EU,
ME
AUTODECLARO...
POETA DE MIM MESMA!
Naquele
dia que amanheceu chuvoso, porque talvez tudo estivesse a ponto de chorar,
inclusive os céus, o neto pegou sua avó pela mão e foram. Naquele dia a mulher
que tinha feito um bolo para vender na estação também levantou cedo e foi. E também
a menina que nunca tinha ido, porque agora tinha idade para ir, arrumou a
melhor roupa e foi com as amigas que também nunca tinham ido. Todo mundo ia em silêncio, alguns iam pensando se aquilo
era o certo a se fazer, tinha também aquele senhor que vendo as moças e os moços
daquele jeito mudou de ideia e também foi. Iam aqueles barulhentos também, iam cantando pois tinham mais esperanças e certezas que os outros que tinham medo e inseguranças, porque era chuvoso e ninguém sabia se podia sorrir de verdade. E foram todos pensando no amanhã,
imaginando que para toda lógica, para todo sentido e para toda força, há uma
explicação que não é certa, que vem daquilo tudo que é subjetivo, assim como é
o amor, que vem das ideias confusas e das incertezas, mas vem da lógica do
amor, do querer bem, da coerência da justiça, do nexo dos fatos, do que faz total concordância, porque perceberam todos que não
estavam sozinhos, e a vó, a tia, os netos, as moças e os moços, as mães
e pais, os doentes, os renegados, os largados, os abastados, os nem tanto, os homens, as mulheres, os
jovens, e toda a gente de mãos dadas, foram indo e protagonizaram o mais lindo,
a revolução da gente, naquele dia chuvoso, naquele instante, voltamos a ser só: todos nós!
Ps. O Blog Valsa Literária dedica esta crônica aos milhares de Brasileiros que se uniram em busca da Democracia e da Liberdade!
NUM TEMPO EM UM DIA
QUALQUER
UMA MULHER OLHANDO E
REFLETINDO
PARA O CÉU QUE SE MONTAVA
EM CAOS
REPLETO DE NUVENS ONDULADAS
DE CINZA
ELA PENSAVA QUE A CHUVA
ERA PARA TODOS
TANTO PARA DESTRUIR
QUANTO PARA MOLHAR
E NESSAS REFLEXÕES ACERCA
DO CÉU
NAQUELE DIA DE UM CERTO
TEMPO
A MULHER QUE IMAGINOU
O QUE SERIA
TER ESSA BABEL
QUE JAMAIS IMAGINARIA
um gafanhoto
verde
pousa
em mim
sem me
assustar
olho
para suas pernas
verdinhas
e longas
penso
que ele tem
um grande salto a dar
ele
pula em meu braço
e sem
medo, pego sua
asinha, com cuidado
coloco na folha
da pimenteira
ele se
acomoda
e
tenta morder a folha
eu
acho que ele olhou para mim
ele
voa e vai... e eu...
eu
sinto a esperança
Aposento-me depois de mais de três décadas em sala de aula atuando como professora, sendo duas décadas na rede pública, e o restante na rede privada. Ensinei desde a alfabetização até a Faculdade, por mim passaram tantas e tantas pessoas que, de um jeito ou de outro, tinham a cara da Marili, ou melhor, da Professora Marili, assim eu espero, é claro, que lembrem de mim.
Aos professores as batatas.
Aposento-me no momento em que
a sala de aula virou campo de batalha e tenho muito dó dos que ficam, porque
para muitos a violência e o descaso demasiados dentro das escolas se tornou
algo banal e comum. Com muitas chances de fracasso e com livre acesso para
desinformação e hipocrisia.
Aos professores as batatas!
Aposento-me depois de
entender, e demorou tanto para eu entender, talvez se eu tivesse entendido
antes tinha feito muito mais coisas, tardou a perceber e entender que a
educação é uma arma perigosíssima, tanto para lá quanto para cá, porque ao
mesmo tempo que "empodera", destrói, e que a escola é um organismo vivo demais
para não ser cuidado com um olhar muito mais atento do que é.
Aos professores as batatas...
Neste dia do professor,
gostaria de dizer palavras doces aos meus tantos colegas, aos profissionais da
educação que se doam diariamente, e tal e tal, mas, nem sei se quero continuar
essa crônica, porque percebo que de fato, que agora, de fora, essa professora
aqui quer descansar e fazer um monte de nadas.
Feliz dia do Professor, para
você que segue na luta diária. Seguem abaixo outros textos aqui do blog, mais acalentadores,
para desejar um ótimo dia para você professor e professora!
vejo você ontem nas linhas que eu li,
iluminadas por uma claraboia
dizendo histórias, memórias, nas bagagens, nas viagens,
em todos os lugares
com todos os nomes, nos ensaios, nos cadernos
sonhando com um conto de uma ilha qualquer
tal e qual um homem duplicado
dentro de sua jangada
em todos os lugares
vejo você nas linha que leio,
iluminadas pela vela que me tiram das cavernas
levantada do chão, imersa nos memoriais e conventos
com as mãos em riste, segundo Cristo, orando por Caim
em todos os lugares
esperando o ano da minha morte, intermitente
que não sejam por alabardas, alabardas
vejo você na linhas que lerei
pelo infinito que tu escreverás
em mim
POR JOSÉ SARAMAGO
caiu a ficha?
a vaca foi para o brejo?
acabou em pizza?
adoçaram a boca?
ao menos você sabe com o que está lidando... será?
abandonou o barco?
acertou na mosca?
armou um barraco?
procurou sarna para se coçar?
ao menos você lutou e sabe quem está contigo...será?
ao menos o sol nasce para todos
ao menos o dia desabrocha a flor
ao menos a água cai dos céus
ao menos a terra gira sem parar
por aqui eu mantenho o dedo na ferida,
penduro minhas chuteiras
e tiro meu cavalinho da chuva, ao menos,
menos, menos, será?
EU, ME AUTODECLARO... POETA DE MIM MESMA!