quinta-feira, 31 de maio de 2012

PANFLETO


Hoje acordei com vontade de saudar a vida! Sim, é muito bom viver, pensar, escrever, trabalhar, amar e poder conjugar todos os verbos possíveis que a arte de viver nos impinge.

Quero beijar minha vida. Sim, ela é ótima, tem cor de vida boa, tem cheiro de coisa perfumada e cara de coisa muito legal, trilegal. Minha vida é cercada de pessoas altamente significantes, pessoas que completam, dão o ar da graça e deixam tudo muito melhor.

Quero agradecer minha vida. Sim, ela é carregada de vícios e prazeres, de saúdes e possibilidades, é emocionalmente intensa e macia, tenra e macia. Vidão. Vida com tudo quanto é vida tem que ter, com poesia, com música, com arte, com comida, com prazer, “all inclusive”.

Quero você minha vidinha assim, sempre inteira para mim, multicolorida, vida cheia, farta, disso tudo que arrebata a alma da gente, emoções mil, sonhos, desejos, conquistas, e tempo, bastante tempo.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

POENTE


O amor, quanta esquisitice
Abre-se sempre em tripétala
Que, quer ora se despedaça
Ou que, quer ora se polinifica.



terça-feira, 29 de maio de 2012

AS VERDADES QUE AS MULHERES NÃO REVELAM


Se Veríssimo fez “As Mentiras que os Homens Contam”, por que não posso fazer a das mulheres?

Pensei que poderia começar com a mentira clássica que é a do peso, (meu marido Físico diria: massa), pois então, nenhuma mulher revela sua massa aos seus parceiros e sempre que revela por descuido ou situação embaraçosa – exame médico, balança de farmácia- sempre dá aquela desculpa do inchaço da TPM, seguida pela frase “Meus Deus, como engordei!”.

Se uma mulher disser para algum companheiro que não sente ciúmes é mentira das mais grossas já ditas. Tem até da sombra, das amigas, das vizinhas e das desconhecidas que são as mais ameaçadoras. As mulheres são ótimas no disfarce dos seus sentimentos, portanto todo cuidado é pouco, se você morder a maçã, já era.

Mulher mente o preço do que gastou sempre para mais caro; esconde o nome do perfume, para evitar competições; jamais revela como conseguiu perder os quilos e inventa qualquer dieta lunática; nunca, em tempo algum revela para o tonto do seu companheiro, que nesses meses todos de transa chegou a exatos “meio” orgasmos, e muito menos que a bunda dele está murcha.

Se uma mulher elogiar o amigo do seu namorado, tudo certo, o cara deve ser feio, porém gente boa; se ela ficar calada, é porque acha o fulano o maior gostosão e sabe que das duas uma: ou troca o atual pelo amigo e desfaz a amizade que nem era tão verdadeira assim, ou fica sonhando com a possibilidade de dar uns “pegas” quando findar seu romance.

Enfim, concordo com o senhor Luis Fernando, questão de sobrevivência. Mentimos para o pai, namorado, marido, sogro, amigo, para que estejamos no mesmo patamar de igualdade. Mas, se acalmem, nós só mentimos o necessário, para poupar vocês homens.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

COSECHA


Recogerlos todos los

Frutos que brotan

En la tierra...



El tiempo en que se

Recogen, pero es

También lo tiempo de

Recogerse en sí mismo...

Y cambiar mis vicios

Y mi virtudes.


domingo, 27 de maio de 2012

MARCA DE GADO


        Ferro em brasa

Quente marca

Para sempre a

Palavra mal dita

O verbo rasgado

Fere igual boca

Do indivíduo que

Diz aquilo que lhe

Convém.

sábado, 26 de maio de 2012

O MOLEQUE DOS ANJOS DA GUARDA




        Para conseguir ganhar aquela bicicleta teve que lavar carros por seis semanas e assim, comprou a tal usada por um preço que achou justo. Depois de cair e se arranhar inteiro parecia que havia nascido para ofício de pedalador mor.

Com um ano, andava agora liberado pela mãe pelas ruas da cidade movimentada. No começo, eram somente as vielas de perto da sua casa, com o tempo ganhou as avenidas, e lá estava o moleque indo e vindo, em sua bicicleta encrementada.

Após muitas quedas e dois braços quebrados, na verdade o mesmo braço duas vezes, a mãe decidiu confiscar o meio de trasporte. Estava ficando perigoso demais. Perder um filho assim menino não constavam dos seus planos, além do que, andar pelas ruas, ninguém respeita pedestre.

Dizem então que o moleque enfezou, encrespou, deixou de comer, e ameaçou repetir o ano escolar. Depois como não tivesse vingado tal conduta, amoou, fechou em copas, entristeceu de dar dó. A mãe relutou, pensou, encasquetou, ferveu mesmo as ideias. Decidiu.

Naquela semana fez o oratório. Comprou de todos; uma imagenzinha de cada, de Nossa Senhora Santa Padroeira, até São Cristóvão; se protege caminhoneiro, há de proteger bicicleteiro, inda mais guri. Estava decidido.

Era o moleque sair, feliz da vida, que a mãe ia lá, fazia uma reza, das brabas, pedia para os Anjos da Guarda a proteção do garoto. Do seu garoto, agora feliz. E quem disse que os Anjos e Santos não guardaram? Guardaram sim.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

COSCORÃO


O velho sentado na cadeira posta pra fora da rua tranquila que não passava viva alma...recordava ali olhando para o vento morno da tarde que se formava e confusamente tentava alinhavar os pensamentos da vida que tinha vivido e de tudo que havia passado e não arrematava um ponto tudo lhe parecia turvo e sem nexo...então um boi passava calmamente em sua frente o bafo quente soprou mais uma vez na cara enrugada e o velho pensou que era sozinho e sozinho estava naquele mundão só lhe restavam todas as feridas as de dentro e as de fora... e assim com pensamentos trôpegos pode suspirar o resto da tarde...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

OFÍCIO


Fazia muitos anos que eu não tinha uma turma tão difícil. Ser professor passa também indubitavelmente pela sorte, é claro. Parece que este ano fui “premiada”, com a falta de...

Num primeiro momento achei que todo aquele descaso, desinteresse, agitação, falta de respeito, grosserias, fossem algo que pudessem ser sanados com algum jeitinho, que ao longo desses anos todos de profissão puderam me ajudar.

Depois vi, que como nada dessas tentativas haviam adiantado, que eu pudesse aplicar as várias teorias, das quais, muitas jamais tinha aplicado por não acreditar, resultassem em melhora de um grupo, se não perfeito, mas possível de se trabalhar. Não adiantaram.

Nada.

O que me fez acreditar que perdi o prumo, a veia da arte de ministrar interesse, conhecimento, tesão pelo saber, coisas que para mim durante todo esse tempo foram até de certo modo, fáceis, de se conseguir dos meus alunos.

Esmoreci.

Porém, nessa semana, fui até a escola num período posterior ao meu. Logo que cheguei, ouvi os gritos do meu nome soarem da minha antiga turma, que agora se encontra na sexta série. Vi aquele mar de rostos crescidos, espinhentos, mudados em gente, adolescentes, não mais minha turminha de quarta séria, mas eram os meus alunos.

Vieram todos, abraçaram, beijaram verdadeiramente saudosos, agradecidos, lindos, lindos. As frases que escutei foram o mote para lembrar o que é ser professor. A marca que causamos, deixamos, e claro, que recebemos é sem dúvida sensacional.

Quanto a esta turma atual... darei outra chance, darei mil chances se for preciso, porque ser Professora é isso!

sábado, 19 de maio de 2012

ENTROPIA (Para Enrique Gabriel)


Quanto mais eu penso

Naquilo que você causa

Mais me apaixono por

Toda essa desordem

Todo esse caos que

Me transforma.



Quanto mais eu sinto

O calor que me afaga

Mais eu me entrego e

Todo amor é convertido

Assim, pura energia que

Me completa.



Amor absoluto.

Quanto maior a desordem do nosso amor, maior é nossa entropia!


terça-feira, 15 de maio de 2012

FALSA INSPIRAÇÃO

Que inspiração pode resistir num dia frio
e sem graça como o de hoje.
Dia que o vento gélido congelou meus ossos,
se é que os tenho, e esfriou a tenra carne.
A mente, então, esfumaçou na garoa fininha e foi-se...

quinta-feira, 10 de maio de 2012

PREFÁCIO

Não costumo publicar neste Blog nada que eu não tenha escrito. Mas tomo de novo o empréstimo de um poeta, brilhante e cativante, que escreveu uns versos tocantes para mim. Não poderia deixar de repartir nesse espaço algo tão belo e bem escrito. Também é tão certo que nossas almas são dialogicamente amalgamadas que essas páginas virtuais são dele por direito, afinal, foi por ele que fiz meus escritos tão verdes e imaturos!
Segue o poema magistral e obrigada caríssimo amigo!


2º POEMA MARILÍRICO

Naqueles dias vinhas marilíssima
ao lado dele que, enriquérrimo,
tinha cachos de alunos, uma penca
deles agarrada às barbas de feno.
E foi de gabis em guis que aprendias
para gabiguiar-nos a palavra certa.
Então, quem sabe, apenas desceste
do palco, outrora, para interpretar-se,
sentindo o tablado na sola do sapato
e o cenário no giz a apagar-se depois?!
Uma coisa é certa, Marili – és, muito
mais que professora, um mariliceu.



Leandro Henrique

quarta-feira, 9 de maio de 2012

UMA FÁBULA QUALQUER


A Mudança chegou naquele dia para a moça e fez a proposta. Aquilo soava estranho e ameaçador. Além do mais era uma proposta indecente e vulgar.

A moça ouviu e foi para casa pensar. Teria que abrir mão de toda a comodidade, jogar fora toda a estabilidade que havia conquistado e todo o seu mesmo jeito de ser. Pensou e desistiu.

Passado um tempo, a moça estava em sua casa reclamando da mesmice que estava sua vida. A rotina cada dia era maior e depois de refletir, decidiu procurar a Mudança.

Foi recebida grosseiramente, nem sequer olhada na cara. Cuspida dali como um foguete, a moça saiu com o rabo entre as pernas, não teria direito a mais nada, ficaria com a mesma vidinha de antes.

Moral: Aceite a visita da Mudança!

O FLAGRANTE

  Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...