Volto a escrever.
Depois do período catártico, que não
convém explicar ou dizer, escrevo. Faço por pedido do amigo que diz: “ se
obrigue a escrever…nem que seja um haicai! ” Na dúvida do que dizer em três
linhas apenas, eu teria que condensar em verso, (duas redondilhas menores e uma
maior, tudo que ficou nesse vão de tempo, nesse tempo que a poesia me fugiu e a
ideia vagou sem uma letra escrita em página qualquer), registrar nossos momentos
efêmeros em modestas três linhas; assim, optei por rabiscar essa crônica, que já
adianto ao leitor, torta, sem vigor, indo de mal a pior, porque essa amadora
escritora estava em desalinho, mas com a intenção de gesto, sim, do maior gesto
possível.
Preâmbulo feito.
Volto a escrever por causa das pessoas,
por causa de mim, de nós, pelo tempo, por todos que sabem que dizer é preciso.
Dizer algo é necessário. Não o que todo mundo já sabe, mas é muito mais
importante dizer aquilo que não se sabe. O encontro de gentes é algo mágico.
Encontrar as pessoas e saber que se pode falar, aprender com elas, ouvir delas
o essencial é aparentemente tão comum, tão banal que muita gente não liga,
ninguém mais quer fazer ou dizer.
Escrevo porque alguém deve dizer o
óbvio, o incontestável poder de dizer e ouvir, de ter amigos que se fazem
presentes no vácuo da vida cotidiana; essa crônica é para eles, sim, eles sabem
que é para esses três, e não poderia ser apenas um verso para cada um, teria
que ser um monte de versos para eles. Essas palavras são para vocês. E eu sei
que vocês sabem que escrevo para vocês.
Voltei a escrever porque eu precisava
dar para eles a certeza de que nosso encontro foi muito essencial, e sempre o
é, sendo curto, sendo longo, não importa, falamos e somos ouvidos, um na medida
do outro, um no gancho do outro porque sabemos fazer o básico bem feito,
sabemos que a conversa, o querer bem, o desarmar-se na confiança é o que nos
une nesse caótico abismo de solidões.
Escrevi porque era preciso dizer para
vocês o quanto tudo isso é muito importante. E que vocês podem mover o mundo, a
pena da escritora, a alegria do encontro e a arte de se doar, simplesmente
porque viver é isso. Recebam o texto com o desejo de que sempre nos encontremos,
para fazer o imprescindível.
HAICAI DO ENCONTRO
Desse encontro
Voltado ao imensurável
O tempo dirá
2 comentários:
Amiga poeta, "viver é isso"! Na hora que estávamos jantando, conversando com o Mário, disse a ele que havia cometido uma espécie de pecado ou impropriedade, ao dizer pra ti escrever quando pudesse, nem que fosse um haicai. Foi um cacoete de quem faz textos grandes. A excelência dos poetas é justamente a arte e o dom de dizer as maravilhas com o acerto sintético das palavras. Algo dificílimo! E veja que haicai fantástico você nos presenteou! Demais! Bjs nessa família linda!
hahahahaha o mote foi dado, saiu do coração!
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