terça-feira, 12 de julho de 2011

PEQUENAS CONSIDERAÇÕES PARA QUANDO O CARNAVAL CHEGAR

Abre alas que a porta-estandarte da alma

girou a bandeira do pensamento

e sambou.
                                      *

Recesso de carnaval

para rasgar a fantasia.
                                      *

Esperei a resposta-repente

carnavalesca e nada.
                                       *


O samba-enredo desfilou

 com a bateria na ponta da língua.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

19,20,21... (Somente para o Enrique)

       Como não poderia falar hoje do amor, hoje, ontem, amanhã, depois e depois de amanhãs. O amor assim sem qualquer motivo especial que o justifique, a não ser por sê-lo, infinitamente, inexplicável como o vento, a pedra, o Sol e qualquer coisa mais bonita que há.

        Como não dizer desse amor, tão nosso, tão ajeitado nos conformes, tão encontrado nas afinidades, regado de vontades e desejos diários, a nota certa, a medida exata, a prosa verdadeira, em um encaixe tão hermético destinado à eternidade.

Não cabe outro amor em mim, a não ser esse seu!


sábado, 9 de julho de 2011

HEURÍSTICA

A palavra, qual é

uma descoberta e vem

nua, vazia, sem calça.

Se junta, recria, inventa

        reza, na pressa, em

forma, precisa, balança

na cabeça erudita e

solta, reinventa, nos miolos

cria um problema

e desaparece muda

na hora certa.



A cria, modela, ginga, estúpida, acha, decide e grita:

Heureca!!!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

PEDRA CRISTALINA ( PARA MEU AVÔ UMBERTO)

Sentado com um copo de pinga em uma baiúca próxima do seu barraco, o homem não pensava em nada. Depois do terceiro copinho teve uma vontade imensa de chorar, pois no rádio, a modinha de viola trouxe o cheiro da roça, das laranjas, das partes das meninas que passavam correndo.

No quarto copinho começou a rir, nada exagerado, ria e parava, ria e parava, lembrou-se da canção de um velho amigo, “a bosta endureceu, passou um carro e furou o pneu”, ria e parava, cantava, pedaço faltava, lembrava, recomeçava, ria, continuava, “o carro da prefeitura verificou que a bosta estava dura”, ria, bebia, resmungava.

No quinto, deitou-se com o cão, abraçados, um lambeu a cara toda do outro, e o homem, agradecia, “meu amigo, amigão”, acarinhava, rolava, gesticulava, “meu garoto”, falava, pensava, sorria, babava.

No último, decidiu falar, xingar, estorvar, escrachar, ofender, cagar, “filha da puta”, “seus desgraçados”... Foi daí que sentiu o sopro de vento no cangote, xéxéu no ar dos infernos, pensou que ia apanhar, e não tinha ninguém, só o bafo continuava no ouvido baixinho a declamar: Minha pedra cristalina, que no mar fostes achada, entre o cálice e a hóstia consagrada... Meus inimigos tem vontade de me atirarem, porém não atiram, se atirarem água cairá pelo cano da espingarda.... Salvo fui, salvo sou, salvo serei, com a chave do sacrário eu me fecharei!

O homem calado saiu do bar e entrou no barraco. Anotou palavra por palavra do que haviam cantado e dormiu em paz.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

TEXTO-PREGUIÇA, MAS NECESSÁRIO

              Todo escritor, poeta, compositor, tem, teve ou terá frases, sintagmas, trechos, pedaços, fragmentos que gostaria imensamente de ter escrito e não o fez, porque outro já o fizera e também porque não conseguiria fazê-lo. E dessa forma apropria-se “meliantemente” disso que passa a fazer parte inconteste de seu universo poético. Segue abaixo minha breve coletânea, para deleite nosso:

“Beber a vida num trago;

Êta vida besta, meu Deus;

Chegando assim mil dias antes de te conhecer;

Quando ibirapuéramos felizes;

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades;

Musicando palavras, poetizando sons;

Queriam-me casado, fútil, cotidiano e tributável;

 O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é homem humano. Travessia;

Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias Póstumas;

Quando se puserem na balança as minhas boas e más ações, será o peso daquela maçaroca que me precipitará no inferno...;

A imaginação é a memória que enlouqueceu;

terça-feira, 5 de julho de 2011

ENCONTRO DAS ALMAS


– Você não entende nada.

– Eu? Não mesmo, para algo que não tem explicação.

– Como não? Citei várias razões, você é que não percebe nada, não enxerga o óbvio.

– Como é que é?

– É isso mesmo, argumentação é piada para você.

– Meu Deus! Não acredito.

– Agora diz que não acredita. Qual é?

– Qual é o quê?

– Vamos diga, qual é o problema?

– Seus impropérios, ora bolas!

– Ah... Você quis dizer imprecisão vocabular.

– Certamente chamamos isso de imprecisão. Eu mereço!

– Olha está bem, então, me desculpe. Melhor?

– Não é essa questão.

– Já disse: desculpe-me. Perdão.

– Também não exagera. Acho que também exagerei. Quero também me desculpar.

– Está bem, eu entendo.

– Entendo agora o que quis dizer.

– Então vem cá...

– Só se você me beijar!

–...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

POEMA DAS RIMAS POBRES, MAS DAS ALMAS LAVADAS (Para Fábio Roberto)


Todo sarau é especial!

Não importa o acontecido,

é fenomenal.

Qualquer explosão,

é magistral.

Se há uma composição,

é sensacional.

Se tem uma gargalhada,

é descomunal.

Se rola uma bebida,

é original.

Se cantam uma canção,

é celestial.

Se declamam uma poesia

é labial.

Se surge uma boa história,

é vicinal.

Inexplicável, inesgotável, inescusável,

inestimável ,inexaurível,  inexcedível,

gozo angelical.

domingo, 3 de julho de 2011

CRÔNICA DO ENTENDIMENTO


Nas minhas tantas tentativas de acabar com o sedentarismo, passei a caminhar pelas ruas do bairro onde moro. A caminhada serviria para espairecer, desanuviar, não pensar em nada, além de eliminar meus quilos teimosos. As casas passavam por mim e em apenas dois dias havia a predileta, a que jamais moraria, as reformadas, as descascadas. Já sabia dizer quais os cachorros que latiam exageradamente quando eu passava e os que nem ligavam permanecendo ali deitados para o mundo.

Nessas idas e vindas diárias passei a reparar também em um senhor negro, vestido com um terno cinza escuro, as calças seguradas por um cordão, sapatos sujos, que varria a calçada com uma vassoura estranhamente improvisada de grandes folhas, amarradas pelo mesmo cordão das suas calças. Na ida, juntava as folhas e flores num montinho, na volta, estava agachado na guia fumando seu cigarro. Olhei bem para seu rosto escravo, diminui o passo, ganhei uma boa tarde que grosseiramente não respondi.

As casas e os cachorros já não mais faziam parte do meu cenário, caminhava pensando naquele senhor que todos os dias varria as calçadas, juntando folhas, que era, ou não, o possível a ser juntado. Passava por ele e sempre eram movimentos tranquilos, os montes formados quase que desenhados naquelas calçadas. O cheiro de um cigarro de palha, o terno, o rosto escravo, as folhas...

Num outro dia urinava escondidinho perto de um terreno baldio. Naquela semana passei por ele com o propósito de dizer bom dia e pude ver sua velhice, sua boca sem dentes, sua entrega á inalienabilidade, sim porque seu olhar estava parado no tempo, no seu tempo, era um olhar que nunca mais esquecerei, pois dimensionava o eterno e o intermúndio.

         No dia seguinte não mais caminhei.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

SECARRÃO


Vestiu o melhor paletó que tinha.

Limpou os pés antes de calçar as botinas.

Caminhou sem sujar a barra das calças.

Arrancou florezinhas selvagens num buquezinho sem graça.

Desapertou o passo para não suar e cheirar.

Na praça, meio sem jeito, esticou o macinho murcho para as mãos da moça que sorriu largamente...

terça-feira, 28 de junho de 2011

SORRISO (PARA SELMA)

HOJE NÃO PUDE ABRAÇAR
UMA AMIGA
MAS SEU SORRISO
ENVOLVEU MEU ESPÍRITO
DE CORAGEM E ESPERANÇA
O SORRISO DE QUEM É
FORTE, DESTEMIDO E
SEMPRE ALMEJA O
INACESSÍVEL, O BELO,
O SIMPLES...
A VONTADE E A BUSCA DE
SER FELIZ!
SINTO-ME ABRAÇADA POR TI.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

DESACORDO


À revelia

dessa nova ortografia

para, já disse

pára porque eu quero

ver o vôo das palavras,

        com trema e

que tremam os gramáticos!

Pelo menos largaram

o circunflexo da sequência;

que faço com as saudades do

éi- ói, terrível epopeia;

À queima-roupa arrancaram

do pé de moleque e do olho da sogra

o tal do hífen e a exceção ficou

ao deus-dará.


sábado, 25 de junho de 2011

CENTÉSIMA PUBLICAÇÃO VALSA LITERÁRIA

DEDICO ESSA PUBLICAÇÃO AO MEU AMIGO LEANDRO HENRIQUE QUE FEZ COM QUE EU ABRISSE MINHAS ESCRITURAS PARA TODOS LEREM.
OBRIGADA A TODOS QUE ACOMPANHAM ESSE BLOG.




        OS CENS



Sem vergonha

Cem palavras

Sem escrínio

Cem paixões

Sem amor

Cem notas

Sem roupa

Cem casos

Sem fome

Cem versos

Sem verbos

Os cens escrevinhos!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

MAGNETO


Encosta o pêlo

que atraí

e traí

a face mentirosa

ora rubra

que arrepia

e cai

atraída pelo

olhar.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

COSTUME


Hoje guardei o teu sorriso para vê-lo depois de amanhã, isso porque o dia acordou nublado e chuvoso demais para sorrirmos.

 Na medida em que o dia foi se consumindo percebi que o amor de nós dois tinha se exibido durante toda á tarde, e mesmo sem sorrisos nos amamos devagarinho, sem pressa, nesse dia chuvoso e teimoso.

Na madrugada, reclamei e perguntei pela falta do sorriso e pela noite fria que fazia ao nosso redor. E você não disse nada e conforme a madrugada ia se esvaindo notei que o amor de nós dois tinha endoidecido até brotar a alvorada.

terça-feira, 7 de junho de 2011

AOS LEITORES

              Assim como em qualquer repartição pública desse país, informo que esse Blog ficará em recesso por um mês, para que essa escritora possa, depois do devido ócio, voltar a publicar seus textos. Aproveitem para ler postagens antigas se quiserem "matar a saudade".
              Segue abaixo o último poeminha dessa safra:


MAÇADA

O que é um poeta
bravo, irritado
senão um débil,
em busca de
algo a dizer
que soe bem
ou mal aos
ouvidos
desatentos?

O FLAGRANTE

  Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...