Ontem havia guardado meu sorriso de lado, tirei o resto da gentileza que tinha restado no
meu rosto. Limpei todos os gestos de bondade e me vi assim, tal qual o animal
se vê diante da presa. Quero agradecer a todos por mais esse dia, quero
dizer obrigada e bom-dia; ironicamente ditos; quero apenas trancar em mim o desprezo e despir
de mim qualquer sutileza que me tornem mais humana. Quero não precisar olhar
com olhos de doçura ou desejo; quero não mencionar as palavras de gentilezas
ou desculpas. Vou assumir toda culpa. Olho para o descamisado sem dentes,
para o faminto, para a meretriz doente, para a criança abusada da mesma maneira
que olho para o resto dos seres, que agora deitados contemplam o Sol, as
belezuras e alegrias. Eu me incluo neles, tenho todos em mim! O meu lado desumano se descarta dos acessórios da
ética, da poesia, da delicadeza, da humildade, bom senso e convertem para o
verdadeiro ser fabricado e produzido, no meu íntimo e só.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
POEMA ATEMPORAL
As coisas não residem no tempo Se costuram a ele, em pedaços de trapos de memórias Que antanho, vão se aparecendo Descaradamente...
-
sem conseguir escrever alguma coisa de valor poético, metafísico, revolucionário, quântico, sem conseguir escrever algo que te faça se apaix...
-
É possível parcelar as mágoas em suaves prestações? De preferência sem juros, porque ninguém merece juros disto. Já tive que inutilizar minh...
-
Mote: A história acabou, não haverá nada mais que contar. (Saramago, em Caim) No bar, o homem embriagado, narra a história da sua vida par...
Nenhum comentário:
Postar um comentário