No meio da névoa esbranquiçada
Surge uma intensa alvorada
Que carrega consigo abraçada
A esperança de uma nova jornada...
No meio da névoa esbranquiçada
Surge uma intensa alvorada
Que carrega consigo abraçada
A esperança de uma nova jornada...
Inacreditável,
não era mesmo à toa que a poesia saía de mim cheia de medos e dúvidas, porque a
volta de tempos sombrios se aproxima novamente e percebo que o ser humano se
desumanizou, continua olhando para o seu redondo umbigo, se embebedando de ódio
e perpetuando a velha história horrorosa de Caim que matou Abel por pura inveja,
tudo isso diante dos olhos de deus!
Aleluia
irmãos!
Inafiançável,
não era mesmo à toa que a palavra saia de mim repleta de pavor, porque a gente
sente o terror quando ele se aproxima, já que os homens se mostram sempre com a
boca escancarada, e o os peitos estufados, e ninguém mais se acovarda diante de
nada, porque agora há certidão; uma certidão para cada um dos cidadãos de bem,
para todos aqueles que dão um salve para a família, pátria e estão perdoados.
Glória
a Deus!
Imperdoável,
não era mesmo à toa que o poeta, amargurado, pressentia, porque a poesia sente
quando está prestes a morrer, a música se cala, a arte definha, porque a educação finda, e os homens não tão
de bem, estão ali, cheios de hipérbatos, metáforas do mal, do mau, iludindo uns outros tantos cidadãos de bem, que querem ganhar a tão sonhada certificação
que lhes garantirá um longo lugar nos céus, enquanto suas transgressões correm
a olhos vistos, e já dirá o tal Mateus ou será o tal Pedro, que o sangue derramado por muitos, servirá
para remissão dos pecados de todos nós.
Livrai-nos do mal! Livrai-nos do mau!
Amém!
Uma angústia nasce
Tenho medo
Esse medo do incerto
Me aflige
Não tenho controle dele, deles, deles
Os medos controlados
Só são sentidos
Apenas vem e vão
Os medos instáveis e incontroláveis e variáveis e perigosos
Aqueles que independem
Do meu ser frágil
Que os sentem
Esses.... Ah! Tenho pavor!
Vejo o mundo
E o temor aparece
Mas não tenho o domínio dele, deles, deles
Os temores indomináveis
Se transformam
Em pavor
O pavor súbito e descontrolado e ameaçador
Uma angústia finca
E aquela flor
Esperançosa, pensa em brotar
Na sessão de terapia...
— Não sei dizer. Não sei se é isso.
— . ; ! ! ?
— Não tinha pensado assim. Pode até ser que eu esteja
fazendo isso para me sabotar, ou para justificar a rotina exaustiva, e minhas próprias
angústias, ou para pesar o clima, entendi...enfim, não tinha pensado por esse
prisma.
— . . . ? ? ? ?
— Ás vezes acontece o que você disse, mas outras vezes não.
Depende. Quanto a essa outra ideia, sei lá. Não tinha reparado que eu faço
isso. Faço sem querer?
— . ! ! ! ? ? ? ! . ? .
— Ah! Não é isso não, não é possível que eu faça isso para
me vitimar, para eu poder justificar, será? Justificar o quê? Ah! Será? Caramba,
isso é interessante, complexo, como você mesmo falou.
— .
— Eu sei que você não falou vitimar. E também não disse que
faço para pesar o clima, desculpa. Eu que achei que você insinuou isso, mas eu
entendi.... Será? Só acho que sou muito sensível.
— .
— Verdade. Eu percebi. Sem insinuações e suposições.
— .
— Sim, eu vi, que fiz isso.
— .
— Vou pensar.
— .
— Para você também... até semana que vem.
Das inúmeras vezes em que a moça tentou se desculpar
pelo ocorrido e esclarecer os fatos, palavra não saiu de sua boca. Calava-se ao
olhar para o rapaz, que, também ao vê-la, saia de perto, constrangido. O motivo,
não importa, na vida, o acontecimento passado, ou vira mágoa ou lembrança.
EU, ME AUTODECLARO... POETA DE MIM MESMA!