segunda-feira, 29 de abril de 2013

UM MADRIGAL QUALQUER


Balança o vento

Uma árvore que

Abriga o corpo

Ora em repouso

Ora em delícias

Murmura o som

Baixo e doce de

Alguns pássaros

Que assobiam ao

Encantamento dos

Enamorados...

 

sábado, 20 de abril de 2013

ELEGIA PARA A NOITE


Fez-se noite escura

E o frio era singelo

Nas mãos trêmulas

Duas velas acendiam

Contrastando com as

Estrelas que agora

Piscavam harmônicas.

 

Que pensava a velha

De velas nas mãos?

Rezava para os anjos

Que guardava meninos

Meninas e mocinhas e

Todos, da noite escura

E aterrorizante e crua

Já que os sonhos, não

São mais possíveis de

Serem sonhados nessa

Noturna e gélida noite.

 

Apressadamente a velha

Ora para que noite finde

Em dia fresco e nítido, e

Que as velas derretidas

Guardem todo o medo

Das mocinhas e meninas

Para o sono de amanhã.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

SONETO D'ALMA


Se o dia amanhece em mistério

somente alma rompe o silêncio

fecho-me em copas, impropério

percebo o cheiro do prenúncio.

 

É que já vejo a hora do anúncio

assim mesmo feito um saltério

sinto-me revelar como núncio

e calo-me sem muito critério.

 

Em mistério o dia amanhece

mais refugo em conhecer-me

tanta  mágoa ora me entristece.

 

E se em mistério a alma padece

como posso eu reconhecer-me,

sem esse olhar e envelhecer-me?

 

 

 

 

 

domingo, 14 de abril de 2013

PARA ALGUÉM


Tive um sonho tão bonito. Sonhei com o passado, com o enterrado. Nele, tudo parecia tão suavemente claro e real, nele conversávamos como na velha e boa infância. Ele dizia que era tudo brincadeira, boa fantasia, e eu era uma adulta em alma de criança, feita de doces e desejos, eu acreditava tanto nele. O sonho bonito tinha cheiro de rosa e eu não tinha medo nenhum da vida, era tudo vestido de nuvem, depois passa.
Eu sei é que deu uma baita saudade doloridamente cruel de você meu pai!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

SONETO INCAUTO


Se o dia abre em melodia

fico bem triste em pensar

que o amor, qual o sentia

era difícil de se expressar.

 

Quanto mais há cantoria

mor penso em meu pesar

e se sonhar é melancolia

como conseguir  ancorar?

 

Música suave, um lampejo

sorriso incauto, não vejo...

canto a mim, distante.

 

O brilho do olho, adiante

sutil e metódico instante

canto em mim, gracejo.

 

 

terça-feira, 2 de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

REPRESSÃO

Havia publicado um texto agora pouco intitulado: PÃO, CIRCO E BÔNUS AOS PROFESSORES. Meu próprio marido solicitou que eu tirasse o texto do Blog. Ficou achando que por ser funcionária pública poderia ser exonerada do cargo...
O texto não será publicado aqui,  para quem ficar curioso, envio cópia, sem assinatura....

quarta-feira, 27 de março de 2013

POEMINHA DAS MÁXIMAS


Nada espere no outro do seu eu

Seja em você o que de si quer

Nada deposite de alguém em ti

Seja apenas seu espelho sem dó

Não se iluda com seu eu no outro

Ele não será ele em você nunca

Seu olho já não mais olha nele

Portanto, olhe com o seu olho

Nada de retribuir, apenas olhe

Nada de espelhos, livre e olhe

Tudo que cabe em si é só seu

Tudo cabe no outro e nada seu

Apenas olhe e sinta, veja que o

Outro nada é seu, é dele, dele

No mais... tudo é somente reflexo!

segunda-feira, 25 de março de 2013

RETROVISOR


A luz que está em mim

Não mesmo entendo

Sei que está clareando

Salpicando o corpo de

Fractais da delícia e de

Todo prazer que é viver...

domingo, 24 de março de 2013

CONCORDÂNCIA


A luz e a sombra

Marcava o rosto

Da mulher.

 

A sombra e a luz

Marcavam o rosto

Do homem.

 

Na madrugada,

Encontrava caída

A roupa e os sapatos.

 

No amor,

A doçura e a malícia

Femininas.

 

Na alvorada,

Encontravam caídas

As roupas e os sapatos.

 

No sexo,

A malícia e a doçura

Masculina.

sábado, 23 de março de 2013

QUADRINHA DA PRIMAVERA


Treze flores abriram no jardim

Brigavam por ser a mais bela

O Sol já refletia um raio enfim

Na rosa, e em outra amarela.

 

terça-feira, 19 de março de 2013

CONFISSÕES ( SERÁ?)


                Ela estava sentada na privada. Olhava para as lajotas que revestiam as paredes do banheiro. Fixou o olhar em uma delas e viu a imagem de um homem, os olhos eram bem definidos e levemente rasgados, a boca sorria bem bonita para ela. Sacudiu a cabeça e mirou para outro lugar, via dois anjos entrelaçados. Um deles erguia a mão direita aos céus. Oravam? Ficou por mais uns segundos antes de decidir tomar um banho. Pensou nas imagens que sua mente produzira e tentou achar um sentido para elas. Não achou. Nessa tarde terminaria de ler o livro inacabado. Lá fora, a leitura não vingava. As nuvens rasgadas pelo céu claro do dia azul compunham imagens também. Viu um grupo de nuvens levemente formar um rosto. O homem do banheiro era o mesmo do céu, olhava para ela estranhamente, e assim aos poucos o vento levava o desenho para longe. Pensou no sentido. Não achou. Pensou na tristeza. Pensou na solidão. Achou graça de tudo. Verdade?

         Abriu o capítulo final e leu por toda à tarde, leitura em vão; o homem não lhe saía da cabeça...

 

 

 

 

 

 

 

CRÔNICA SEM FIM

  Na sessão de terapia... — Tenho pensado muito em o quanto sou super sensível para várias coisas e isto está me matando; fico pensando em...