terça-feira, 19 de março de 2013

CONFISSÕES ( SERÁ?)


                Ela estava sentada na privada. Olhava para as lajotas que revestiam as paredes do banheiro. Fixou o olhar em uma delas e viu a imagem de um homem, os olhos eram bem definidos e levemente rasgados, a boca sorria bem bonita para ela. Sacudiu a cabeça e mirou para outro lugar, via dois anjos entrelaçados. Um deles erguia a mão direita aos céus. Oravam? Ficou por mais uns segundos antes de decidir tomar um banho. Pensou nas imagens que sua mente produzira e tentou achar um sentido para elas. Não achou. Nessa tarde terminaria de ler o livro inacabado. Lá fora, a leitura não vingava. As nuvens rasgadas pelo céu claro do dia azul compunham imagens também. Viu um grupo de nuvens levemente formar um rosto. O homem do banheiro era o mesmo do céu, olhava para ela estranhamente, e assim aos poucos o vento levava o desenho para longe. Pensou no sentido. Não achou. Pensou na tristeza. Pensou na solidão. Achou graça de tudo. Verdade?

         Abriu o capítulo final e leu por toda à tarde, leitura em vão; o homem não lhe saía da cabeça...

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 16 de março de 2013

DESLINDAR


Balizar o sonho

Pesquisar o céu

Resolver o caso

Esclarecer o acaso

Analisar a alma

Apartar a fadiga

Demarcar o destino

Compreender a lida

Vida, linda, desvindar.

 

terça-feira, 12 de março de 2013

TEMPORADA


Somos seres assim meio opacos, porque em algumas épocas chove muito em nós. Nas estações das almas não mais há tanto espaço para a primavera, temos tido muitos invernos ou muitos verões e tranquilamente ou não, viver está tornando-se um grande contrassenso. Cada um recolhe em seu jardim o que é possível de ser recolhido, uns preferem as flores sempre, outros o campo aberto e verde, alguns ficam áridos e inférteis. Há que se aproveitar o tempo das mágoas e chuvas para renovar o plantio e assim quem sabe teremos mais primaveras em nós...

segunda-feira, 11 de março de 2013

QUADRADO PERFEITO


Na infância a mentira

Palco de grande ilusão

Olhar penetrante, rima

Gerou muita confusão

A vida foi-se em ira

Repleta de exclusão

A poesia fez-se concha

Virou mera oclusão

Porém, hora tem dia

Sobretudo, aritmética

Ser inteiro, ou expresso

Lado, lado, lado e sim

No amor perfeito será

A poesia brota ligeira

Pura e solta em efusão

Não importa imperfeita

Qual criança que mentia

Nas histórias e fantasias

Da menina que só queria

Compor versos em paz

Quatro ventos, quatro

Tempos, a velha chegará

Tantos escritos na caixa

Que o tempo guardará

Outra menina, ilusão

Novo verso comporá!

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 6 de março de 2013

ME...ME...MEDO!

                 
Essa é a tricentésima nonagésima nona publicação desse Blog.  A falta total de inspiração está me deixando confusa e deprimida. Havia planejado na minha humilde cabeça escrever algo de muito especial para comemorar quatrocentas publicações, para mim um número expressivo, quem me conhece lá no fundo sabe como foi difícil soltar as amarras e escrever, ainda mais assim para todos lerem, porém, o pior é que muitas vezes não é possível planejar aquilo que se quer escrever ou dizer... Triste. Estou à deriva!

 

terça-feira, 5 de março de 2013

SEM INSPIRAÇÃO OU...que saco!

Fico pensando
que faz o poeta
o escritor, amante
namorado, professor
cozinheiro, escultor, ator, criador
qualquer ser que depende da inspiração... precisei de sete dias para escrever essa porcaria...Deus também precisou.

Que saco!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

CRÔNICA DA CRIAÇÃO


          O boia-fria naquele dia havia recolhido muito algodão. Estava cansado, muito mesmo. Na hora do almoço fugiu. Comeu primeiro e depois foi, a passos largos e compassadamente rápidos, para o lado do morro.
           Olhou para vista bela e escultural que as montanhas desenhavam no horizonte. Uma brisa bem leve arranhou suas feições. Resolveu deitar no chão-terra. Ali ficou. Pensava em nada. Duas nuvens brancas e fofas fizeram com que se lembrasse da colheita. Refutou. Ficava ali.
           Dois azulões passaram sobrevoando sua cabeça, disso ele entendia bem, sabia até que era um casal, a fêmea era marrom e o macho azul forte e vivo. Pensou, agora sim havia tempo para pensar, que era hora de se casar. De ter alguém com quem voar, de fazer ninho, produzir crias, duas ao menos; hora de deixar raiz por ali. Teria que procurar na vila uma mulher...
            Como em frames, os rostos das moças da fazenda e da vila foram passando emolduradas pelo céu azul. Não; não; não; não; talvez; nem pensar; sim! Lembrou-se de como ela dançava bem na Festa de São João. Era bem ajeitada de rosto e corpo. Quase não falava e pouco sorria.
            Passou toda tarde por ali, construindo um amor que antes nem existia...
             O Sol a pino já havia saído do prumo central e rumava para oeste quando ele se deu conta do seu desatino. Na mesma carreira em que veio, voltou para a colheita. Embrenhou-se no meio do algodão. Ninguém havia notado sua ausência.
            Colheu. Recolheu. Juntou. Tudo agora fazia mais sentido.
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

UM APÓLOGO LITERÁRIO


A poesia:

“Nasci para ser verso

Tenho rima na mão

Entoar violão, quero não

Cantarolar é mera ilusão

Sem melodia, sem som

Poesia muda, sou razão

Permito apenas ser...

Recitada na voz do poeta

Cantada, nunca, viro refrão!”

 

A canção:

“Inveja eu tenho não

Tampouco a solidão

Quero som do coração

Saída da voz entoada

Sou graça e perfeição

Transformo a calada

Num samba de cordão

 E ainda tenho parceiro

Meu amigo: o violão!”

 

 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

SEM ROMANCE


Faz frio lá fora

Em mim o gelo é

Muito necessário

Os dias amanhecem

Sem muito Sol

E assim perco um

Pouco do meu juízo

Reconheço no livro

Deitado na cabeceira

Um desejo de ser lido

Faz frio lá fora e

Em mim esse frio é

Muito necessário

Não quis folhear as

Linhas da pequena

História de amor

Todos os romances

Resvalam no amor

E assim perco sempre

Um pouco do juízo

O dia amanheceu

Sem muito Sol e

Para mim o calor seria

Muito apropriado

Todas as histórias

Esbarram no amor

Em mim o amor seria

Muito necessário.

 

Faz frio lá fora...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

RETROCESSO


Parte de mim retrai

Outra condensa e

Cuidadosamente

Afasta-se do Sol

Que já é tempo de

Molhar-se na chuva

Permitir que a gota

Caia em choro ou

Ainda em suor

Mas algo em mim

Retrai e condensa

É mais fácil cruzar

Os braços do que

Ver o Sol nascer.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

PAPO DE BÊBADA


Ouvi recentemente em um programa de culinária a expressão “é preciso tirar as mágoas das carnes”, aplicando-se para a situação em que se deixa de molho qualquer carne, de vaca, de porco ou galinha, em uma imersão de água com muita cachaça, para que só depois desse banho, a carne possa ser preparada e consumida.

A frase, segundo o que ouvi, é de origem escrava e achei tão linda e tão bela que não podia deixar de pensar sobre ela durante toda a semana. Divaguei tanto e pensei que muitas das vezes precisamos retirar a mágoas de nós mesmos. Nessa linha de pensamentos insanos e despreocupados com a razão, conclui que é por isso que nós bebemos.

Nada como um bom copo de destilados ou fermentados para tirar as mágoas de nossas carnes e almas. Percebi também, num fluxo de ideias sem fim e caótico, que nesses últimos tempos estava tomando minha dosesinha de vinho do Porto quase que diariamente, isto é, encaminhando-se para um vício prazeroso cotidiano.

Sem concluir nada de certo, por enquanto, refleti que pudesse eu, estar repleta de mágoas, já que a necessidade dos goles havia tornado-se um hábito rotineiro; estava na terceira garrafa em menos de dois meses. Matutei, busquei os meus rancores mais profundos, escarafunchei meus desgostos recolhidos, achei um ou outro, talvez tantas outras amarguras, porém nada de assustador.

Assim, depois de uma hora de molho, em pensamentos, regados por um cálice do meu vinho, percebi que lavo muito bem minhas carnes e almas de todas as mágoas, estou razoavelmente pronta e devidamente preparada para a vida; vida essa que não cansará de nos magoar, mas para isso eu já tenho a solução: beba com moderação!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

PATENTE DE MÃE

felicidade é ver o filho
nascendo, crescendo
ganhar um beijo perdido
e desavisado
ouvir eu te amo
o primeiro pedaço
do bolo, do todo
os dentes rindo, rindo
o olhar da certeza, suave
e profundo
ser mãe é patente!

O FLAGRANTE

  Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...