Era para ser um texto qualquer,
um poema, algo que mostrasse a que veio. O texto escrito inaugural, o introito
anual. O primeiro do ano, o primogênito, aquele que abre-alas para o restante
vir, não importa em que condições. Tudo que começa tem que ser único,
ohhhhhhhhh, porque se espera isso do começo, do empeço, porque se quer isso dos
inícios; era para ser original, isso original, algo nunca visto, algo nunca
escrito. Não veio. Passei os dias tentando escrever o poema, a crônica inicial,
o haicai do ano matemático de 2025, o romance que nunca existirá. Ninguém veio.
Nem a inspiração, nem a ideia, nem a chuva americanizada de brainstorming, nem
uma palavra sequer. Nada.
Assim como na vida, nada é o
original, assim, por aqui também não tem como ser.