segunda-feira, 26 de outubro de 2026

CRÔNICA DO INSTANTE

 

Naquele dia que amanheceu chuvoso, porque talvez tudo estivesse a ponto de chorar, inclusive os céus, o neto pegou sua avó pela mão e foram. Naquele dia a mulher que tinha feito um bolo para vender na estação também levantou cedo e foi. E também a menina que nunca tinha ido, porque agora tinha idade para ir, arrumou a melhor roupa e foi com as amigas que também nunca tinham ido. Todo mundo ia em silêncio, alguns iam pensando se aquilo era o certo a se fazer, tinha também aquele senhor que vendo as moças e os moços daquele jeito mudou de ideia e também foi. Iam aqueles barulhentos também, iam cantando pois tinham mais esperanças e certezas que os outros que tinham medo e inseguranças, porque era chuvoso e ninguém sabia se podia sorrir de verdade. E foram todos pensando no amanhã, imaginando que para toda lógica, para todo sentido e para toda força, há uma explicação que não é certa, que vem daquilo tudo que é subjetivo, assim como é o amor, que vem das ideias confusas e das incertezas, mas vem da lógica do amor, do querer bem, da coerência da justiça, do nexo dos fatos, do que faz total concordância, porque perceberam todos que não estavam sozinhos, e a vó, a tia, os netos, as moças e os moços, as mães e pais, os doentes, os renegados, os largados, os abastados, os nem tanto, os homens, as mulheres, os jovens, e toda a gente de mãos dadas, foram indo e protagonizaram o mais lindo, a revolução da gente, naquele dia chuvoso, naquele instante, voltamos a ser só: todos nós!


Ps. O Blog Valsa Literária dedica esta crônica aos milhares de Brasileiros que se uniram em busca da Democracia e da Liberdade! 



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CRÔNICA DO INSTANTE

  Naquele dia que amanheceu chuvoso, porque talvez tudo estivesse a ponto de chorar, inclusive os céus, o neto pegou sua avó pela mão e fora...