terça-feira, 21 de julho de 2026

CRÔNICA DOS QUE SE ENCONTRARAM ( Para Ione, Mário e Wiliam)

 

Volto a escrever.

Depois do período catártico, que não convém explicar ou dizer, escrevo. Faço por pedido do amigo que diz: “ se obrigue a escrever…nem que seja um haicai! ” Na dúvida do que dizer em três linhas apenas, eu teria que condensar em verso, (duas redondilhas menores e uma maior, tudo que ficou nesse vão de tempo, nesse tempo que a poesia me fugiu e a ideia vagou sem uma letra escrita em página qualquer), registrar nossos momentos efêmeros em modestas três linhas; assim, optei por rabiscar essa crônica, que já adianto ao leitor, torta, sem vigor, indo de mal a pior, porque essa amadora escritora estava em desalinho, mas com a intenção de gesto, sim, do maior gesto possível.

Preâmbulo feito.

Volto a escrever por causa das pessoas, por causa de mim, de nós, pelo tempo, por todos que sabem que dizer é preciso. Dizer algo é necessário. Não o que todo mundo já sabe, mas é muito mais importante dizer aquilo que não se sabe. O encontro de gentes é algo mágico. Encontrar as pessoas e saber que se pode falar, aprender com elas, ouvir delas o essencial é aparentemente tão comum, tão banal que muita gente não liga, ninguém mais quer fazer ou dizer.

Escrevo porque alguém deve dizer o óbvio, o incontestável poder de dizer e ouvir, de ter amigos que se fazem presentes no vácuo da vida cotidiana; essa crônica é para eles, sim, eles sabem que é para esses três, e não poderia ser apenas um verso para cada um, teria que ser um monte de versos para eles. Essas palavras são para vocês. E eu sei que vocês sabem que escrevo para vocês.

Voltei a escrever porque eu precisava dar para eles a certeza de que nosso encontro foi muito essencial, e sempre o é, sendo curto, sendo longo, não importa, falamos e somos ouvidos, um na medida do outro, um no gancho do outro porque sabemos fazer o básico bem feito, sabemos que a conversa, o querer bem, o desarmar-se na confiança é o que nos une nesse caótico abismo de solidões.

Escrevi porque era preciso dizer para vocês o quanto tudo isso é muito importante. E que vocês podem mover o mundo, a pena da escritora, a alegria do encontro e a arte de se doar, simplesmente porque viver é isso. Recebam o texto com o desejo de que sempre nos encontremos, para fazer o imprescindível.

 


HAICAI DO ENCONTRO

Desse encontro

Voltado ao imensurável

O tempo dirá

2 comentários:

William disse...

Amiga poeta, "viver é isso"! Na hora que estávamos jantando, conversando com o Mário, disse a ele que havia cometido uma espécie de pecado ou impropriedade, ao dizer pra ti escrever quando pudesse, nem que fosse um haicai. Foi um cacoete de quem faz textos grandes. A excelência dos poetas é justamente a arte e o dom de dizer as maravilhas com o acerto sintético das palavras. Algo dificílimo! E veja que haicai fantástico você nos presenteou! Demais! Bjs nessa família linda!

Valsa Literária disse...

hahahahaha o mote foi dado, saiu do coração!

O PASSEIO

  Naquela manhã, nem sei dizer o porquê, resolvi pegar o carro e caminhar em um parque, e talvez, depois, podia aproveitar a saída aleatória...