segunda-feira, 5 de outubro de 2026

CRÔNICA FIEL

 

Inacreditável, não era mesmo à toa que a poesia saía de mim cheia de medos e dúvidas, porque a volta de tempos sombrios se aproxima novamente e percebo que o ser humano se desumanizou, continua olhando para o seu redondo umbigo, se embebedando de ódio e perpetuando a velha história horrorosa de Caim que matou Abel por pura inveja, tudo isso diante dos olhos de deus!

Aleluia irmãos!

Inafiançável, não era mesmo à toa que a palavra saia de mim repleta de pavor, porque a gente sente o terror quando ele se aproxima, já que os homens se mostram sempre com a boca escancarada, e o os peitos estufados, e ninguém mais se acovarda diante de nada, porque agora há certidão; uma certidão para cada um dos cidadãos de bem, para todos aqueles que dão um salve para a família, pátria e estão perdoados.

Glória a Deus!

Imperdoável, não era mesmo à toa que o poeta, amargurado, pressentia, porque a poesia sente quando está prestes a morrer, a música se cala, a arte definha,  porque a educação finda, e os homens não tão de bem, estão ali, cheios de hipérbatos, metáforas do mal, do mau,  iludindo uns outros tantos cidadãos de bem,  que querem ganhar a tão sonhada certificação que lhes garantirá um longo lugar nos céus, enquanto suas transgressões correm a olhos vistos, e já dirá o tal Mateus ou será o tal Pedro,  que o sangue derramado por muitos, servirá para remissão dos pecados de todos nós. 

Livrai-nos do mal! Livrai-nos do mau!

Amém!

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