domingo, 26 de abril de 2015

HÁ QUE SE


                 Há que se ter coragem. Eu não tenho. Não arrisco, não ouso, tampouco petisco. Sou amante da seguridade, da estabilidade. Dureza ser assim, pois há mais caráter nisso que a própria definição de caráter. Na dúvida não falo, na incerteza não opino, o que sai de mim é porque tem o certo ar de verdade, pode até ser uma mentira, mas o que se sente há de ser verdadeiro em nós. E se a coragem eu tivesse, não saberia usá-la, porque assim como o pássaro hesita em sair da gaiola, assim eu não transito no abismo, nem quero vislumbrar o céu aberto. Há que se ter medo. Eu tenho. Todos. Variados e até obcecados. Das sensações, das vontades e dos desejos, porque há em mim tantos e tantas que tenho o tal medo de senti-los, nem em pensar é permitido. Há que se ter dúvida. Talvez. Tenho ora sim ora não. Quando sim é insegurança, quando não é instinto. E se no instinto cabe um pouco de coragem, isso eu não sei o porquê, na dúvida... me calo.

sábado, 25 de abril de 2015

A DELICADEZA DO AMOR

O amor é tão estranho
é infante, desatino
impossível de se ver
quando o queremos ser

O amor é passo doble
é junto, em melodia
solitário em se sentir
quando não podemos ter

O amor é calmaria
é a passagem, dia a dia
personagem em fantasia
quando o faz sofrer

O amor é delicado
é multifacetado por
desejos, retratos dos
amantes eternizados.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

AO AMIGO

som sim meu
amigo sorri
só poesia
sou sim minha
amiga
sempre sombra
caminha
cartinha
parceria
som sim meu
amigo sibila
só cantoria
sombra minha
alegria
sou sim sua
ladainha
sempre sombra
confraria
amigo meu
sintonia
som sim meu
amigo sorri

quinta-feira, 16 de abril de 2015

SEI-QUE-LÁ II (PARA GUILHERME SANTOS)

SE PELA LÍNGUA
HÁ DESPREZO
SABES USÁ-LA
COM AFINCO

NÃO ACEITA
TANTAS NORMAS
ASSIM TANTO NÃO
LHE CONVENCE

SIM GRAMÁTICA
QUE A REPUDIA
QUAL A LUZ DA
IDIOSSINCRASIA

MAS TENTOU A
TAL REBELIA
FAZER USO DA
SUA POESIA?

sexta-feira, 27 de março de 2015

NIEBLA

E assim a vida passa ao lado e se assiste como um enredo triste e sem graça; das personagens nada se tira de bom, porque são todas planas e secundárias e seguem seus scripts cotidianos, porque nada pode ser mudado nesse roteiro. Cada um tem o seu a ser cumprido.
E assim a história vai, nem romance, nem ficção, tem um pouco de realismo, não fantástico, não nos prestamos às fantasias, seguimos o rumo determinado até o fim. Não esperamos que nada mude porque é difícil alterar a ordem das coisas. Falta interpretação, falta doçura, sentimento e compaixão. Não se deve apenas deixar vomitar as falas, em longos monólogos, chatos e tão melancólicos. Na cena a moça tenta mudar a fala, coitada, as personagens não respondem, os diálogos ficam desconexos, ela sorri e percebe que não se pode mudar o destino programado, é proibido tentar ser algo além de personagem. E assim a vida passa...

quinta-feira, 5 de março de 2015

IRMANDADE


Mote: “Pergunte sempre a cada ideia: a quem serves?” (Brecht)

 

Serve ao mundo sua

ideia da transformação

a cada ato um cordato

nunca é consolidado

qual é o nome do sujeito?

ensaia a própria existência,

nesse mundo de mercado

espécie de confraria, uma comédia

seu trabalho, estamparia

da forma, da estética, dos bons tratos

são várias as visões e poucos os equívocos

colecionados, desgrenhados no tempo em que a história para, para ver...

qual é o nome do sujeito?

ele serve ao mundo

que se há de fazer

ele é o mundo improvisado

apaixonado

de certezas, de poesia, da ideia

ele é o sujeito!

 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

REFRAÇÃO

Ei! Faltou um pouco de humanidade em você hoje?
E essa resposta atravessada que deu, ou ainda, o seu mau humor com essa pessoa ou com aquela, tanto faz, se resumem no fato de que você está cansado, arrrasado, chateado, de saco cheio mesmo e que portanto tudo se justifica na simples razão de que é humano.
Ah! Há que se perdoar toda a ação humana, porque nela reside a tal da humanidade, pois se nos falta tudo que deveria compor o ser humano, é porque estamos insanos, e animais somos naquele momento da irracionalidade, justificadíssimas, pelo mero fato de que humanoides seremos um dia.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

HISTORIETA

-Como vai resolver isso?
-Sei não.
-Responde à altura.
-Não é assim, não posso.
-Por quê?
-Hierarquia.
-Dane-se.
-Não é bem assim.
-Bunda-mole.
-Ah! Se fosse com você, bem sei como seria.
-Respondo na lata, comigo não tem tempo-quente.
-Estou vendo. Deixa que eu resolvo do meu jeito.
-Está bem, não está mais aqui quem falou... só acho que esse papo de hierarquia é muito furado... temos que responder ali na hora, que é para todos verem que temos atitudes, que não somos covardes... hierarquia o escambau...bando de babacas...pô...estratos sociais, isso tudo é uma palhaçada, cadê a igualdade, pô...isso cansa...nossa!!! isso dá uma revolta só..........

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

NADINE

Olho verde brilha
me olha e pulsa a
verdade, saudade
que verve a sós
a sorte de ver-te
palavra em verso
sentida no gesto
que teme saltar
imaturo desejo
verdugo captar o
olho da arte que
julgo cá em nós.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FIM DA LINHA

              Não tenho tido tanto tempo para você. De fato  é bem verdade isso. Há um tanto de desculpa nisso também, mas o que é  a desculpa senão uma mentira travestida de bem? Larguei mão da linha, da costura e da vontade de preencher essas linhas daqui tão virtuais. Não abandono porque há sempre uma necessidade de escrever algo torto, assim de repente, até de chofre. Começamos com mais ternura do que afinco. Eram tantas as postagens, tantos os dizeres, agora nem um nem outro, nem quase nada. Não me calo ainda; por hoje sei que é o fim da linha desse ano e não se avolumaram os tomos como dantes, nem os leitores, e como precisei deles... mas fiz algo de escrever por aqui. Meus pés andam cansados dessa Valsa Literária, e quem está a ligar para isto?
             Camões diria que mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, sei bem o que é o tempo e mais ainda entendo das vontades. Não tenho alma de escritora, nem mão de escitora, não tenho nada além da palavra minha que sai em tropos defigurados e descosturados do que é dita a tal da Literatura. Sei tanto disso também. Porém, é a vontade que eu desejo da palavra, sinto cheiro dela em mim. Não a conheço lá na alma, conheço um pouco o normativo vocábulo que uso para ser a Marili que acho que tento ser diariamente, todavia aquela que escreve é tão outra desconhecida minha que ora vem, ora vai, ora não volta.
              Machado diria que há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. Que é o que escrevo se não o trivial? Crônico! Tão banal que não há interesse nisso, há tanto a ser lido, há mais para ser visto, quem há de querer passar a vista no óbvio. Crônico! Carnicão. Decerto isso é assim mesmo, quem chegar ao fim da linha disso tudo já é um vitorioso. Não há tentativa de ser maçada, é só a vontade mesmo da dita palavra.
              E assim Saramago diria que se os seres humanos não morressem tudo passaria a ser permitido, e não é isso que eu quero, nem ninguém quer. O bom da palavra é que ela é permitida, para todos e até para mim, posso dizer o que quero dela e ela de mim. Isso é tão democrático, tanto, que me assusta, é democrático demais, porque pode ela existir e ninguém querer ver, ler, ouvir, passar um olho sequer.
              Há tantas linhas ainda, por hora é o fim.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

DIALÉTICA DA VIDA

falta nessa vida
o tema
falta nesse tema
o assunto
assunto sem tema
é o vazio
tema com assunto
é tese
e a linguagem
é a síntese!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Facécias

Era amigo se dizia
e de pronto se fazia
não se sabe que fim houve
só não lhe tenho mais serventia!

Dois tostões pagou ao amor
sem entender o pregão
morreu de amor a morena
triste fim ao coração.

É preciso dedicação
para sustentar o quinhão
o que escrevo é palhinha
espaiáda nesse mundão.

Quem de mim gosta
de mim quer só ficar
se um dia poeira afasta
resta em mim arrancar.

Se não presto ao canto
tanto quanto espanto
só me sobra o encanto
do meu verso esperanto.

O FLAGRANTE

  Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...