quarta-feira, 11 de junho de 2014

DE REPENTE É AQUELA CORRENTE PRA FRENTE

manifesto
intenção
grito greve:
de pipocas
rói a unha esquerda
e palpita o peito
a zaga relaxa
quase
VAI INFELIZ
o coro anuncia
uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
de trivela
sai da banheira animal
rói a direita
aahhhhhhhhhhhhh
bebe mais um gole
arfa, arfa
sem firula
sem firula
vaiiiiiiiiiiiiiiiiii
chuta, chuta, chuta
na gaveta
GOLAÇOOOOOOOOOO!




domingo, 8 de junho de 2014

ROTINEIRA

o café que tomo
não tem o mesmo gosto de ontem
e por que cargas a vida
sempre me parece a mesma?

sábado, 31 de maio de 2014

SAUDOSISMO (Para Enrique)

Escrevo se posso
possuo palavra a ser escrita
que escorre tal qual
lagartixa
o tempo encurtado
obriga o poeta
a escrever o óbvio,  o doentio desejo
das paredes sujas de pó
retiro o passado
tenho saudade
da escrita volátil
que fora de mim se estende ao Sol

sábado, 3 de maio de 2014

NASCENTE ( Para mim de mim)

nasci outrora
sem fórceps
quase impulso
me expulsou
ao mundo
chorei porque era necessário ditar o tom da minha voz 
assim
sou brava
quase sempre choro
escondido
tenho medo
de todos e de tudo
sou briga
quase sempre arrepio
do incerto e do Sol
sou poesia
e rio porque é necessário ditar o percurso da minha vida
sem fórceps
me expulso
para vida
minha vida
de agora

sexta-feira, 2 de maio de 2014

O AMOR

Você sabe de mim
tanto que conhece
até os segredos
até os prazeres
que me fazem sorrir assim de repente

Você sabe tanto
em mim, cabe tanto
assim
os prazeres
tantos afazeres nos fazem suar

Você tanto em mim
até que dói
até que nunca
assim cabe
tanta saudade em nós

Sou santa sua
Você sabe tanto
os dizeres
que me faz medo assim de repente
o amor da gente


quarta-feira, 16 de abril de 2014

NOSSA-FOSSA-BOSSA-MOSSA

aceita e pronto
é mais fácil
assim o mundo
olha para o incrível
descaso
acaso
para a tragédia
pelo perdido
e achado também
olha a Lua
olha o planeta vermelho
que lindo!
é a mesma cara
que olha para o dia chuvoso
recebeu pancada
aguenta seu vadio
aceita que é menos doído
é crível
é possível
é justificável
vê aquele corpo caído
coitado dele
nossa que pena!
olha a rosa desabrochou
a casa caiu
a água acabou
alagou, afogou
o barco vai, aceita que o barco segue
que dó
aceita que é a vida
Deus está vendo
Deus está vendo nossa cara!

terça-feira, 8 de abril de 2014

FÁBULA DA CERTEZA


Dona Certeza era realmente a dona da verdade. Dava conselhos e dizia sempre o que era melhor para a vida dos outros. Há quem gostasse dela, e obviamente na grande maioria quem a odiasse. Não se sabe ao certo se o malquerer era porque os conselhos e supostas verdades eram mesmo verdades para quem os ouvia, ou pura balela. O que se sabe era que a Dona Certeza ganhou fama no vilarejo.

Certo dia, qualquer, um dia de primavera se preferir, são mais adocicados para se criar o clima desta fábula, um viajante chegou á cidade e fincou pé na hospedaria. Logo ficou sabendo da fama da mulher e resolveu que teria com ela algo de prosa. Contou o caso rapidamente que não era homem de falar ao vento, e aguardou que a mulher lhe desse os conselhos.

Dona Certeza meneou a cabeça e disse que não poderia ajudá-lo e o viajante titubeou, mas perguntou o motivo. Certeza respondeu que o tema era profundo demais e que embora ela soubesse de toda a verdade, nesse caso específico lhe faltavam dados. Não sabia quem ele era, nem lhe tinha afeto, não saberia dizer de onde tinha vindo sua cara e para donde ela iria, portanto não lhe servia de nada, dizer-lhe a sua verdade.

O homem calou-se, concordou, e rumou sua partida para outro canto. A cidade amanheceu intrigada e estupefata quando soube do causo, e há quem diga que Dona Certeza ficou mais popular, porém sempre dava conselhos e dizia toda a verdade para os seus apenas para os seus.

Moral: Quase sempre todas as verdades não são para quaisquer ouvidos.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

GLOSA PARA CHIQUINHO

MOTE DO CHIQUINHO
Descida ribanceira percebi, não havia beira
Se revés olhasse, melhor seria havia ladeira

GLOSA PARA CHIQUINHO

A vida, claro, nem sempre me apadrinhou
Aprendi às duras penas, bem eu já tinha...
Que para acertar o buraco, com fina linha
Dependia somente de minha esquadrinha
Pela caminhada em tão longa passadeira
Cruzei sem ver por várias alfarrobeiras
Tivesse visto, eram tantas as goiabeiras
Não contava apenas, com a abençoadeira
Descida ribanceira percebi, não havia beira
Se revés olhasse, melhor seria havia ladeira.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

DESVÃO

Escondo-me em palhas
de forma mimética
desapareço do alvo
rastejo e emudeço, pois o preço é alto
tenho medo não
do vento mas da ventania
tenho medo não
do homem, porém da primazia
delicada palha
que me envolta tampando meus sóis
silencio
silencio
quem me conhece
espanta com as palhas todas
tenho medo não
do amigo, do castigo
o preço é alto, já disse, não falo
quem não me conhece compra
quem conhece, aceita
espreita
espreita
sumo do que é óbvio
não sigo as retas, vislumbro curvas
são tão retorcidas, e assim
desapareço
desapareço
quem me aceita, precisa e ajeita as palhas todas
quem acha que conhece, tolera
tenho medo não
do conhecido, contudo do fanfarrão
o preço é alto, meu amigo
eu te disse, não disse?



terça-feira, 1 de abril de 2014

RETROVISOR

tenho visto vocês por aí, é sempre bom ver gente por todos os lados sendo apenas gentes, e quanta humanidade há nisso tudo, devem estar todos bem porque os sorrisos são de felicidade, esperemos que sim, tenho andado ocupado, caros amigos, meu time tem ganhado e nem pudemos comentar o assunto, lembram-se daquele nosso amigo, o de pernas tortas, separou da mulher, está a ver demônios, saiu com mão na traseira porque a dá frente nem existe, tenho visto vocês todos, quanta humanidade há em toda essa gente, coitado dele não é mesmo, mas nem amor havia mais naquele casal, tenho andado ocupado, tenho trabalhado muito, tem faltado muita humanidade em mim, mas se os sorrisos são de felicidade deve ser por causa dela mesmo, coitado dele, nem seu time ganhou...nos vemos por aí

sábado, 29 de março de 2014

SEM ESTILO


A cada dia que transita meu escrever diário fico com mais raiva da linguagem; não sei por que tive que estudá-la antes de descobrir a poesia e a literatura. Demorei a perceber que se não soubesse parte da sintaxe, ou da morfologia seria bem mais feliz. Não tenho estilo literário, não quero ter um estilo literário, nem sei se o que escrevo tem algo de literatura. E o meu conflito parte justamente pelo fato de que como professora de Língua Portuguesa eu analiso o que a escritora escreve, e essa simbiose doentia enlouquece.

Em uma das leituras dessa semana, por mero acaso, ou talvez porque nossos olhos busquem sempre solução para aquietar a alma em angústia, li trecho de Jorge Luis Borges que me fez não digo pensar, mas repensar algumas coisas. O capítulo intitulado: La supersticiosa ética del lector, dizia em seu início “ La condición indigente de nuestras letras, su incapacidade de atraer, han producido uma superstición del estilo, uma distraída lectura de atenciones parciales. Los que adolecen de esa superstición entienden por estilo no la eficácia o la ineficácia de uma página, sino las habilidades aparentes del escritor: sus comparaciones, su acústica, los episódios de su puntuación y de su sintaxis.”

            Fiquei a pensar na minha exigência em relação ao que escrevo, sou leitora de mim, e dessa forma busco o tempo todo o cuidado excessivo nas regras, na pontuação e na linguagem que uso. Tenho imenso cuidado para não produzir neologismos exagerados e mais ainda, pavor da licença poética, como justificativa para a bobagem, para o sei que lá poético. Diante disso há espaço para a escritora em mim? Não sei. Bem sei que há penúria e sofrimento, as escrituras saem sempre tortas e fracas. Ainda citando Borges: “Son indiferentes a la propia convicción o propia emoción, buscan tecniquerias que les informarán si lo escrito tiene el derecho o no de agradarles.

            Nessa singular relação entre os meus dois “eus” fica a tentativa do entendimento daquilo que escrevo livremente, quando consigo soltar as amarras e não faço alterações de estilo ou de ordem fonética, e as palavras saem saltitantes como música, porque têm nelas a necessidade de plantar-se nas linhas e existirem por si mesmas, sem o jugo da carroça atrelada e presa.

            Bom foi ter lido isso, e talvez todas essas reflexões amenizem a minha questão e faça com que eu consiga escrever o que for para eu escrever, o que minhas histórias quiserem contar e o que as minhas poesias quiserem sentir. Não poderia terminar sem citar Borges novamente, já que metade desse texto é com sua parceria; para se pensar sobre tudo: “...la literatura es uma arte que sabe profetizar aquel tiempo en que habrá enmudecido, y encarnizarse com la propia virtude y enamorarse de la propia disolución y cortejar su fin.”

sexta-feira, 28 de março de 2014

INDISCIPLINA

Não querer fazer, não arrumar, nem pensar em ajeitar
faço da minha rotina uma
indisciplina diária
e sou mais feliz
por isso!

CRÔNICA SEM FIM

  Na sessão de terapia... — Tenho pensado muito em o quanto sou super sensível para várias coisas e isto está me matando; fico pensando em...