sexta-feira, 29 de maio de 2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O TÉDIO E O ASSÉDIO

O assédio perguntou
ao tédio: o que vai ser hoje?

E depois de tanta esparrela
o tédio, sem muita hora
respondeu: tem remédio para tramela?

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O JARDIM DE GILDA


A mulher cavouca a terra, já adubada pelo melhor resto de coisas que há, com as mãos e unhas que agora já trazem a escuridão fértil, impregnadas. Nesse mesmo instante ela conversa com as pequeninas rosas coloridas que demoravam a nascer, perguntando às mesmas se não tinham inveja das roseiras já adultas. Nisso tudo reside um bocado de poesia, porque em Gilda e em seu jardim cabem muito mais que flores e frutos. Nisso existe uma bondade absurda, porque em suas verdes e doces esperanças, há em Gilda o toque do sonho e da simplicidade de se viver. Entre outra olhada, as orquídeas lhe sorriem abertas e reluzentes. Na briga com a jabuticabeira que carecia de poda em uns dos galhos, a mulher explica para árvore que há de se cortar para crescer, ela sabe bem que a próxima florada será intensa, antes dos frutos negros dependurados no tronco adocicarem sua alma. O jardim de Gilda guarda muito mais que beleza, guarda, ela mesma.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

ECLIPSE

Do Sol
esperava-se
apenas que
nascesse
ademais
do galo
que cantasse
nem um
nem outro
veio a despontar
e o cabloco
duvidou
da existência
de Deus:"mundo tá perdido"
mal sabia ele
da faceta
do dia
que acabava
em noite
e que encobria
o que lá
de cima Deus
sorridente
escondia

domingo, 26 de abril de 2015

HÁ QUE SE


                 Há que se ter coragem. Eu não tenho. Não arrisco, não ouso, tampouco petisco. Sou amante da seguridade, da estabilidade. Dureza ser assim, pois há mais caráter nisso que a própria definição de caráter. Na dúvida não falo, na incerteza não opino, o que sai de mim é porque tem o certo ar de verdade, pode até ser uma mentira, mas o que se sente há de ser verdadeiro em nós. E se a coragem eu tivesse, não saberia usá-la, porque assim como o pássaro hesita em sair da gaiola, assim eu não transito no abismo, nem quero vislumbrar o céu aberto. Há que se ter medo. Eu tenho. Todos. Variados e até obcecados. Das sensações, das vontades e dos desejos, porque há em mim tantos e tantas que tenho o tal medo de senti-los, nem em pensar é permitido. Há que se ter dúvida. Talvez. Tenho ora sim ora não. Quando sim é insegurança, quando não é instinto. E se no instinto cabe um pouco de coragem, isso eu não sei o porquê, na dúvida... me calo.

sábado, 25 de abril de 2015

A DELICADEZA DO AMOR

O amor é tão estranho
é infante, desatino
impossível de se ver
quando o queremos ser

O amor é passo doble
é junto, em melodia
solitário em se sentir
quando não podemos ter

O amor é calmaria
é a passagem, dia a dia
personagem em fantasia
quando o faz sofrer

O amor é delicado
é multifacetado por
desejos, retratos dos
amantes eternizados.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

AO AMIGO

som sim meu
amigo sorri
só poesia
sou sim minha
amiga
sempre sombra
caminha
cartinha
parceria
som sim meu
amigo sibila
só cantoria
sombra minha
alegria
sou sim sua
ladainha
sempre sombra
confraria
amigo meu
sintonia
som sim meu
amigo sorri

quinta-feira, 16 de abril de 2015

SEI-QUE-LÁ II (PARA GUILHERME SANTOS)

SE PELA LÍNGUA
HÁ DESPREZO
SABES USÁ-LA
COM AFINCO

NÃO ACEITA
TANTAS NORMAS
ASSIM TANTO NÃO
LHE CONVENCE

SIM GRAMÁTICA
QUE A REPUDIA
QUAL A LUZ DA
IDIOSSINCRASIA

MAS TENTOU A
TAL REBELIA
FAZER USO DA
SUA POESIA?

sexta-feira, 27 de março de 2015

NIEBLA

E assim a vida passa ao lado e se assiste como um enredo triste e sem graça; das personagens nada se tira de bom, porque são todas planas e secundárias e seguem seus scripts cotidianos, porque nada pode ser mudado nesse roteiro. Cada um tem o seu a ser cumprido.
E assim a história vai, nem romance, nem ficção, tem um pouco de realismo, não fantástico, não nos prestamos às fantasias, seguimos o rumo determinado até o fim. Não esperamos que nada mude porque é difícil alterar a ordem das coisas. Falta interpretação, falta doçura, sentimento e compaixão. Não se deve apenas deixar vomitar as falas, em longos monólogos, chatos e tão melancólicos. Na cena a moça tenta mudar a fala, coitada, as personagens não respondem, os diálogos ficam desconexos, ela sorri e percebe que não se pode mudar o destino programado, é proibido tentar ser algo além de personagem. E assim a vida passa...

quinta-feira, 5 de março de 2015

IRMANDADE


Mote: “Pergunte sempre a cada ideia: a quem serves?” (Brecht)

 

Serve ao mundo sua

ideia da transformação

a cada ato um cordato

nunca é consolidado

qual é o nome do sujeito?

ensaia a própria existência,

nesse mundo de mercado

espécie de confraria, uma comédia

seu trabalho, estamparia

da forma, da estética, dos bons tratos

são várias as visões e poucos os equívocos

colecionados, desgrenhados no tempo em que a história para, para ver...

qual é o nome do sujeito?

ele serve ao mundo

que se há de fazer

ele é o mundo improvisado

apaixonado

de certezas, de poesia, da ideia

ele é o sujeito!

 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

REFRAÇÃO

Ei! Faltou um pouco de humanidade em você hoje?
E essa resposta atravessada que deu, ou ainda, o seu mau humor com essa pessoa ou com aquela, tanto faz, se resumem no fato de que você está cansado, arrrasado, chateado, de saco cheio mesmo e que portanto tudo se justifica na simples razão de que é humano.
Ah! Há que se perdoar toda a ação humana, porque nela reside a tal da humanidade, pois se nos falta tudo que deveria compor o ser humano, é porque estamos insanos, e animais somos naquele momento da irracionalidade, justificadíssimas, pelo mero fato de que humanoides seremos um dia.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

HISTORIETA

-Como vai resolver isso?
-Sei não.
-Responde à altura.
-Não é assim, não posso.
-Por quê?
-Hierarquia.
-Dane-se.
-Não é bem assim.
-Bunda-mole.
-Ah! Se fosse com você, bem sei como seria.
-Respondo na lata, comigo não tem tempo-quente.
-Estou vendo. Deixa que eu resolvo do meu jeito.
-Está bem, não está mais aqui quem falou... só acho que esse papo de hierarquia é muito furado... temos que responder ali na hora, que é para todos verem que temos atitudes, que não somos covardes... hierarquia o escambau...bando de babacas...pô...estratos sociais, isso tudo é uma palhaçada, cadê a igualdade, pô...isso cansa...nossa!!! isso dá uma revolta só..........

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

NADINE

Olho verde brilha
me olha e pulsa a
verdade, saudade
que verve a sós
a sorte de ver-te
palavra em verso
sentida no gesto
que teme saltar
imaturo desejo
verdugo captar o
olho da arte que
julgo cá em nós.

CRÔNICA SEM FIM

  Na sessão de terapia... — Tenho pensado muito em o quanto sou super sensível para várias coisas e isto está me matando; fico pensando em...