sábado, 29 de agosto de 2020

CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEMA

 


Há certa dificuldade na vida, na conversa, e, arriscaria dizer em quase tudo, de se caminhar sem um tema. Parece-me que visto assim, solto, qualquer coisa vira andarilho. Ou algo que vai vagar por ali e por acolá à procura de um chegar, de um ponto final, de um rumo.

Posto, posso arriscar dizer de novo, que há muito em que se pensar e talvez muito pouco a se dizer, nesse momento.  Em se tratando que a matéria é complexa e a sugestão que vem é de deixar o correr livre das palavras, das construções e das metáforas, se é que ainda sem fazê-las, tudo mesmo, me coça o espírito de incertezas e não sei se sei fazer isso.

Preciso dizer que muito me assusta esse dizer, sem dizer, dizendo, algo, sei lá, sem uma costura, e sem alinhavos em uma trilha temática, sem aquela intenção, qualquer intenção, boa, ruim, qualquer mesmo, de qual assunto eu mesma nem sei. Isso me pesou o pensar durante toda a semana. Fiquei quase sem rumo em quase tudo e toda essa repetição de verbetes é para ratificar minha insegurança em não se ter sobre o que falar.

Assim, hoje, acho que prefiro mesmo ela, a poesia que me lança em alguma coisa que mesmo sem um tema prévio faz cuspir um verso que sozinho pode ser tema de alguém. Esse...

sexta-feira, 24 de julho de 2020

VALSINHA

#difícilfazerpoesiaemsp#

CONDUÍTE


A mesma veia que
Me conduz é aquela
Que te leva até mim.

Nos fios que correm
Em nossas entranhas
Está a necessidade
Dessa arte que nos
Envolve, e protege.

Dos desvãos da vida
Ávida essa que se diz
Lida, escrita, guardada
Em velhos sótons da,
Nossa, boa memória
Estão aqueles sonhos  
Que através da história
Junta os fiapos da poesia
Te levando até mim.


quarta-feira, 22 de julho de 2020

SEM FILTRO


Escrevo se posso
quando ainda
possuo palavra a ser escrita
que escorre tal qual
lagartixa
o tempo encurtado
obriga o poeta
a escrever o óbvio,  o doentio desejo
das paredes sujas de pó
retiro o passado
tenho saudade
                                      da escrita volátil
                                      que fora de mim
                                      se estende ao Sol

quinta-feira, 9 de julho de 2020

MELANCOLIA


ALUMIAR


Coitado do negrinho
distraído, baio sumiu;
toquinho de vela aceso
 e o corpo no chão.

Coitado do negrinho
não dança Nhô-chico,
não escolhe mais as
moças, pela feição.

Coitado do negrinho
vive agora atribulado
só acha coisa perdida
em troca de alumiado.


Coitado do negrinho
ensanguentado no vão
nem Nossa Senhora
veio lhe dar a mão!


POEMA DO SAPO


BATOQUE



O indiozinho queria muito o seu. Havia caçado dois azulões, tudo bem que eram fêmeas e nada se pode aproveitar da plumagem parda e sem graça, ele mesmo ficou meio sem graça. Não se caçam as mulheres. Envergonhou.

Mas era hora.  Nada tiraria sua certeza. Foi ter com o Pajé. Explicou toda a sua maioridade, já era capaz de empunhar arma, trazer caça, pescar, montar seu ubá, então, era preciso ter seu batoque. Queria um de pedra, lascada e fina, das águas claras do rio, lisa e achatada, para ornar melhor e lacrar os espíritos ruins.

Pajé riu. Coçou. Olhou o curumim ali magrelo e pedinte. Prometeu um de madeira para começar, era isso que podia oferecer. Isso ou nada. Menino titubeou, olhou para a pedra de beiço do Pajé, linda; pensou; aceitou. Meio resignado sim, contudo feliz.

Agora era índio de verdade!


terça-feira, 7 de julho de 2020

COMO UM DIA QUALQUER

O TÉDIO PASSA
COMO UM DIA
QUALQUER
ELE VEM
APARECE E SOME

A BRISA PASSA
COMO UM DIA
QUALQUER
ELA VEM
APARECE E SOME

A VIDA PASSA
COMO UM DIA
QUALQUER
ELA VAI
NEM SE PERCEBE.

O FLAGRANTE

  Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...