quinta-feira, 15 de outubro de 2026

AO PROFESSOR AS BATATAS


Aposento-me depois de mais de três décadas em sala de aula atuando como professora, sendo duas décadas na rede pública, e o restante na rede privada. Ensinei desde a alfabetização até a Faculdade, por mim passaram tantas e tantas pessoas que, de um jeito ou de outro, tinham a cara da Marili, ou melhor, da Professora Marili, assim eu espero, é claro, que lembrem de mim.   

Aos professores as batatas.

Aposento-me no momento em que a sala de aula virou campo de batalha e tenho muito dó dos que ficam, porque para muitos a violência e o descaso demasiados dentro das escolas se tornou algo banal e comum. Com muitas chances de fracasso e com livre acesso para desinformação e hipocrisia.

Aos professores as batatas!

Aposento-me depois de entender, e demorou tanto para eu entender, talvez se eu tivesse entendido antes tinha feito muito mais coisas, tardou a perceber e entender que a educação é uma arma perigosíssima, tanto para lá quanto para cá, porque ao mesmo tempo que "empodera", destrói, e que a escola é um organismo vivo demais para não ser cuidado com um olhar muito mais atento do que é.

Aos professores as batatas...

Neste dia do professor, gostaria de dizer palavras doces aos meus tantos colegas, aos profissionais da educação que se doam diariamente, e tal e tal, mas, nem sei se quero continuar essa crônica, porque percebo que de fato, que agora, de fora, essa professora aqui quer descansar e fazer um monte de nadas.

Feliz dia do Professor, para você que segue na luta diária. Seguem abaixo outros textos aqui do blog, mais acalentadores, para desejar um ótimo dia para você professor e professora!


E NÃO SE FALA MAIS NISSO...


DIA DO PROFESSOR: COMO ASSIM??????





terça-feira, 13 de outubro de 2026

SARAMAGUIANA

vejo você ontem nas linhas que eu li,

iluminadas por uma claraboia 

dizendo histórias, memórias, nas bagagens, nas viagens, 

em todos os lugares

com todos os nomes, nos ensaios, nos cadernos

sonhando com um conto de uma ilha qualquer

tal e qual um homem duplicado

dentro de sua jangada

em todos os lugares

vejo você nas linha que leio, 

iluminadas pela vela que me tiram das cavernas 

levantada do chão, imersa nos memoriais e conventos

com as mãos em riste, segundo Cristo, orando por Caim

em todos os lugares

esperando o ano da minha morte, intermitente 

que não sejam por alabardas, alabardas

vejo você na linhas que lerei

pelo infinito que tu escreverás

em mim


POR JOSÉ SARAMAGO

Tu, que não leste nem lerá uma só linha escrita por este teu colega de há séculos, de quem não conhecerás o nome, com as suas datas de começo e fim, como quem, impaciente, tivesse saltado da primeira para a última página do livro, sem sequer saber o que entre elas se encontrava – uma história, uma vida.
Por esta humana e perdoável vaidade que é a de todos nós, aqui te declaro que me dói a certeza de que serei esquecido muito antes de tu apareceres neste mundo, mas a tristeza maior, acredita, é saber que não lerei o mais belo livro do século XXIII – esse que tu escreverás.
 https://blimunda.josesaramago.org/a-um-escritor-do-seculo-xxiii/ 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

AO MENOS

caiu a ficha?

a vaca foi para o brejo?

acabou em pizza? 

adoçaram a boca? 

ao menos você sabe com o que está lidando... será?


abandonou o barco?

acertou na mosca?

armou um barraco?

procurou sarna para se coçar?

ao menos você lutou e sabe quem está contigo...será?


ao menos o sol nasce para todos

ao menos o dia desabrocha a flor

ao menos a água cai dos céus

ao menos a terra gira sem parar


por aqui eu mantenho o dedo na ferida, 

penduro minhas chuteiras 

e tiro meu cavalinho da chuva, ao menos, 

menos, menos, será?

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

ALVÍSSERAS

 

No meio da névoa esbranquiçada

Surge uma intensa alvorada

Que carrega consigo abraçada

A esperança de uma nova jornada...

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

CRÔNICA FIEL

 

Inacreditável, não era mesmo à toa que a poesia saía de mim cheia de medos e dúvidas, porque a volta de tempos sombrios se aproxima novamente e percebo que o ser humano se desumanizou, continua olhando para o seu redondo umbigo, se embebedando de ódio e perpetuando a velha história horrorosa de Caim que matou Abel por pura inveja, tudo isso diante dos olhos de deus!

Aleluia irmãos!

Inafiançável, não era mesmo à toa que a palavra saia de mim repleta de pavor, porque a gente sente o terror quando ele se aproxima, já que os homens se mostram sempre com a boca escancarada, e o os peitos estufados, e ninguém mais se acovarda diante de nada, porque agora há certidão; uma certidão para cada um dos cidadãos de bem, para todos aqueles que dão um salve para a família, pátria e estão perdoados.

Glória a Deus!

Imperdoável, não era mesmo à toa que o poeta, amargurado, pressentia, porque a poesia sente quando está prestes a morrer, a música se cala, a arte definha,  porque a educação finda, e os homens não tão de bem, estão ali, cheios de hipérbatos, metáforas do mal, do mau,  iludindo uns outros tantos cidadãos de bem,  que querem ganhar a tão sonhada certificação que lhes garantirá um longo lugar nos céus, enquanto suas transgressões correm a olhos vistos, e já dirá o tal Mateus ou será o tal Pedro,  que o sangue derramado por muitos, servirá para remissão dos pecados de todos nós. 

Livrai-nos do mal! Livrai-nos do mau!

Amém!

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

MEU QUINTAL

 

Uma angústia nasce

Tenho medo

Esse medo do incerto

Me aflige

Não tenho controle dele, deles, deles

Os medos controlados

Só são sentidos

Apenas vem e vão

Os medos instáveis e incontroláveis e variáveis e perigosos

Aqueles que independem

Do meu ser frágil

Que os sentem

Esses.... Ah! Tenho pavor!

Vejo o mundo

E o temor aparece

Mas não tenho o domínio dele, deles, deles

Os temores indomináveis

Se transformam

Em pavor

O pavor súbito e descontrolado e ameaçador

Uma angústia finca

E aquela flor

Esperançosa, pensa em brotar

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

CRÔNICA SEM FIM

 

Na sessão de terapia...

— Tenho pensado muito em o quanto sou super sensível para várias coisas e isto está me matando; fico pensando em tudo, nas pessoas que estão passando por coisas ou momentos difíceis, pode ser uma notícia, uma fala de alguém, algo que eu vi na rua, sei lá, quando eu vejo já absorvi aquilo para mim e já era, fico triste sem saber e estrago o dia de todo mundo!

— ?

— Sim, realmente, enfim, pode ser isso mesmo que você disse, mas quando eu percebo eu já ouvi, já vi, e já assimilei aquilo tudo e daí estou pensando na pessoa que está ali, na história que ela me contou ou que eu ouvi, ou na notícia e nem percebo que o dia já ficou estranho por causa dessas coisas.

— . ? ?

— Não sei dizer. Não sei se é isso.

— . ; ! ! ?

— Não tinha pensado assim. Pode até ser que eu esteja fazendo isso para me sabotar, ou para justificar a rotina exaustiva, e minhas próprias angústias, ou para pesar o clima, entendi...enfim, não tinha pensado por esse prisma.

— . . . ? ? ? ?

— Ás vezes acontece o que você disse, mas outras vezes não. Depende. Quanto a essa outra ideia, sei lá. Não tinha reparado que eu faço isso. Faço sem querer?

— . ! ! ! ? ? ? ! . ? .

— Ah! Não é isso não, não é possível que eu faça isso para me vitimar, para eu poder justificar, será? Justificar o quê? Ah! Será? Caramba, isso é interessante, complexo, como você mesmo falou.

 — .

— Eu sei que você não falou vitimar. E também não disse que faço para pesar o clima, desculpa. Eu que achei que você insinuou isso, mas eu entendi.... Será? Só acho que sou muito sensível. 

— .

— Verdade. Eu percebi. Sem insinuações e suposições.

— .

— Sim, eu vi, que fiz isso.

— .

— Vou pensar.

— .

— Para você também... até semana que vem.

AO PROFESSOR AS BATATAS

Aposento-me depois de mais de três décadas em sala de aula atuando como professora, sendo duas décadas na rede pública, e o restante na rede...