terça-feira, 30 de janeiro de 2024
segunda-feira, 29 de janeiro de 2024
CRÔNICA DA FICÇÃO QUASE CIENTÍFICA, SÓ QUE NÃO
Galileu, pressionado, foi convidado pela santa
inquisição (em minúscula mesmo), a abandonar as suas convicções cientificamente comprovadas de que a
Terra se movia em torno do Sol. Assim, tal como Galileu, seguimos caminhando
lado a lado com a ficção, quase científica, tanto no gênero quanto na vida. A Terra
agora plana, tal como o chão que pisamos, acaba na linha tênue do absurdo, da
desinformação e da tentativa de plantar a ignorância. Na dúvida, pergunte. Escolha
entre qual a pílula irá tomar, a que permitirá que esqueçamos de algo que já
aconteceu na utopia virtual desse mundo moderno e que só enxerga o que se quer,
ou a outra, que nos levará ao mundo real. Não importa, na dúvida, estude. Chegamos
em um ponto tão crucial, que nem os gêneros se salvarão; os limites das grandes
histórias não terão mais enredos inspiradores, estaremos sujeitos aos que
querem a todo custo esconder a realidade. Nas narrativas inverossímeis que imitam o cotidiano,
o experimento caminha junto à descoberta, e a ciência caminha junto ao
negacionismo. Um ali tentando ir contra o outro, negando o óbvio, comprovado
por várias verdades. Cada um com sua verdade? Talvez? Não, só que não. Uma
verdade só pode ser derrubada ou substituída por outra verdade mais científica
ainda. Deixe para a ficção, quase científica, as elucubrações dos quase fatos
cientificamente comprovados; não se deixe levar pelo quase científico, pela
ficção, por pílulas azuis, fake das fakes, pesquise, conteste, grite, pergunte,
e assim como o astronauta Aldrin, dê um soco no queixo de quem duvidar da
Ciência.
sábado, 27 de janeiro de 2024
Crônica do abraço
As cinco senhoras sentadas perto da piscina discutiam fervorosamente sobre os aspectos da comida servida na pousada em que estavam. De férias da vida solitária, e ou, da vida monótona da cidade, aquelas mulheres com mais de sessenta anos estavam ali procurando o que viver.
Assim, na calorosa discussão sobre o café da manhã, almoço e jantar, argumentavam muito mais do que a própria filosofia possa dar conta. Entre teses e antíteses, chegaram na síntese de que, salvo exceções, a comida tinha caído de nível em relação às últimas temporadas. Eu escutava tudo aquilo com muita atenção, das frases mais hilárias, desde a qualidade da linguiça que fora servida três vezes na semana, sem mudar nada em seu aspecto que pudesse modificá-la em essência, até o fato de colocarem coco ralado em todas as sobremesas para aumentar o volume, todas as frases eram seguidas de fortes argumentos. E de fato, concluíram na queda de qualidade em relação aos anos anteriores: “no passado tinha batata frita de verdade, duas ou três proteínas a sua escolha e mousse de chocolate”
Assim, seguia apreciando as discussões, as justificativas, quando senti algo em minhas costas. A pequena garotinha, com sua mão minúscula, cujas unhas estavam pintadas de rosa, acariciava minhas costas em gestos largos. Olhei para ela e sorri, ela também sorriu do seu jeito; um jeito diferente do que chamamos de normal, mas isso não importa agora. Tentei travar uma conversa, mas ela não falava, apenas sorria, sua condição neste mundo era simplesmente sorrir e caminhar. Recebi este carinho, e retribui abraçando a magreza de suas costas.
Ficamos assim, por um longo período, sem dizer palavra, abraçadas, ora os olhos cruzavam, ora os sorrisos vinham. Interrompida pela mãe, que desculpou-se, dizendo que ela estava atrapalhando, e puxando a garotinha pela mão, levando-a embora, e, enquanto eu dizia a tradicional frase, “imagina, não estava atrapalhando nada”, as duas já haviam sumido da minha visão constrangida.
Assim. Assim é o átimo do que é viver. Ninguém estava me atrapalhando. Da conversa apaixonante das senhoras que tornavam aquele meu viver, um instante divertidamente inesquecível, até o abraço da menina que escolheu me acarinhar, seguimos vivendo na esperança, seguimos olhando para os detalhes, percebendo os pequenos gestos largos que vão acariciando a nossa vida, e assim, sim, destes instantes...caminhamos.
terça-feira, 23 de janeiro de 2024
O dia deu..
O dia deu em chuvoso, Camões disse isso lá atrás num soneto, dos mais lindos poemas que já vi. Assim, a chuva produz algum sentimento, nem sempre é apenas de tristeza, muitos devaneios , às vezes obviedades, também um tanto de amargura, e quase sempre melancolia; hoje diferentemente disso, ou daquilo, trouxe reflexão. Um pássaro aqui na minha frente está a banhar-se e assim, vendo o movimento tão feliz, de lá para cá, molhando as asas e sacudindo a poeira da poluição, parecia feliz. E assim, como o bicho, eu aqui vendo a chuva prazenteira, tentando escrever sobre o que não se pode escrever, pensando no revés que a chuva traz, no sim e no não, no alegre, ora triste, não consigo deixar de estar confusa. O dia deu em chuvoso.
terça-feira, 9 de janeiro de 2024
DENTE-DE-LEÃO ( Para o Guilherme)
Num gesto largo
o menino assopra
a planta que estava
pronta para voar;
em mil flocos
as sementes iam
vento acima
vigiadas pelo olhar
do garoto sorriso;
olhar curioso,
em devaneios
o que o faz pensar
que o floco é leve;
cheio de esperança
o menino vislumbra
a vida é leve
cheia de pompons
esvoaçantes
ele pensa
e é feliz!
terça-feira, 5 de dezembro de 2023
PARA SER FELIZ
abrir um sorriso
abrir um doce
abrir uma garrafa
abrir os braços
e maliciosamente,
as pernas
e amorosamente,
os sonhos
e mais ainda,
abrir a mão:
da generosidade
e abrir mão...
da solidão!
sexta-feira, 1 de dezembro de 2023
ELEGIA MENTIROSA
Elegia
muito feliz
E
assim
Eles
e elas
Viram
Riram
E
alegres
Pensavam
E
riam mais um pouco
E
muito mais agora
Eufóricos
Visivelmente
estão
Pululavam
Estavam
alegres mesmo
E
elas e eles
Ouviram,
viram e sorriram
E como
estavam alegres
Muito
alegres mesmo, contentíssimos
A
alegria é a tristeza vestida de instante!
quarta-feira, 29 de novembro de 2023
A ARTE DE SE DECEPCIONAR
Se decepcionar é uma arte.
Sim, na verdade uma das sete maravilhas e certamente o oitavo pecado capital. Ouvi recentemente que a preguiça é o melhor dos pecados porque, sendo ele o primordial, não cometemos os outros seis. Assim, se decepcionar é um pecado. Sim, total perda de tempo, mas... então qual o motivo?
A decepção, segundo o Aurélio é um substantivo feminino que significa sentimento de tristeza, descontentamento ou frustração pela ocorrência de fato inesperado, que representa um mal, enorme desilusão, desapontamento,e, desta forma, a decpção é minha, eu sinto, você sente, nós sentimos. O que difere de se decepcionar, que também segundo Aurélio, é um verbo, e que quando transitivo, tem a função de provocar a decepção; mas, porém, quando intransitivo, significa ter um comportamento de fracasso.
Desta maneira, a decepção é um problema morfológico, da categoria das classes gramaticais, ou ainda, pensando melhor, da falta de classe, de percepção e de gentileza.
"Seja menas" e perdoe a falta de tato! O Aurélio, esse não perdoa!
domingo, 26 de novembro de 2023
domingo, 19 de novembro de 2023
UM TEXTO QUALQUER
sexta-feira, 17 de novembro de 2023
POEMA DO RECOMEÇAR
Íamos em paralelas
Vias opostas com medo
Dos escuros dias sem luz
Das frias noites sem luar
Íamos em desalinho
Cortes sobrepostos de não
Dos nevoeiros dias sem sol
Das absurdas noites sem som
Íamos em linhas retas
Sem olhar para trás...
Amor
Íamos agora de mãos dadas
Em lugar de sonhos há um recomeço!
terça-feira, 7 de novembro de 2023
POEMA PARA VOCÊ COMPLETAR
O DIA
OS OLHOS
A RUA
A VIA
HAVIA A
A LUA
O SONHO
Anônimo disse... Poema completado por um parceiro do BLOGAdorei o desafio, instigante.
O dia frio que de pronto estava
Os olhos do pesar tristes
A rua em silêncio espreita
A via pela noite espera
Havia a justa na nova
A Lua sumida em sombra
O sonho da Lua que volta
quarta-feira, 1 de novembro de 2023
LUDIÃO
INDECISO É O AMOR
NA INCONTIDA PRESSÃO
VAI, VAI, VAI...
IMPRECISO É O AMOR, E
ASSIM, VÃO OS DOIS
EM OPOSTAS DIREÇÕES
VÃO, VÃO, VÃO...
O CORPO MERGULHADO
INEXPLICÁVEL TENSÃO
VEM, VEM, VEM...
ASSIM VEM OS DOIS, E
PARCIALMENTE IMERSOS
NA CONFUSÃO DO AMOR IDEAL
O CONJUNTO SE TRANSFORMA
ISOTÉRMICAMENTE SEM, SÃO, SAI
O PESO DO AMOR É MUITO MENOR DOS QUE ATUAM SOBRE ELE.
terça-feira, 10 de outubro de 2023
CRÔNICA ANDARILHO
Há que se ter um
mote para vida. É aquela coisa que não tem nome, mas que nos faz levantar e ir.
Andar, caminhar, sem olhar para trás. Chavão ou não, o homem sabia disso. O
homem tinha tido na vida várias motivações, porém, essa era além do óbvio porque
perpassava pelo orgulho, por sua honra, determinação e necessidade, e claro,
por amor.
Pausa.
Quando o menino nasceu, ainda
bebê, o homem viu que algo na criança era diferente. Talvez porque realmente
era, mas, mais ainda, porque o olhar deles nunca havia se encontrado. Assim,
foram os dois crescendo como pai e filho, sem nunca terem se visto de verdade.
A mulher achou por bem levar ao médico, e depois do diagnóstico, nada mudou.
Também nem se deve o leitor achar que precisa saber do tal laudo, e do que o
menino tinha. Todo mundo tem alguma coisa, e a nossa mente é um abismo; o fato
não é o laudo, a causa, a especialidade, o fato é a motivação.
Entende.
E conforme o tempo foi passando, o
que para uns se torna deficiência, inabilidade, para outros é o brilho. E o
filho cresceu fora do prumo, longe da escala do cotidiano, cresceu com outro
olhar. Da boca nada saia, porque o menino não falava e não olhava. Na escola o problema
menor era esse, pois, como o brilho das notas era muito, mas muito maior,
ninguém ligava para o restante. O garoto-gênio ia crescendo longe dos seus.
Anda.
Num certo dia, o pai reconheceu que era preciso chegar mais perto. Assim,
com menos de quinze anos, foram tentar uma vaga na faculdade de Química da
Universidade de São Paulo. O menino foi aceito, e posteriormente, no curso avançado,
passeava na análise e descrição dos mecanismos de reação e
intermediários reacionais, nos estudos das reações de substituição e reações de
adição e eliminação, e não menos importante, as reações concertadas e
rearranjos moleculares. Sumidade. Aos
quinze anos, se comunicava pelo brilhantismo, pelo computador, por artigos e
mais artigos, prêmios, pelo que descobria e por tudo que sua ausência produzia.
Suspiro.
Desse
jeito, o homem, então, agora tantos anos depois, nada sabia do filho, e
deixava-o ser; via aquele, agora doutor, rapazote, reconhecido, nos saberes de
algo que o homem desconhecia, como pai, como pessoa; ignorante no assunto da
vida do filho e até o que ele estudava, sem nem saber para que servia aquilo
tudo. Mas quem se importa com isso? Todo santo dia, o homem sai de casa,
acompanhado do filho, nessa ordem: o filho na frente, mochila nas costas, o pai
atrás, guardando, andarilhos.
O FLAGRANTE
Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...
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sem conseguir escrever alguma coisa de valor poético, metafísico, revolucionário, quântico, sem conseguir escrever algo que te faça se apaix...
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Mote: Por fora não se nota, mas a alma anda-me a coxear há setenta anos. (Saramago em As pequenas memórias) Qual alma não vacila? Oscila.....
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No final das contas, passamos o dia todo a tentar sublimar as pequenas avarias que a vida nos proporciona. Isso gasta um tempo enorme e ...