sexta-feira, 31 de julho de 2015

MINHA AMIGA ( Para Iraci Barbosa)


Minha amiga
Guardo o café
E a saudade
Para nosso encontro
Antes de almas
Do que das carnes.
Nele, falaremos
Das periferias
Da vida, pois dos
Nossos fardos
Não será a hora
Nem o lugar.
Já que em nosso
Reencontro
Brindaremos, e
Apenas iremos
Rir, das costuras
De nossas vidas,
Dos retalhos dos
Nossos sonhos.
Cara amiga...
Guardo a saudade
E espero você com

O café no fogo!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

VALSINHA

Em outra época era sua
pena que não sabíamos
e a lembrança fez-se no
hoje, qual não mais nos
pertencemos.

E quando nos vemos no
agora, sem saber o quê,
a sensação de querer a
amorosidade ora ontem,
é primazia.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

A CULPA É DA ESTRELA!

O que me confere o direito de falar e escrever sobre futebol é só um: adoro. Para falar sobre algo é preciso antes de tudo gostar. Gosto e assisto todo e qualquer jogo de futebol. Quando criança assistia Desafio ao Galo, em campo de terra, bem melhor que hoje, os caras ralavam a camisa. Então, se eu entendo de futebol? Talvez. Não há muitos pressupostos para esse tema, há antes a história, essa eu sei de alguma coisa, mas sobretudo há em mim desejo de escrever. Depois de tantos vexames da nossa seleção de futebol não consigo ficar calada. Fico bem quieta quando meu time perde, e também fico calada quando ganha porque sei o que é ter paixão por um time. Entretanto quando vejo o que se tornou nossa seleção brasileira de futebol fico engasgada. De quem é a culpa? Da estrela? Também é. Quem viu o garoto na escolinha de base do Santos e quem o vê hoje, sabe que já não são a mesma pessoa. Porém, minha tese é: Cadê o meio de campo? Não há mais meios-campistas. Onde estão Didi, Falcão, Rivaldo, e até porque não dizer do Platini e Bobby Charlton, e devo ter esquecido de outros, mas esses são mais relevantes para mim.  Consideradas estrelas de grandeza menor, os meio-campistas são o que eu chamo d'alma do time, são eles os responsáveis pela ligação defesa-ataque, sem eles acontece o que temos visto no futebol atual do Brasil, nenhuma conversa. Zagueiros achando que são atacantes, goleiros tendo que fazer gol, e centro-avante achando que é a estrela de grandeza maior responsável por toda uma nação. Infelizmente uma tragédia!

sexta-feira, 19 de junho de 2015

PRIMEIRO

Vi e olhei
não olhei
falhei
a arte do primeiro encontro
é um erro
que traz no desassossego
o engano
gosto do que
não conheço, amanheço
em dúvidas
permaneço...

quinta-feira, 11 de junho de 2015

EU SEI E VOCÊ, SABE?

Eu bem sei que nada é fácil
e que lá dentro cabem todas
as angústias do mundo e ainda
todo o cansaço da vida e do dia e da noite
e sei também que há para sempre
uma frase adversativa que diz
mas...
Eu sei que você está lendo e
certamente enquanto lê, lembra
de tudo e todas as coisas que agora
enchem seus pensamentos de outro
tanto de cansaços e dúvidas e afins, do dia e noite
e sei que eu e você, estamos assim
no meio-fim de nossas vidas
porém...
Eu sei e você, sabe?
Que há alguém ali, ou aqui, ou aí
que lhe sorri, lhe afaga, lhe sente, sim
e inafiançáveis lembram e lhe tocam o rosto
e lhe fecham num abraço doce e arrastado, do dia e da noite
porque há nelas entretanto amor?

sexta-feira, 29 de maio de 2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O TÉDIO E O ASSÉDIO

O assédio perguntou
ao tédio: o que vai ser hoje?

E depois de tanta esparrela
o tédio, sem muita hora
respondeu: tem remédio para tramela?

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O JARDIM DE GILDA


A mulher cavouca a terra, já adubada pelo melhor resto de coisas que há, com as mãos e unhas que agora já trazem a escuridão fértil, impregnadas. Nesse mesmo instante ela conversa com as pequeninas rosas coloridas que demoravam a nascer, perguntando às mesmas se não tinham inveja das roseiras já adultas. Nisso tudo reside um bocado de poesia, porque em Gilda e em seu jardim cabem muito mais que flores e frutos. Nisso existe uma bondade absurda, porque em suas verdes e doces esperanças, há em Gilda o toque do sonho e da simplicidade de se viver. Entre outra olhada, as orquídeas lhe sorriem abertas e reluzentes. Na briga com a jabuticabeira que carecia de poda em uns dos galhos, a mulher explica para árvore que há de se cortar para crescer, ela sabe bem que a próxima florada será intensa, antes dos frutos negros dependurados no tronco adocicarem sua alma. O jardim de Gilda guarda muito mais que beleza, guarda, ela mesma.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

ECLIPSE

Do Sol
esperava-se
apenas que
nascesse
ademais
do galo
que cantasse
nem um
nem outro
veio a despontar
e o cabloco
duvidou
da existência
de Deus:"mundo tá perdido"
mal sabia ele
da faceta
do dia
que acabava
em noite
e que encobria
o que lá
de cima Deus
sorridente
escondia

domingo, 26 de abril de 2015

HÁ QUE SE


                 Há que se ter coragem. Eu não tenho. Não arrisco, não ouso, tampouco petisco. Sou amante da seguridade, da estabilidade. Dureza ser assim, pois há mais caráter nisso que a própria definição de caráter. Na dúvida não falo, na incerteza não opino, o que sai de mim é porque tem o certo ar de verdade, pode até ser uma mentira, mas o que se sente há de ser verdadeiro em nós. E se a coragem eu tivesse, não saberia usá-la, porque assim como o pássaro hesita em sair da gaiola, assim eu não transito no abismo, nem quero vislumbrar o céu aberto. Há que se ter medo. Eu tenho. Todos. Variados e até obcecados. Das sensações, das vontades e dos desejos, porque há em mim tantos e tantas que tenho o tal medo de senti-los, nem em pensar é permitido. Há que se ter dúvida. Talvez. Tenho ora sim ora não. Quando sim é insegurança, quando não é instinto. E se no instinto cabe um pouco de coragem, isso eu não sei o porquê, na dúvida... me calo.

sábado, 25 de abril de 2015

A DELICADEZA DO AMOR

O amor é tão estranho
é infante, desatino
impossível de se ver
quando o queremos ser

O amor é passo doble
é junto, em melodia
solitário em se sentir
quando não podemos ter

O amor é calmaria
é a passagem, dia a dia
personagem em fantasia
quando o faz sofrer

O amor é delicado
é multifacetado por
desejos, retratos dos
amantes eternizados.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

AO AMIGO

som sim meu
amigo sorri
só poesia
sou sim minha
amiga
sempre sombra
caminha
cartinha
parceria
som sim meu
amigo sibila
só cantoria
sombra minha
alegria
sou sim sua
ladainha
sempre sombra
confraria
amigo meu
sintonia
som sim meu
amigo sorri

quinta-feira, 16 de abril de 2015

SEI-QUE-LÁ II (PARA GUILHERME SANTOS)

SE PELA LÍNGUA
HÁ DESPREZO
SABES USÁ-LA
COM AFINCO

NÃO ACEITA
TANTAS NORMAS
ASSIM TANTO NÃO
LHE CONVENCE

SIM GRAMÁTICA
QUE A REPUDIA
QUAL A LUZ DA
IDIOSSINCRASIA

MAS TENTOU A
TAL REBELIA
FAZER USO DA
SUA POESIA?

O FLAGRANTE

  Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...