quinta-feira, 25 de julho de 2019

PLÁGIO


Lisbon Revisited ( Por empréstimo ao Pessoa)



Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!


Tenham paciência, sim

Porque o mundo tange

Em desordem e incertezas

E somos assim mesmo

Outras pessoas são

E por que haveriam de ser

Boas?

São tentativas e rabiscos

De seres incompletos e

Cheios de medos

Tenhamos paciência

Façamos a vontade

Por que o mundo nos

Espera.

SOBRE O AMOR






Casei com ele no dia 11 de papel passado, no cartório, apenas, porque na igreja os ateus não entram, ele ateu e eu não sei dizer o que sou. Se eu tinha certeza de que era ele? Sim, tinha. Assim como ainda tenho, porque os dias ao lado dele são mais leves e fáceis e felizes. Porque ainda tomamos café e conversamos sobre os bósons, sobre poesia, jazz, bossa nova, sobre os lindos e incríveis filhos que juntos tivemos, sobre os alunos, sobre a dureza da vida e principalmente sobre o que é o amor. Se eu tinha certeza de que era ele? Sim, tenho. Porque sempre soubemos que não seria fácil, mas que poderia ser fácil, com um tanto de carinho e mais bocado de compreensão e entrega. Porque na hora de aperto, a gente senta e toma um café e dá umas risadas e fala umas idiotices. Se eu tenho certeza que era ele? Sim, terei. Certeza sobre o amor.












HAICAI DA SAUDADE







No vão da alma

Residem os velhos

Fragmentos da infância


sexta-feira, 19 de julho de 2019

QUADRINHA TOLA



Um pássaro bica a flor

Balança a pétala

Jogando o pólen longe

Que brote nova esperança!

FUGIDIO




Se no tempo do seu olhar

Encontro um pouco de amor

Basta-me, esse universo

Paralelo.


VALOR RELATIVO



O que existe de dúvida

Sobre o que sou

Esconde sempre o

Que verdadeira seria

Minha existência

Se não duvidasse tanto dela.


REFERÊNCIAS



Olho para você

Olhe para você

Vejo a mim, vede a ti

Me descubro em nós

O que há de nós em mim?

Inferências...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

CONTRASSENSO


Contra o ésse que

Decapitou o hífen

A contra-senso

Á contragosto

Contrarregra

Contra a regra

Desregrada

Que desgosto

Só nos resta a

Pré-história


POEMA DESTOADO


Maldita sejam as origens,

as regras e toda essa tradição.

As favas com as tradições.

A mesmice do ser assusta.

Caminha-se com o mesmo passo

dos primeiros homens

a darem os primeiros passos eretos,

e esperava-se que assim,

com os olhares paralelos ao futuro,

vissem além de suas oculares.

Ninguém abandona suas origens.

Ao diabo com a bendita essência.

Há que se preservá-la,

quer seja para o bem

ou para mal?

O rio continua a procura do mar.

E o Sol guarda-se para

         a Lua aparecer.

Os sorrisos exagerados são os mesmos

de séculos atrás;

e a flor dada aos buquês continua a ter

o mesmo efeito.

Evolui-se e anda-se ao revés.

Nada é o novo.

As histórias de amor

são as mesmas histórias de amor.

Os filhos não deixam de ser

filhos, apenas o são.

As mortes são mortes.

E a esperança da novidade

        é apenas esperança.


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

ENTROPIA

Minha existência me incomoda
o que eu penso sobre tudo
o que não posso pensar, o que não devo pensar
tenho medo de existir, tenho medo de morrer
e tenho certeza de que sou inseguro

Ah! Como incomoda minha existência
o que posso pensar e não posso dizer
para quê dizê-lo? por quê? não digo
tenho muito medo de viver, tenho mais medo ainda das coisas
e tenho tantas incertezas quanto mais anos ganho

Que cansada é minha existência
o que o tempo traz agora é tão tarde
tivesse vindo antes a esperteza do velho com a doçura da criança
tenho muito medo de ficar velho, tenho mais medo da criança
e tenho tantas omissões guardadas que não livro

Por que me incomoda a minha existência?
tenho medo de pensar em responder
soubesse dela como a seria teria pensado e dito mais
tenho bastante medo das pessoas, tenho mais ainda de mim
e tenho uma alma de velho na mente de uma criança... todo resto é desordem.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

LACUSTRE

não beba
não beije
não avance

viva à margem
flutue
saia da caixa

sorria
peça licença
seja feliz

ouça
não diga
insista e assista

sorria
exija alforria
calmaria





sábado, 21 de julho de 2018

LAPSO

...nesses tempos de medo, sombrios e incertos, nesses tempos sem um conforto de pensamento, sem um alívio para alma, em todos esses tempos de tremenda angústia e solidão, nesse tempo de desesperanças e descontínuos, num tempo de ignorância e abundância de sentidos e de saberes, esses tempos curtos e átimos, tempos de uma passada larga e longa, tempo esse que corre solto, esses tempos de longa brevidade e eternidade, tempo de conflito e de felicidade, nesse tempo, nesse nosso tempo, esse é o nosso tempo...

terça-feira, 17 de julho de 2018

TAXIDERMIA

Engole toda a serragem
do mundo
o homem-palha 
migalha o ganha-pão
sacoleja no trem
põem a cara no sol
com a forja na mão 
fornalha vento
imensidão
desnutrição
solidão
come toda a poeira do chão
empalha essa vida
para que lembrem mais tarde
do homem-cão

O FLAGRANTE

  Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...