada certificação que lhes garantirá um longo lugar nos céus, enquanto suas transgressões correm a olhos vistos, e já dirá o tal Mateus ou será o tal Pedro,  que o sangue derramado por muitos, servirá para remissão dos pecados de todos nós. 

Livrai-nos do mal! Livrai-nos do mau!

Amém!

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

MEU QUINTAL

 

Uma angústia nasce

Tenho medo

Esse medo do incerto

Me aflige

Não tenho controle dele, deles, deles

Os medos controlados

Só são sentidos

Apenas vem e vão

Os medos instáveis e incontroláveis e variáveis e perigosos

Aqueles que independem

Do meu ser frágil

Que os sentem

Esses.... Ah! Tenho pavor!

Vejo o mundo

E o temor aparece

Mas não tenho o domínio dele, deles, deles

Os temores indomináveis

Se transformam

Em pavor

O pavor súbito e descontrolado e ameaçador

Uma angústia finca

E aquela flor

Esperançosa, pensa em brotar

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

CRÔNICA SEM FIM

 

Na sessão de terapia...

— Tenho pensado muito em o quanto sou super sensível para várias coisas e isto está me matando; fico pensando em tudo, nas pessoas que estão passando por coisas ou momentos difíceis, pode ser uma notícia, uma fala de alguém, algo que eu vi na rua, sei lá, quando eu vejo já absorvi aquilo para mim e já era, fico triste sem saber e estrago o dia de todo mundo!

— ?

— Sim, realmente, enfim, pode ser isso mesmo que você disse, mas quando eu percebo eu já ouvi, já vi, e já assimilei aquilo tudo e daí estou pensando na pessoa que está ali, na história que ela me contou ou que eu ouvi, ou na notícia e nem percebo que o dia já ficou estranho por causa dessas coisas.

— . ? ?

— Não sei dizer. Não sei se é isso.

— . ; ! ! ?

— Não tinha pensado assim. Pode até ser que eu esteja fazendo isso para me sabotar, ou para justificar a rotina exaustiva, e minhas próprias angústias, ou para pesar o clima, entendi...enfim, não tinha pensado por esse prisma.

— . . . ? ? ? ?

— Ás vezes acontece o que você disse, mas outras vezes não. Depende. Quanto a essa outra ideia, sei lá. Não tinha reparado que eu faço isso. Faço sem querer?

— . ! ! ! ? ? ? ! . ? .

— Ah! Não é isso não, não é possível que eu faça isso para me vitimar, para eu poder justificar, será? Justificar o quê? Ah! Será? Caramba, isso é interessante, complexo, como você mesmo falou.

 — .

— Eu sei que você não falou vitimar. E também não disse que faço para pesar o clima, desculpa. Eu que achei que você insinuou isso, mas eu entendi.... Será? Só acho que sou muito sensível. 

— .

— Verdade. Eu percebi. Sem insinuações e suposições.

— .

— Sim, eu vi, que fiz isso.

— .

— Vou pensar.

— .

— Para você também... até semana que vem.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

INTERVALO

Das inúmeras vezes em que a moça tentou se desculpar pelo ocorrido e esclarecer os fatos, palavra não saiu de sua boca. Calava-se ao olhar para o rapaz, que, também ao vê-la, saia de perto, constrangido. O motivo, não importa, na vida, o acontecimento passado, ou vira mágoa ou lembrança.


UM MONÓSTICO QUALQUER

  Relvado infinito, sonhando comigo...

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

AXIOMAS DO AMOR OU PRINCÍPIOS DA CONTRADIÇÃO

 

1) Uma proposição pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo dependendo do grau de amor contido.

2) O conjunto de regras básicas que define formalmente o amor, não existe.

3) No amor, há julgamento sem acusação, crime sem provas e culpa sem direito à defesa.

4) Sinto, logo amo!

sábado, 29 de agosto de 2026

DAQUILO QUE É

 

Um sorriso que aponta

Uma voz ao sussurro

O gesto de carinho

O prato preferido

O que encanta aos olhos, a palavra bem dita (sem hífen mesmo), o elogio, a prosódia

O ato pretendido

Uma singela mensagem

Uma conversa acalentadora

O bolo e o doce bem-casados

O que enche o coração, a abundância de esperança, o enternecimento, o amor

Uma música que toca

Um livro lido

O matar da sede

A arte feita às mãos

O que me invade de humanidade, a fé na natureza humana, a felicidade.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

TRÂNSITO EM JULGADO OU CAUSA GANHA MESMO


− Eu quero nesse lugar aqui!

A mulher insistia com o pedreiro que queria, que a pia da sua cozinha, ficasse naquela altura, ela dizia que era muita alta: "olha minha altura!" e que não queria a pia baixinha. Ela colocava o dedo na parede e mostrava, impaciente; diante da resposta negativa do homem (que não passava do metro e sessenta, talvez até mais baixo), que também relutante, explicava os motivos pelos quais a pia não poderia ser colocada naquela altura, o certo seriam os exatos um metro e sessenta centímetros, “é o padrão” dizia ele, repetidas vezes, “é o padrão”; e tem também a questão do cano de água, ele argumentava, com a réplica dela, instantaneamente afirmando que o cano não ia sair do lugar que era só colocar a pia para cima, que a altura sugerida era para ele e não para ela. Dessa maneira, seguiram, travando uma batalha sem cautelares, e a mulher vendo que a tarefa de convencer o senhor seria quase impossível, apelou:

− É o senhor que vai lavar a louça?

Causa ganha!

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

MONTE DE NADAS

 

 

Não fazer nada

Nem vento pensar

Sem invento imaginar

 

Nada sem pensar

Vento nem imaginar

Não invento fazer

 

Pensar, imaginar, fazer

Vento nada invento

Nem sem não...

Não nem sem...

Sem não nem...nada!

terça-feira, 4 de agosto de 2026

O FLAGRANTE

 

Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha suave nos seios, os dois bebês, cada qual em seu carrinho, um defronte ao outro, se olhavam trocando gracinhas, piscadelas, risos, meneios de cabeça para lá e para cá, mãozinhas estiradas para dar adeus, que eram devolvidas com vários beijinhos sutis. 

Só você leitor e eu que vimos e sabemos, as mães, perderam o instante!

sábado, 1 de agosto de 2026

UM MODO QUALQUER

 

Estou em modo turbo! Na verdade, todos estamos! Ouvi e vi um vídeo hoje, de um rapaz que nem sei nome, fazendo uma receita de pavê enquanto falava sobre a crise mundial, sobre a maldade humana, sobre o fato dele ser ansioso ao extremo, sobre o problema da religião que mais mata que une, a terceira guerra chegando e uma série de outras coisas, que não me lembro mais em detalhe, porque eu ri muito com o vídeo, achei o máximo, era hilário e pesado. Adoro esses vídeos que “bugam” meu cérebro e misturam a tragédia com a comédia, porque sei também, que elas andam ali, grudadinhas, e sei também que a minha alta ansiedade, acaba comigo há tanto tempo, e faz de mim alguém muito pior, e nas minhas reflexões, percebi que essa minha tal extrema ansiedade, também, veja só que ironia, também faz de mim alguém muito melhor e poderosa em alguns setores da minha vida. Modo turbo! Acelera essa mensagem aí! Estamos todos em modo turbo, querendo estar em modo avião. Sim, queremos estar desconectados e inertes, só que já não mais podemos estar assim, o tempo nos engole a pulso e nos obriga a estarmos ali, aqui, acolá conectadíssimos em qualquer coisa. Modo turbo, em apenas um parágrafo mesmo, porque o tempo urge de rapidez e temos medo do fim.  

terça-feira, 28 de julho de 2026

CONTRA-ALÍSIOS

 

Há quem prefira o doce a salgado,

O café a chá.

Há quem prefira o primeiro ao terceiro,

O azul a preto.

Há quem queira o óbvio ao inevidente,

O sonho à realidade.

Há ainda quem deseje o padrão ao desalinho,

O ponto fixo ao pêndulo.

O café, o preto, o terceiro, o inevidente, o sonho e o pêndulo.

Eu....prefiro o vento!

quinta-feira, 23 de julho de 2026

IDÍLIO NÃO TÃO MODERNO

 

A moça na janela

Debruçada de sentinela

Esperando o tal moço

Que piscava para ela

 

O moço da piscadela

Que antes sorria para ela

Desfazendo o conchego

Transitava com outro apego

 

A donzela do seu jeito

Rompendo o parapeito

Pensava com certo alento

No seu destino cinzento

 

Triste moça da janela

O olhar de pura mazela

Mira agora recente aboço

Enlace de um novo esboço  

 

CRÔNICA FIEL

  Inacreditável, não era mesmo à toa que a poesia saía de mim cheia de medos e dúvidas, porque a volta de tempos sombrios se aproxima novame...