Não terá vida
nada além de
um vintém
De mim pode
levar o que
quiser
Em mim há
de sobrar
a poesia
Pensar então
vai ficar a
sombra
Nada de mim
há de
levar
sábado, 23 de abril de 2016
quarta-feira, 23 de março de 2016
LAVAPÉS
Em tempos de me bajular, lavo minha alma de todas as retrancas que o mundo me deu e que a vida me dá. Envelheço de repente, ou nem percebo que velha estou a ficar. Já não permito mais em mim sair algo pela boca dito sem a cuja intenção. Há intenção. Há honestidade. Há o dito. E digo, assim sem as famosas papas na língua, porque a idade e talvez, a experiência me permitem fazê-lo. Estou a me lavar os pés, não dos apóstolos todos, porque esses foram lavados pelo Cristo Redentor e de nada adiantou aos homens tamanha fé. Não tenho tanta fé assim. Tenho apenas esperanças. E tenho sentido que é preciso lavar os pés e as almas minhas, porque sou boa pessoa. Na minha intenção há bondade e há tanto bocado de maldade e irritação quando julgo a injustiça e vejo na minha mão a possibilidade de julgo. Que a vida me permita sempre a lucidez de que necessito para continuar a enxergar em mim, o que de mim é o melhor.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
NADA A DECLAMAR
se não o final do conto
o fim da trégua
o longo afastamento
sem perdão
sem razão de ser
o gozo sem prazer
o amor sem beijo
ao longe, ao longe
o pigarro da tosse
sem o cigarro
o poema sem verso
sem rima, sem nada
a quadra sem graça
o poeta sem vigor
a linha final depois do travessão
que fala, que fala
nada
nada a declamar
se não o ocaso a brilhar
a vírgula singular
a flor que não abriu
o pensamento que não fluiu
a metáfora ruim
sem calma, sem palma
nada a declamar
nada
sem decorar a minha
alma
o fim da trégua
o longo afastamento
sem perdão
sem razão de ser
o gozo sem prazer
o amor sem beijo
ao longe, ao longe
o pigarro da tosse
sem o cigarro
o poema sem verso
sem rima, sem nada
a quadra sem graça
o poeta sem vigor
a linha final depois do travessão
que fala, que fala
nada
nada a declamar
se não o ocaso a brilhar
a vírgula singular
a flor que não abriu
o pensamento que não fluiu
a metáfora ruim
sem calma, sem palma
nada a declamar
nada
sem decorar a minha
alma
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
CALENDÁRIO
Não é que queira que o tempo passe tão depressa e que as folhas caiam uma a uma, contando os meus dias, os nossos dias, os dias que deixamos de nos ver, os dias que eles deixaram de se falar, também as horas que ficaram de se ver e não se viram, os dias todos nublados que me deixaram dormir e a vocês também, e claro os dias de sol que bateram na minha cara e na sua e naquela cara que não queria sol. Não é que eu, você e eles queiram que os dias passem rápido, porque os dias das crianças demoram muito a chegar e se eu soubesse que os dias eram ligeiros em acontecer eu teria esperado com mais parcimônia e paciência e teria me entregue ao tempo. Não sei mais se quero o tempo passando nas minhas fuças, nas suas e nas daqueles que precisam que ele passe por algum motivo, ou porque querem esquecer da morte, ou porque suas tristezas custam a dobrar o pensamento e alojarem-se no esquecimento, ou porque querem que chegue logo o dia de nascer e casar. Não é que eu queira que esse tempo volte a andar amiúde. Não. Só queria que ele me acompanhasse os passos.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
VENTO
E não é que ventou em mim
de um jeito que há
muito não sentia
vento com propriedade e corpo
ventania ia e balançava
minha alma
que toda em calmaria, apenas
o sentia
E não é que ventou em mim
de modo que há tanto
não já queria e bem
sabia que era possível ventar
ventaneira eira e carregava
minha saudade
que tinha cheiro, apenas
da infância
É que ventou em mim
ventanas abertas
assim
sim
leve e
só.
de um jeito que há
muito não sentia
vento com propriedade e corpo
ventania ia e balançava
minha alma
que toda em calmaria, apenas
o sentia
E não é que ventou em mim
de modo que há tanto
não já queria e bem
sabia que era possível ventar
ventaneira eira e carregava
minha saudade
que tinha cheiro, apenas
da infância
É que ventou em mim
ventanas abertas
assim
sim
leve e
só.
sábado, 2 de janeiro de 2016
Novo ano
essa sensação de otimismo
que valsa no ar
é tão comum e tão
esquisita
de tudo que se promete
ficam as ondas puladas e as velas acendidas
e o cheiro da arrebentação
que carrega o frescor
do otimismo
tão latente
agora
perene
que valsa no ar
é tão comum e tão
esquisita
de tudo que se promete
ficam as ondas puladas e as velas acendidas
e o cheiro da arrebentação
que carrega o frescor
do otimismo
tão latente
agora
perene
terça-feira, 20 de outubro de 2015
INAÇÃO
Faz silêncio e olha, ali
pelo buraco da vida. Vê como as pessoas andam se acotovelando, querendo um
tanto de atenção daquela outra que é bem querida sabe-se lá por quê? Está na
berlinda, meu amigo? Que você faz com essa sua opinião imensa? Trate bem todas
elas, as pessoas, e ficarão por ali, na estante da sua vida! Onde é que estão
seus amigos? Ou você é um ser social que amontoa amigos do tipo meus amigos?
Olha agora ali do lado esquerdo, vê aquele outro grupo? Está vendo como são
amistosos e omissos? São tão tradicionais na vida, são tão solitários como
aqueles que riem sem parar e que olham de vez em quando pelo buraco de suas
vidas rasgadas e solitárias. Vê como se socializam? Agora escuta o que dizem.
Tem bastante opinião nisso tudo. Isso é bom, mostra que são humanos. Que
pensam. Será que sentem? Ou mentem? Faz silêncio, senão acordam!
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
CINEMA MUDO
tenho pensado muito em muita coisa e dessa maneira não poderia escrever algo com pontos e vírgulas e com toda a regra que a gramática me ensinou e ensina até hoje a não ser esse fluxo de coisas e ideias e pensamentos desordenados e confusos que é a minha cabeça e ela projeta tantas coisas que vejo e ouço e faço e também tantas outras que fazem e falam e tudo isso me torna diferente a cada dia porque nessa etapa da vida em que sei que mais velha estou e um pouco mais astuta comigo mesma sei que devo relevar certas posturas e atitudes porque também cá tenho eu um tanto de loucura e rabugice e vontades próprias mas certamente sei que não sou uma pessoa ruim e nem amarga e nem pouco amada e tenho certo que tudo isso melhora bastante a vida de alguém porque tenho muito colo por perto e quem gosta dessa pessoa aqui gosta mesmo sem regras e normas e tenho tido um tanto de dó das pessoas porque vejo um bocado de solidão e carências e maldades e picuinhas e até entendo esse vazio todo e tenho cá para mim de novo que há certas coisas que não mudam nem a pau não mesmo e que eu posso e você pode e eles podem se pintar de dourado e serem as mais agradáveis pessoas que nada fará alguém gostar de você de nós e deles porque há um tanto de doçura em ser inflexível e há também um desejo fidedigno em ter opinião formada e seguir as regras e normas e dessa maneira é que tenho pensado tanto
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
terça-feira, 18 de agosto de 2015
MISSIVA (ou cartinha mesmo)
Gostei do léria, original.
A idade é isso mesmo, bate e chega sem pedir e traz junto as manias. Mas, vejamos quando eu tiver quase setenta e você estiver com a idade que estou agora, vai ser o quinhão de manias, suas então, piores que minhas, que já estarei gagá e com permissão para insanidades. Enfim caro amigo, caríssimo, custa caro nossa amizade, mantê-la é um turbilhão, nesse mundão que conspira tanto contra-com o perdão da rima paupérrima.
O cotidiano nos aflige, é só isso. Mas...odeio as adversativas! Estamos será para o que der e vier. Comemoremos a nossa amizade.
Um brinde aos eternos amigos de antes, de agora e de depois do amanhã!
Um grande abraço
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
MULATA
Mulher ria vadia
Açucarada pela
Melodia mal viva
Do seu coração
Escuta o samba
Da vila, o cordão
Arrasta o tempo
E ensaboa chão
Na melodia ouvia
Repetia o refrão
Açucarada pela
Cantiga mal viva
Do seu coração
Vadia ria a dita
Quer uma oração, benze três vezes com um cordão!
terça-feira, 11 de agosto de 2015
DESÁGUA
Na nuvem do silêncio de nós dois
Confundi palavra,será-seria minha?
Ou tua n´minha, invejinha, daquele
ou este, só nosso verso.
Olhei pelo avesso do amigo
Que vinha do outro lado
Da minha língua, raivinha, daquela
ou esta, palavra que instila.
Nós dois, nó no pescoço
Goela sequinha, mais serei
Uma só trova, poetastra, aquela
ou essa, odezinha que esquisita.
Na margem do rio de nós dois
Encontrei o curso do silêncio
Um, ou quantos necessários,aquilo
ou isso, que poeminha nos resta.
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CRÔNICA SEM FIM
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