Inacreditável,
não era mesmo à toa que a poesia saía de mim cheia de medos e dúvidas, porque a
volta de tempos sombrios se aproxima novamente e percebo que o ser humano se
desumanizou, continua olhando para o seu redondo umbigo, se embebedando de ódio
e perpetuando a velha história horrorosa de Caim que matou Abel por pura inveja,
tudo isso diante dos olhos de deus!
Aleluia
irmãos!
Inafiançável,
não era mesmo à toa que a palavra saia de mim repleta de pavor, porque a gente
sente o terror quando ele se aproxima, já que os homens se mostram sempre com a
boca escancarada, e o os peitos estufados, e ninguém mais se acovarda diante de
nada, porque agora há certidão; uma certidão para cada um dos cidadãos de bem,
para todos aqueles que dão um salve para a família, pátria e estão perdoados.
Glória
a Deus!
Imperdoável,
não era mesmo à toa que o poeta, amargurado, pressentia, porque a poesia sente
quando está prestes a morrer, a música se cala, a arte definha, porque a educação finda, e os homens não tão
de bem, estão ali, cheios de hipérbatos, metáforas do mal, do mau, iludindo uns outros tantos cidadãos de bem, que querem ganhar a tão sonhada certificação
que lhes garantirá um longo lugar nos céus, enquanto suas transgressões correm
a olhos vistos, e já dirá o tal Mateus ou será o tal Pedro, que o sangue derramado por muitos, servirá
para remissão dos pecados de todos nós.
Livrai-nos do mal! Livrai-nos do mau!
Amém!