sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

REFRAÇÃO

Ei! Faltou um pouco de humanidade em você hoje?
E essa resposta atravessada que deu, ou ainda, o seu mau humor com essa pessoa ou com aquela, tanto faz, se resumem no fato de que você está cansado, arrrasado, chateado, de saco cheio mesmo e que portanto tudo se justifica na simples razão de que é humano.
Ah! Há que se perdoar toda a ação humana, porque nela reside a tal da humanidade, pois se nos falta tudo que deveria compor o ser humano, é porque estamos insanos, e animais somos naquele momento da irracionalidade, justificadíssimas, pelo mero fato de que humanoides seremos um dia.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

HISTORIETA

-Como vai resolver isso?
-Sei não.
-Responde à altura.
-Não é assim, não posso.
-Por quê?
-Hierarquia.
-Dane-se.
-Não é bem assim.
-Bunda-mole.
-Ah! Se fosse com você, bem sei como seria.
-Respondo na lata, comigo não tem tempo-quente.
-Estou vendo. Deixa que eu resolvo do meu jeito.
-Está bem, não está mais aqui quem falou... só acho que esse papo de hierarquia é muito furado... temos que responder ali na hora, que é para todos verem que temos atitudes, que não somos covardes... hierarquia o escambau...bando de babacas...pô...estratos sociais, isso tudo é uma palhaçada, cadê a igualdade, pô...isso cansa...nossa!!! isso dá uma revolta só..........

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

NADINE

Olho verde brilha
me olha e pulsa a
verdade, saudade
que verve a sós
a sorte de ver-te
palavra em verso
sentida no gesto
que teme saltar
imaturo desejo
verdugo captar o
olho da arte que
julgo cá em nós.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FIM DA LINHA

              Não tenho tido tanto tempo para você. De fato  é bem verdade isso. Há um tanto de desculpa nisso também, mas o que é  a desculpa senão uma mentira travestida de bem? Larguei mão da linha, da costura e da vontade de preencher essas linhas daqui tão virtuais. Não abandono porque há sempre uma necessidade de escrever algo torto, assim de repente, até de chofre. Começamos com mais ternura do que afinco. Eram tantas as postagens, tantos os dizeres, agora nem um nem outro, nem quase nada. Não me calo ainda; por hoje sei que é o fim da linha desse ano e não se avolumaram os tomos como dantes, nem os leitores, e como precisei deles... mas fiz algo de escrever por aqui. Meus pés andam cansados dessa Valsa Literária, e quem está a ligar para isto?
             Camões diria que mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, sei bem o que é o tempo e mais ainda entendo das vontades. Não tenho alma de escritora, nem mão de escitora, não tenho nada além da palavra minha que sai em tropos defigurados e descosturados do que é dita a tal da Literatura. Sei tanto disso também. Porém, é a vontade que eu desejo da palavra, sinto cheiro dela em mim. Não a conheço lá na alma, conheço um pouco o normativo vocábulo que uso para ser a Marili que acho que tento ser diariamente, todavia aquela que escreve é tão outra desconhecida minha que ora vem, ora vai, ora não volta.
              Machado diria que há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. Que é o que escrevo se não o trivial? Crônico! Tão banal que não há interesse nisso, há tanto a ser lido, há mais para ser visto, quem há de querer passar a vista no óbvio. Crônico! Carnicão. Decerto isso é assim mesmo, quem chegar ao fim da linha disso tudo já é um vitorioso. Não há tentativa de ser maçada, é só a vontade mesmo da dita palavra.
              E assim Saramago diria que se os seres humanos não morressem tudo passaria a ser permitido, e não é isso que eu quero, nem ninguém quer. O bom da palavra é que ela é permitida, para todos e até para mim, posso dizer o que quero dela e ela de mim. Isso é tão democrático, tanto, que me assusta, é democrático demais, porque pode ela existir e ninguém querer ver, ler, ouvir, passar um olho sequer.
              Há tantas linhas ainda, por hora é o fim.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

DIALÉTICA DA VIDA

falta nessa vida
o tema
falta nesse tema
o assunto
assunto sem tema
é o vazio
tema com assunto
é tese
e a linguagem
é a síntese!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Facécias

Era amigo se dizia
e de pronto se fazia
não se sabe que fim houve
só não lhe tenho mais serventia!

Dois tostões pagou ao amor
sem entender o pregão
morreu de amor a morena
triste fim ao coração.

É preciso dedicação
para sustentar o quinhão
o que escrevo é palhinha
espaiáda nesse mundão.

Quem de mim gosta
de mim quer só ficar
se um dia poeira afasta
resta em mim arrancar.

Se não presto ao canto
tanto quanto espanto
só me sobra o encanto
do meu verso esperanto.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

EXQUADRILHA (providencial)

era o branco
que virou negro
que virou de esquerda
que deixou de ser negro
que era de direita
que gostava do pardo
que veio de lá
que gostava do índio
que não gostava e
que não torcia para ninguém
o branco virou
homofóbico
o negro foi fazer faculdade
o pardo está em cima do muro
não sabe se volta para lá
e o índio...
o indío, que maçada...
foi tratar de ser índio, oras!

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

RESSACA

tanto mar há
na minha palavra
de ressaca
vai e não vem
diz que tem
reflexo de mim
a poesia é salgada
há choro no mar
conturbado o poetar
vem e não vai
ondulatório verso
que não sai

terça-feira, 26 de agosto de 2014

POEIRA

                    A mulher passa o dedo sobre o piano fechado e mudo. A grossa poeira gruda em seu dedo indicador, há na poeira o indício do tempo, há no seu dedo fragmentos de passado. Com um pano limpo resolve retirar o tempo ali depositado em forma de fungos, bactérias e vestígios mortos. A música já não se ouve mais. Passa várias vezes o pano seco. Decide molhar com algo. Sem compasso. Lembra-se do óleo de peroba e volta a dar um brilho no tampo. Lustra. Acha que ficou embaçado e retoca com a flanela. Abre a tampa e vê as teclas amareladas, nada pode se fazer contra o amarelado da saudade.
          O piano continua em silêncio e a mulher também.

sábado, 16 de agosto de 2014

POR...VIR

                        Tenho visto pouca coisa, tenho escutado tão pouco, só tenho sentido o cheiro das fumaças dos carros, porque não tenho tido tempo de fechar os vidros, pois só há tempo para deixar que o dia termine e que venha logo o outro e tenho visto pouca gente, tenho escutado pouquíssima música e tenho achado pouca ou nenhuma graça nesse estado de deixar o tempo passar grosseiramente em minha vida, e acabo respirando o nada e minhas roseiras brotaram repentinamente e não estava a vê-las, e não tem nenhuma graça nesse arrastar-se pelos dias vãos, porque tenho o trabalho de trabalhar dia a dia, e só tenho comido as porcarias porque são as mais rápidas para se comer e fechei o livro porque a leitura estava arrastada e vazia, ou porque não era o tempo de ler nada, apenas é tempo e hora de vestir-se e levantar-se e deixar que o dia me leve o bom humor de ontem, amanhã é dia de descanso, há no fim de semana algo de metafísico e alguma coisa que não se pode se defender, há nos dias de descanso algo de mórbido, ou de mistério, há que se renovar para os dias que virão, que coisa, que coisa, tudo está porvir.

sábado, 26 de julho de 2014

BICHO-GRILO

papão
de grão
de não
de confusão
adepto ao vão
odeia ladrão
sonhos desvão
palavra versão
de não
senão gestão
queima o brasão
dorme em papelão
esconjura patrão
detona o refrão
demão
de não
de grão
vidão

segunda-feira, 21 de julho de 2014

NA DÚVIDA

...mantenha o charme. Vi essa frase há muito tempo, ainda criança, na porta do quarto de minha tia, creio era o Snoopy quem falava, com um sorriso irônico nas fuças caninas. Não sei porque tal imagem veio aflorar em minha mente agora, hoje, e pensando, já que existo, matutei que tenho tantas dúvidas, tantas, que não cabem em verso menos muito em prosa, e nem folha existe para relacioná-las em rol. Mas certo é que tento manter o charme, irônico idem, em todas elas, aliás vivo me requebrando em poses elegantes e nada. Há cheiro de dúvidas no olhar, sou toda uma interrogação e carregada de reticências...

segunda-feira, 14 de julho de 2014

TIPOLOGIA OU ESTUDO DA NATUREZA HUMANA

          Amarro meus sapatos. Se os amarro, ainda, curvando-me sobre a barriga que se encolhe e vou até os cadarços para entrelaçá-los por entrededos, sei que ainda manejo minha vida. Ora, então, espanto as pombinhas todas tantas quando sinto o pouso demasiado, assim como bebo do gole amargo e trago a fumaça vazia. Faço da minha mordaça quando necessito grito e julgo a mim o que é fato. Ora, pois, que vem de dar de ombros a vida em minha cara, põe a rir-se estúpida e estragada em dentes esburacados. Respondo à dita com o mesmo rancor, porque já não mostro os dentes á toa. Olho com olho esbugalhado, bem abertão mesmo, longe de ser tapeada, sou estúpida, não pulha, sou pudicícia, graças a deus. E com os peitos derrubo a derrocada, paulada nela, porque brava sempre fui e hei de ser até bem velha e sem dentes também. Pago meus impostos, pago meus pecados e tenho tido todos nesses tempos de carências tamanhas e também pago meus vícios, porque tenho tantos necessários prazeres viciados em vícios, já que os vicio, vicissitudes e pago bem, muito bem. Ora, mais, que por tanto tempo  temos esperado que a bosta seque antes mesmo de sujar meus sapatos nela ainda molhada, nesses dias em que há tanta bosta para ser pisada, amarro meus sapatos, estão limpos, bem sei que estão e dou gargalhadas para vida!

CRÔNICA SEM FIM

  Na sessão de terapia... — Tenho pensado muito em o quanto sou super sensível para várias coisas e isto está me matando; fico pensando em...