preciso de silêncio
não do seu silêncio
não do barulho lá de fora
é só um desejo de nada
de coisa nenhuma
um ficar quieto
de canto e
aqui
preciso do silêncio
não do meu silêncio
inexplicável e afônico
de sentido algum
é um querer mudo
de ócio e
paz
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
quinta-feira, 21 de julho de 2016
CASTIGO DO POETA
O que faço com
tantas saudades
diferentes e variadas
se os gramáticos
me obrigam a sentir
uma saudade só?
tantas saudades
diferentes e variadas
se os gramáticos
me obrigam a sentir
uma saudade só?
terça-feira, 5 de julho de 2016
POEMA DO INVERNO
Há quem diga
que para crescer
tem que a primavera
parir
Há também quem...
que para brotar
o verão tem dever de
acalorar
Há mais ainda quem...
que para vingar
no outono teve que
orvalhar
Mas para amar
há que serem dois
no inverno a se
juntar
que para crescer
tem que a primavera
parir
Há também quem...
que para brotar
o verão tem dever de
acalorar
Há mais ainda quem...
que para vingar
no outono teve que
orvalhar
Mas para amar
há que serem dois
no inverno a se
juntar
segunda-feira, 27 de junho de 2016
POEMA TORTO
Se por amor se
finge e confunde
se cobra e se entrega
se troca e se estraga
se anula e se gasta
se abafa e se cansa
amarra, amarras, amarás?
Para amar se
há o sentido e se funde
há troca e a entrega
que não cansa de amar
desabafa e contempla
há parceria na gesta
amaria, amareis, amarão.
Se por amor é caminho...
Para amar é destino!
finge e confunde
se cobra e se entrega
se troca e se estraga
se anula e se gasta
se abafa e se cansa
amarra, amarras, amarás?
Para amar se
há o sentido e se funde
há troca e a entrega
que não cansa de amar
desabafa e contempla
há parceria na gesta
amaria, amareis, amarão.
Se por amor é caminho...
Para amar é destino!
quinta-feira, 19 de maio de 2016
DE NADA
nada tendo a dizer
calo-me
penso no não dito
bendito
só meneio a cabeça
com o vindo
e penso irritada
de nada
calo-me
penso no não dito
bendito
só meneio a cabeça
com o vindo
e penso irritada
de nada
sábado, 23 de abril de 2016
NADA DE MIM
Não terá vida
nada além de
um vintém
De mim pode
levar o que
quiser
Em mim há
de sobrar
a poesia
Pensar então
vai ficar a
sombra
Nada de mim
há de
levar
nada além de
um vintém
De mim pode
levar o que
quiser
Em mim há
de sobrar
a poesia
Pensar então
vai ficar a
sombra
Nada de mim
há de
levar
quarta-feira, 23 de março de 2016
LAVAPÉS
Em tempos de me bajular, lavo minha alma de todas as retrancas que o mundo me deu e que a vida me dá. Envelheço de repente, ou nem percebo que velha estou a ficar. Já não permito mais em mim sair algo pela boca dito sem a cuja intenção. Há intenção. Há honestidade. Há o dito. E digo, assim sem as famosas papas na língua, porque a idade e talvez, a experiência me permitem fazê-lo. Estou a me lavar os pés, não dos apóstolos todos, porque esses foram lavados pelo Cristo Redentor e de nada adiantou aos homens tamanha fé. Não tenho tanta fé assim. Tenho apenas esperanças. E tenho sentido que é preciso lavar os pés e as almas minhas, porque sou boa pessoa. Na minha intenção há bondade e há tanto bocado de maldade e irritação quando julgo a injustiça e vejo na minha mão a possibilidade de julgo. Que a vida me permita sempre a lucidez de que necessito para continuar a enxergar em mim, o que de mim é o melhor.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
NADA A DECLAMAR
se não o final do conto
o fim da trégua
o longo afastamento
sem perdão
sem razão de ser
o gozo sem prazer
o amor sem beijo
ao longe, ao longe
o pigarro da tosse
sem o cigarro
o poema sem verso
sem rima, sem nada
a quadra sem graça
o poeta sem vigor
a linha final depois do travessão
que fala, que fala
nada
nada a declamar
se não o ocaso a brilhar
a vírgula singular
a flor que não abriu
o pensamento que não fluiu
a metáfora ruim
sem calma, sem palma
nada a declamar
nada
sem decorar a minha
alma
o fim da trégua
o longo afastamento
sem perdão
sem razão de ser
o gozo sem prazer
o amor sem beijo
ao longe, ao longe
o pigarro da tosse
sem o cigarro
o poema sem verso
sem rima, sem nada
a quadra sem graça
o poeta sem vigor
a linha final depois do travessão
que fala, que fala
nada
nada a declamar
se não o ocaso a brilhar
a vírgula singular
a flor que não abriu
o pensamento que não fluiu
a metáfora ruim
sem calma, sem palma
nada a declamar
nada
sem decorar a minha
alma
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
CALENDÁRIO
Não é que queira que o tempo passe tão depressa e que as folhas caiam uma a uma, contando os meus dias, os nossos dias, os dias que deixamos de nos ver, os dias que eles deixaram de se falar, também as horas que ficaram de se ver e não se viram, os dias todos nublados que me deixaram dormir e a vocês também, e claro os dias de sol que bateram na minha cara e na sua e naquela cara que não queria sol. Não é que eu, você e eles queiram que os dias passem rápido, porque os dias das crianças demoram muito a chegar e se eu soubesse que os dias eram ligeiros em acontecer eu teria esperado com mais parcimônia e paciência e teria me entregue ao tempo. Não sei mais se quero o tempo passando nas minhas fuças, nas suas e nas daqueles que precisam que ele passe por algum motivo, ou porque querem esquecer da morte, ou porque suas tristezas custam a dobrar o pensamento e alojarem-se no esquecimento, ou porque querem que chegue logo o dia de nascer e casar. Não é que eu queira que esse tempo volte a andar amiúde. Não. Só queria que ele me acompanhasse os passos.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
VENTO
E não é que ventou em mim
de um jeito que há
muito não sentia
vento com propriedade e corpo
ventania ia e balançava
minha alma
que toda em calmaria, apenas
o sentia
E não é que ventou em mim
de modo que há tanto
não já queria e bem
sabia que era possível ventar
ventaneira eira e carregava
minha saudade
que tinha cheiro, apenas
da infância
É que ventou em mim
ventanas abertas
assim
sim
leve e
só.
de um jeito que há
muito não sentia
vento com propriedade e corpo
ventania ia e balançava
minha alma
que toda em calmaria, apenas
o sentia
E não é que ventou em mim
de modo que há tanto
não já queria e bem
sabia que era possível ventar
ventaneira eira e carregava
minha saudade
que tinha cheiro, apenas
da infância
É que ventou em mim
ventanas abertas
assim
sim
leve e
só.
sábado, 2 de janeiro de 2016
Novo ano
essa sensação de otimismo
que valsa no ar
é tão comum e tão
esquisita
de tudo que se promete
ficam as ondas puladas e as velas acendidas
e o cheiro da arrebentação
que carrega o frescor
do otimismo
tão latente
agora
perene
que valsa no ar
é tão comum e tão
esquisita
de tudo que se promete
ficam as ondas puladas e as velas acendidas
e o cheiro da arrebentação
que carrega o frescor
do otimismo
tão latente
agora
perene
terça-feira, 20 de outubro de 2015
INAÇÃO
Faz silêncio e olha, ali
pelo buraco da vida. Vê como as pessoas andam se acotovelando, querendo um
tanto de atenção daquela outra que é bem querida sabe-se lá por quê? Está na
berlinda, meu amigo? Que você faz com essa sua opinião imensa? Trate bem todas
elas, as pessoas, e ficarão por ali, na estante da sua vida! Onde é que estão
seus amigos? Ou você é um ser social que amontoa amigos do tipo meus amigos?
Olha agora ali do lado esquerdo, vê aquele outro grupo? Está vendo como são
amistosos e omissos? São tão tradicionais na vida, são tão solitários como
aqueles que riem sem parar e que olham de vez em quando pelo buraco de suas
vidas rasgadas e solitárias. Vê como se socializam? Agora escuta o que dizem.
Tem bastante opinião nisso tudo. Isso é bom, mostra que são humanos. Que
pensam. Será que sentem? Ou mentem? Faz silêncio, senão acordam!
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