segunda-feira, 19 de agosto de 2019

HAICAI DA SAUDADE


No vão da alma

Residem os velhos

Fragmentos da infância

Feliz dia aos pais que:


São pais de verdade

Que não batem nas mães

Que são mães de verdade

Que não agridem seus filhos

Filhos de verdade ou não:

Filhos do coração.



Feliz dia aos pais que:



São pais de verdade

Que dão apoio e educam

Que não julgam seus filhos:

Pelo que são.



Feliz dia aos pais que:

Não abusaram de seus filhos

Que lhe deram auxílio

E bocado de carinho.



Mas feliz dia mesmo...

Para os pais de verdade

Para as mães que são: pais

Na realidade.


CRÔNICA DA TEORIA


Tenho uma teoria. E as teorias não servem para absolutamente nada, enquanto teorias, portanto, caro leitor leia essa crônica como desejar.

Tenho uma teoria sobre as relações pessoais via redes sociais. E quando mencionado tal conhecimento especulativo para uma pessoa, em conversa informal, fui duramente refutada; mas, exponho aqui, porque é preciso dizer ás coisas que temos vontade.

Minha teoria bastarda diz que se é possível conhecer as pessoas por àquilo que postam em suas redes sociais virtuais. Quando analiso as postagens sei exatamente se aquela pessoa está triste, se está carecendo de atenção, se está apenas querendo aparecer, se quer se firmar no tempo, se sumiu, porque não posta nada, se deseja adular, conquistar terreno, ser agressiva, engraçada apenas, melancólica...

Segundo minhas regras, parcamente sistematizadas, segundo a minha ótica, consigo decifrar como as pessoas são e mais, como estão no momento.

Teorias são apenas isso, e essa é só mais uma. Enquanto não vira nada, vou usando minha percepção dos fatos verificáveis, ora para entender mais meus conhecidos e amigos, ora para nada mesmo, apenas para pensar.

DESFOLHADO



Em tempos

Sombrios

O céu turva

Para avisar

Que a névoa

Cega

Os pobres

Mortais

quinta-feira, 25 de julho de 2019

PLÁGIO


Lisbon Revisited ( Por empréstimo ao Pessoa)



Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!


Tenham paciência, sim

Porque o mundo tange

Em desordem e incertezas

E somos assim mesmo

Outras pessoas são

E por que haveriam de ser

Boas?

São tentativas e rabiscos

De seres incompletos e

Cheios de medos

Tenhamos paciência

Façamos a vontade

Por que o mundo nos

Espera.

SOBRE O AMOR






Casei com ele no dia 11 de papel passado, no cartório, apenas, porque na igreja os ateus não entram, ele ateu e eu não sei dizer o que sou. Se eu tinha certeza de que era ele? Sim, tinha. Assim como ainda tenho, porque os dias ao lado dele são mais leves e fáceis e felizes. Porque ainda tomamos café e conversamos sobre os bósons, sobre poesia, jazz, bossa nova, sobre os lindos e incríveis filhos que juntos tivemos, sobre os alunos, sobre a dureza da vida e principalmente sobre o que é o amor. Se eu tinha certeza de que era ele? Sim, tenho. Porque sempre soubemos que não seria fácil, mas que poderia ser fácil, com um tanto de carinho e mais bocado de compreensão e entrega. Porque na hora de aperto, a gente senta e toma um café e dá umas risadas e fala umas idiotices. Se eu tenho certeza que era ele? Sim, terei. Certeza sobre o amor.












HAICAI DA SAUDADE







No vão da alma

Residem os velhos

Fragmentos da infância


sexta-feira, 19 de julho de 2019

QUADRINHA TOLA



Um pássaro bica a flor

Balança a pétala

Jogando o pólen longe

Que brote nova esperança!

FUGIDIO




Se no tempo do seu olhar

Encontro um pouco de amor

Basta-me, esse universo

Paralelo.


VALOR RELATIVO



O que existe de dúvida

Sobre o que sou

Esconde sempre o

Que verdadeira seria

Minha existência

Se não duvidasse tanto dela.


REFERÊNCIAS



Olho para você

Olhe para você

Vejo a mim, vede a ti

Me descubro em nós

O que há de nós em mim?

Inferências...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

CONTRASSENSO


Contra o ésse que

Decapitou o hífen

A contra-senso

Á contragosto

Contrarregra

Contra a regra

Desregrada

Que desgosto

Só nos resta a

Pré-história


POEMA DESTOADO


Maldita sejam as origens,

as regras e toda essa tradição.

As favas com as tradições.

A mesmice do ser assusta.

Caminha-se com o mesmo passo

dos primeiros homens

a darem os primeiros passos eretos,

e esperava-se que assim,

com os olhares paralelos ao futuro,

vissem além de suas oculares.

Ninguém abandona suas origens.

Ao diabo com a bendita essência.

Há que se preservá-la,

quer seja para o bem

ou para mal?

O rio continua a procura do mar.

E o Sol guarda-se para

         a Lua aparecer.

Os sorrisos exagerados são os mesmos

de séculos atrás;

e a flor dada aos buquês continua a ter

o mesmo efeito.

Evolui-se e anda-se ao revés.

Nada é o novo.

As histórias de amor

são as mesmas histórias de amor.

Os filhos não deixam de ser

filhos, apenas o são.

As mortes são mortes.

E a esperança da novidade

        é apenas esperança.


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

ENTROPIA

Minha existência me incomoda
o que eu penso sobre tudo
o que não posso pensar, o que não devo pensar
tenho medo de existir, tenho medo de morrer
e tenho certeza de que sou inseguro

Ah! Como incomoda minha existência
o que posso pensar e não posso dizer
para quê dizê-lo? por quê? não digo
tenho muito medo de viver, tenho mais medo ainda das coisas
e tenho tantas incertezas quanto mais anos ganho

Que cansada é minha existência
o que o tempo traz agora é tão tarde
tivesse vindo antes a esperteza do velho com a doçura da criança
tenho muito medo de ficar velho, tenho mais medo da criança
e tenho tantas omissões guardadas que não livro

Por que me incomoda a minha existência?
tenho medo de pensar em responder
soubesse dela como a seria teria pensado e dito mais
tenho bastante medo das pessoas, tenho mais ainda de mim
e tenho uma alma de velho na mente de uma criança... todo resto é desordem.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

LACUSTRE

não beba
não beije
não avance

viva à margem
flutue
saia da caixa

sorria
peça licença
seja feliz

ouça
não diga
insista e assista

sorria
exija alforria
calmaria





O FLAGRANTE

  Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...