O que me confere o direito de falar e escrever sobre futebol é só um: adoro. Para falar sobre algo é preciso antes de tudo gostar. Gosto e assisto todo e qualquer jogo de futebol. Quando criança assistia Desafio ao Galo, em campo de terra, bem melhor que hoje, os caras ralavam a camisa. Então, se eu entendo de futebol? Talvez. Não há muitos pressupostos para esse tema, há antes a história, essa eu sei de alguma coisa, mas sobretudo há em mim desejo de escrever. Depois de tantos vexames da nossa seleção de futebol não consigo ficar calada. Fico bem quieta quando meu time perde, e também fico calada quando ganha porque sei o que é ter paixão por um time. Entretanto quando vejo o que se tornou nossa seleção brasileira de futebol fico engasgada. De quem é a culpa? Da estrela? Também é. Quem viu o garoto na escolinha de base do Santos e quem o vê hoje, sabe que já não são a mesma pessoa. Porém, minha tese é: Cadê o meio de campo? Não há mais meios-campistas. Onde estão Didi, Falcão, Rivaldo, e até porque não dizer do Platini e Bobby Charlton, e devo ter esquecido de outros, mas esses são mais relevantes para mim. Consideradas estrelas de grandeza menor, os meio-campistas são o que eu chamo d'alma do time, são eles os responsáveis pela ligação defesa-ataque, sem eles acontece o que temos visto no futebol atual do Brasil, nenhuma conversa. Zagueiros achando que são atacantes, goleiros tendo que fazer gol, e centro-avante achando que é a estrela de grandeza maior responsável por toda uma nação. Infelizmente uma tragédia!
segunda-feira, 29 de junho de 2015
sexta-feira, 19 de junho de 2015
PRIMEIRO
Vi e olhei
não olhei
falhei
a arte do primeiro encontro
é um erro
que traz no desassossego
o engano
gosto do que
não conheço, amanheço
em dúvidas
permaneço...
não olhei
falhei
a arte do primeiro encontro
é um erro
que traz no desassossego
o engano
gosto do que
não conheço, amanheço
em dúvidas
permaneço...
quinta-feira, 11 de junho de 2015
EU SEI E VOCÊ, SABE?
Eu bem sei que nada é fácil
e que lá dentro cabem todas
as angústias do mundo e ainda
todo o cansaço da vida e do dia e da noite
e sei também que há para sempre
uma frase adversativa que diz
mas...
Eu sei que você está lendo e
certamente enquanto lê, lembra
de tudo e todas as coisas que agora
enchem seus pensamentos de outro
tanto de cansaços e dúvidas e afins, do dia e noite
e sei que eu e você, estamos assim
no meio-fim de nossas vidas
porém...
Eu sei e você, sabe?
Que há alguém ali, ou aqui, ou aí
que lhe sorri, lhe afaga, lhe sente, sim
e inafiançáveis lembram e lhe tocam o rosto
e lhe fecham num abraço doce e arrastado, do dia e da noite
porque há nelas entretanto amor?
e que lá dentro cabem todas
as angústias do mundo e ainda
todo o cansaço da vida e do dia e da noite
e sei também que há para sempre
uma frase adversativa que diz
mas...
Eu sei que você está lendo e
certamente enquanto lê, lembra
de tudo e todas as coisas que agora
enchem seus pensamentos de outro
tanto de cansaços e dúvidas e afins, do dia e noite
e sei que eu e você, estamos assim
no meio-fim de nossas vidas
porém...
Eu sei e você, sabe?
Que há alguém ali, ou aqui, ou aí
que lhe sorri, lhe afaga, lhe sente, sim
e inafiançáveis lembram e lhe tocam o rosto
e lhe fecham num abraço doce e arrastado, do dia e da noite
porque há nelas entretanto amor?
sábado, 30 de maio de 2015
sexta-feira, 29 de maio de 2015
quarta-feira, 13 de maio de 2015
O TÉDIO E O ASSÉDIO
O assédio perguntou
ao tédio: o que vai ser hoje?
E depois de tanta esparrela
o tédio, sem muita hora
respondeu: tem remédio para tramela?
ao tédio: o que vai ser hoje?
E depois de tanta esparrela
o tédio, sem muita hora
respondeu: tem remédio para tramela?
quarta-feira, 6 de maio de 2015
O JARDIM DE GILDA
A mulher cavouca
a terra, já adubada pelo melhor resto de coisas que há, com as mãos e unhas que
agora já trazem a escuridão fértil, impregnadas. Nesse mesmo instante ela
conversa com as pequeninas rosas coloridas que demoravam a nascer, perguntando
às mesmas se não tinham inveja das roseiras já adultas. Nisso tudo reside um
bocado de poesia, porque em Gilda e em seu jardim cabem muito mais que flores e
frutos. Nisso existe uma bondade absurda, porque em suas verdes e doces
esperanças, há em Gilda o toque do sonho e da simplicidade de se viver. Entre
outra olhada, as orquídeas lhe sorriem abertas e reluzentes. Na briga com a
jabuticabeira que carecia de poda em uns dos galhos, a mulher explica para
árvore que há de se cortar para crescer, ela sabe bem que a próxima florada
será intensa, antes dos frutos negros dependurados no tronco adocicarem sua alma.
O jardim de Gilda guarda muito mais que beleza, guarda, ela mesma.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
ECLIPSE
Do Sol
esperava-se
apenas que
nascesse
ademais
do galo
que cantasse
nem um
nem outro
veio a despontar
e o cabloco
duvidou
da existência
de Deus:"mundo tá perdido"
mal sabia ele
da faceta
do dia
que acabava
em noite
e que encobria
o que lá
de cima Deus
sorridente
escondia
esperava-se
apenas que
nascesse
ademais
do galo
que cantasse
nem um
nem outro
veio a despontar
e o cabloco
duvidou
da existência
de Deus:"mundo tá perdido"
mal sabia ele
da faceta
do dia
que acabava
em noite
e que encobria
o que lá
de cima Deus
sorridente
escondia
domingo, 26 de abril de 2015
HÁ QUE SE
Há que se ter coragem. Eu não
tenho. Não arrisco, não ouso, tampouco petisco. Sou amante da seguridade, da estabilidade.
Dureza ser assim, pois há mais caráter nisso que a própria definição de caráter.
Na dúvida não falo, na incerteza não opino, o que sai de mim é porque tem o certo
ar de verdade, pode até ser uma mentira, mas o que se sente há de ser
verdadeiro em nós. E se a coragem eu tivesse, não saberia usá-la, porque assim
como o pássaro hesita em sair da gaiola, assim eu não transito no abismo, nem
quero vislumbrar o céu aberto. Há que se ter medo. Eu tenho. Todos. Variados e
até obcecados. Das sensações, das vontades e dos desejos, porque há em mim
tantos e tantas que tenho o tal medo de senti-los, nem em pensar é permitido.
Há que se ter dúvida. Talvez. Tenho ora sim ora não. Quando sim é insegurança,
quando não é instinto. E se no instinto cabe um pouco de coragem, isso eu não
sei o porquê, na dúvida... me calo.
sábado, 25 de abril de 2015
A DELICADEZA DO AMOR
O amor é tão estranho
é infante, desatino
impossível de se ver
quando o queremos ser
O amor é passo doble
é junto, em melodia
solitário em se sentir
quando não podemos ter
O amor é calmaria
é a passagem, dia a dia
personagem em fantasia
quando o faz sofrer
O amor é delicado
é multifacetado por
desejos, retratos dos
amantes eternizados.
é infante, desatino
impossível de se ver
quando o queremos ser
O amor é passo doble
é junto, em melodia
solitário em se sentir
quando não podemos ter
O amor é calmaria
é a passagem, dia a dia
personagem em fantasia
quando o faz sofrer
O amor é delicado
é multifacetado por
desejos, retratos dos
amantes eternizados.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
AO AMIGO
som sim meu
amigo sorri
só poesia
sou sim minha
amiga
sempre sombra
caminha
cartinha
parceria
som sim meu
amigo sibila
só cantoria
sombra minha
alegria
sou sim sua
ladainha
sempre sombra
confraria
amigo meu
sintonia
som sim meu
amigo sorri
amigo sorri
só poesia
sou sim minha
amiga
sempre sombra
caminha
cartinha
parceria
som sim meu
amigo sibila
só cantoria
sombra minha
alegria
sou sim sua
ladainha
sempre sombra
confraria
amigo meu
sintonia
som sim meu
amigo sorri
quinta-feira, 16 de abril de 2015
SEI-QUE-LÁ II (PARA GUILHERME SANTOS)
SE PELA LÍNGUA
HÁ DESPREZO
SABES USÁ-LA
COM AFINCO
NÃO ACEITA
TANTAS NORMAS
ASSIM TANTO NÃO
LHE CONVENCE
SIM GRAMÁTICA
QUE A REPUDIA
QUAL A LUZ DA
IDIOSSINCRASIA
MAS TENTOU A
TAL REBELIA
FAZER USO DA
SUA POESIA?
HÁ DESPREZO
SABES USÁ-LA
COM AFINCO
NÃO ACEITA
TANTAS NORMAS
ASSIM TANTO NÃO
LHE CONVENCE
SIM GRAMÁTICA
QUE A REPUDIA
QUAL A LUZ DA
IDIOSSINCRASIA
MAS TENTOU A
TAL REBELIA
FAZER USO DA
SUA POESIA?
terça-feira, 14 de abril de 2015
sexta-feira, 27 de março de 2015
NIEBLA
E assim a vida passa ao lado e se assiste como um enredo triste e sem graça; das personagens nada se tira de bom, porque são todas planas e secundárias e seguem seus scripts cotidianos, porque nada pode ser mudado nesse roteiro. Cada um tem o seu a ser cumprido.
E assim a história vai, nem romance, nem ficção, tem um pouco de realismo, não fantástico, não nos prestamos às fantasias, seguimos o rumo determinado até o fim. Não esperamos que nada mude porque é difícil alterar a ordem das coisas. Falta interpretação, falta doçura, sentimento e compaixão. Não se deve apenas deixar vomitar as falas, em longos monólogos, chatos e tão melancólicos. Na cena a moça tenta mudar a fala, coitada, as personagens não respondem, os diálogos ficam desconexos, ela sorri e percebe que não se pode mudar o destino programado, é proibido tentar ser algo além de personagem. E assim a vida passa...
quinta-feira, 5 de março de 2015
IRMANDADE
Mote: “Pergunte
sempre a cada ideia: a quem serves?” (Brecht)
Serve ao mundo sua
ideia da
transformação
a cada ato um cordato
nunca é consolidado
qual é o nome do sujeito?
ensaia a própria existência,
nesse mundo de mercado
espécie de confraria, uma comédia
seu trabalho, estamparia
da forma, da estética, dos bons tratos
são várias as visões e poucos os equívocos
colecionados, desgrenhados no tempo em que a história
para, para ver...
qual é o nome do sujeito?
ele serve ao mundo
que se há de fazer
ele é o mundo improvisado
apaixonado
de certezas, de poesia, da ideia
ele é o sujeito!
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