sábado, 16 de junho de 2012

TRILOGIA GREGA


Ao semideus

Para um homem semi
Homem Deus
Resta o Deus
sobra o semi.
Para uma Helena
Ariadne, Semele
Só o semi não basta
Há de vir um Deus
Que abra a concha
E faça surgir
à pérola.



Acordes


Acorda a Acrópole desnuda
Helena, acorda, acordes.
Há música e máscaras
O tempo chamou Lena.

Acorda, acordes, o par
O fio entrededos, desata
Helena, desnuda, a pérola
Cai entreventre Cronos.

O tempo chamou Lena
Há música, meu amor;
Vai-e-vem, balbucia
teu nome, cai a máscara.

Acorda, acordes, o semivéu
semiamor, o tempo sussurrou
Lena, anda, ata, nua, sua
Cai à pérola, a música há.

O tempo chamou... Vem.
Acordes, agora, nada
Há a máscara, pega, ata
a Pérola Helena.






Heras

Heras...
Que Tebas?
Qual Acrópole?
Que Semele desenganada
Coroa Helena de heras.

Bacantes embriagadas
Curvam-se, imundas
Inertes roubam as heras
as pérolas e as castas.

Que Semele enganada
Dera as Helenas, pétalas
As tebas arqueadas, guiam
Baco surdo até elas.

Que tempo?
Heras
Cronos perturbador
Traz um embrechado
E contempla, calado
O ventre de Helena.
Que Semele
Que Tebas
Que nada.
Helena acordou!

2 comentários:

Anônimo disse...

muito,muito,muito...lindo seu poema, como,vc, está cada dia melhor..adorei.my

Valsa Literária disse...

My, também gosto muito dessa Trilogia, adorei ter escrito isso!
Beijocas

POEMA ATEMPORAL

    As coisas não residem no tempo Se costuram a ele, em pedaços de trapos de memórias Que antanho, vão se aparecendo Descaradamente...