sábado, 1 de junho de 2024

Duodécuplo

Aposto que são 

Dize, dize,  doze 

Faces da mesma

Moeda. 


Aposto que são 

Dize, dize, doze 

Ovos do pão de ló 

Apostólico


Aposto que são 

Dize, dize, doze 

Constelações do 

Zodíaco.


Cavaleiros,    

De Faces cobertas, vendo estrelas...

Um aposto!



segunda-feira, 20 de maio de 2024

SONETO DAS SOMBRAS

 

 

Ontem meu sonho foi-se amanhã

Alguém vem e me olha aturdido

Somente rancor profunda gadanha

Profundo amargor do ser iludido.

 

Se a tristeza soubesse meu nome

Saberia como peito dói ora range

Como nem o luar é meu cognome

Finda rancor e nem som mais tange.

 

Essa magia dantes tão apensa

Agora morta sofre mor intensa

Mutilado meu enigma é fustigo.

 

Os feitiços padecem esperando

Os olhos compassam lembrando

Que a vida trouxe-me como castigo.

 

UM SONETO TRISTE

  

Se o dia abre em magia

fico bem triste em pensar

que o labor, qual o sentia

era difícil de se expressar.

 

Quanto mais há feitiçaria

mor penso em meu pesar,

meu sonhar é melancolia

como conseguir  ancorar?

 

Místico suave, um lampejo

Compêndio incauto, não vejo...

mistério a mim distante.

 

O brilho do olho, adiante

sutil e metódico instante

talismã em mim, desejo.

domingo, 12 de maio de 2024

DOIS AXIOMAS RALÉS

 

AXIOMA AMOROSO

Entender o outro

É respeito

Aceitar o outro: amor.

 

AXIOMA REVOLTO

Ahhhhhhhhh! Ignorância

É a matriz da aceitação

E a cegueira da escolha

ODE VULGAR

 


Ah! Quanta vontade de dizer

Tantas doces e suaves ironias

Proclamar em frases entrecortadas

Quanto á vida se torna vazia

Diminutas palavras deslizam da boca voraz

Ora dizem, ora dizem, ora dizem

Quem não as sente na cara, o vento

Natureza desumana, tocante

Tal qual cochonilhas em rosas

terça-feira, 7 de maio de 2024

REGISTRO GERAL

Uma foto

um número

outro número

uma mãe

sem pai

não declarado

assinado

com dedo

de tinta.

Agora é cidadão para valer!


quarta-feira, 17 de abril de 2024

POEMA MUITO FOFO

ASSIM COMO O VENTO

BEM AGITADO ESTAVA

A FLOR SE DESGARRROU

E BEM LEVE E SOLTA

PULANDO PELO CÉU

COM AS PÉTALAS CÁ

E BAILANDO PARA LÁ

A PEQUENA MARGARIDA

FOI VOANDO COM A 

VENTANIA QUANDO ASSIM, 

DE SUPETÃO, PLIM, PLIM 

CAIU NA CABEÇA AVOADA

DA PEQUENA GAROTA 

QUE SORRIU COM AQUELE

PRESENTE VINDO DO CÉU

INAÇÃO

 

Faz silêncio e olha, ali pelo buraco da vida. Vê como as pessoas andam se acotovelando, querendo um tanto de atenção daquela outra que é bem querida sabe-se lá por quê? Está na berlinda, meu amigo? Que você faz com essa sua opinião imensa? Trate bem todas elas, as pessoas, e ficarão por ali, na estante da sua vida! Onde é que estão seus amigos? Ou você é um ser social que amontoa amigos do tipo meus amigos? Olha agora ali do lado esquerdo, vê aquele outro grupo? Está vendo como são amistosos e omissos? São tão tradicionais na vida, são tão solitários como aqueles que riem sem parar e que olham de vez em quando pelo buraco de suas vidas rasgadas e solitárias. Vê como se socializam? Agora escuta o que dizem. Tem bastante opinião nisso tudo. Isso é bom, mostra que são humanos. Que pensam. Será que sentem? Ou mentem? Faz silêncio, senão acordam!

 

quarta-feira, 10 de abril de 2024

SEM MOTE PARA HOJE

sem conseguir escrever alguma coisa de valor poético, metafísico, revolucionário, quântico, sem conseguir escrever algo que te faça se apaixonar ou que te faça sorrir, sem conseguir pensar em escrever um conto qualquer, ou uma crônica da esperança que te faça não se matar hoje, sem conseguir escrever sobre a paz mundial, sobre como as coisas são horrendas, e também sem conseguir ser otimista e feliz, sem conseguir o poeta, escrever um verso minúsculo sequer, versículo, sem conseguir um mote...qualquer...

Rendo-me.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

VIDÃO...COM ADENDOS

 

Quero agradecer minha vida.

Sim, ela é carregada de vícios e prazeres,

de saúdes e possibilidades, "vidazarrona", 

é emocionalmente intensa e macia,

tenra e macia.

Tem horas que não agradeço, por empréstimo, zero horas, aquela hora da tristeza, essa não agradeço não, mas é um...

Vidão.

Vida com tudo quanto é vida boa tem que ter,

com poesia,

com música,

com gente boa

gente fina, elegante e discreta

com arte,

com comida, acepipes variados e bebedeiras

com prazer,

amor e

“all inclusive”.

terça-feira, 5 de março de 2024

Crônica da vaidade ou Apólogo do amor-próprio (Mote por empréstimo do amigo: Wiliam Mendes)

 

Vou refletir muito sobre algumas coisas nos próximos tempos. Sobre a vaidade, e o sofrimento que esse sentimento nos traz, e sobre o amor-próprio também. Se estou percebendo que querem apagar o passado, e avalio que de fato o passado não é de meu domínio, por que sofrer com isso? O mundo humano está assim.” (Wiliam Mendes)


A vaidade e o amor-próprio discutiam fervorosamente na cabeça do homem, para ver quem era o mais importante na vida do pobre rapaz. De fato, não era uma discussão, ou diálogo, porque na verdade, a vaidade falava muito mais que o amor-próprio, que num determinado momento passou a só ouvi-la e respondia apenas o necessário:

- Acha que vou aceitar esse argumento de que você veio do inglês “self-love” e de que, portanto, é mais importante do que eu? Também quer que eu acredite nesta história de Narciso, e que me joguem na cara que não olho para mais nada além da minha própria beleza? Balela!!!

- Não foi isso que eu disse. Disse que você tenta me sobrepujar, todas às vezes que tento deixar ele um pouco mais seguro de si mesmo.

- Ahhhhhhh. Faz-me rir “self-love”. Então eu, a rainha da valorização pessoal, aquela que tem os maiores desejos fundamentados nas qualidades físicas e intelectuais do nosso Mestre, hahahahaha, euzinha, quero passar a perna em você? Somente quero que os outros avaliem, apreciem as capacidades e qualidades dele. E você? O que faz? Você o confunde. Todas às vezes que você exagera, é confundido comigo. Entendeu?

- Quero só que ele tenha segurança do que diz e faz.

- Segurança? Você é mesmo muito passional. Isso é um grande paradoxo. Então você está dizendo, que esse seu cuidado é amor? Ah! O amor-próprio, cuidadosamente dosado, aliás, em doses homeopáticas, traz a segurança de que nosso Mestre necessita? Bobagem. Você me vê como um mal? Imagino que sim. Hahahaha. Se me olha como um mal, que seja o Mal de Epicuro que o impede de ser “omnitudo”! Ora essa! Dessa forma, você, meu amor, é desnecessário. Eu, sim, a vaidade, sou absolutamente importante e vital, porque faço com que ele se valorize, se vanglorie de suas conquistas e que seja reconhecido pelos outros mortais.

- Talvez tenha razão. Mas... Poderíamos coexistir?

-Nunca! Chega de me confundirem com falha moral, com presunção, com egoísmo, e maldade, chega! Chega dessa história de me confundirem com você. Sou lúcida! Você não é. Sou consciente e necessária. Um pouco de mim basta.

Naquela noite o homem não conseguia dormir, seus pensamentos oscilavam e refletiam sobre a vaidade, e o sofrimento que esse sentimento lhe causava; pensava em suas conquistas e também avaliava se o seu passado deveria ainda estar sob o seu domínio ou não; para quê?

E... Não chegando em conclusão alguma, sorriu, percebeu o adiantado da noite e matutou que de nada adiantava pensar tanto e sofrer sobre tudo isso. O mundo humano já está assim, muito sofrido, calejado, cheio de preguiça e com muito sono.

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 4 de março de 2024

UM CONTO ESTRANHO

 

 

Bastos era um senhor de sessenta e poucos anos que vivia sozinho em um pequeno apartamento do centro da cidade de São Paulo. O único filho morava em outro país e falavam-se poucas vezes durante o ano. Alguns parentes no interior, que a ausência de contato havia guardado na última gaveta da memória qualquer possibilidade de reencontros. Da sua rotina diária, além dos pequenos afazeres de limpeza, manutenção da sua sobrevivência, cozinhar algo, aparar a barba, alimentar os pássaros, sobrava-lhe uma enorme parte do dia para nada fazer.

Bastos era homem comedido, falava pouco e durante toda a vida mediu bem aquilo que lhe saía da boca; entre falar e dar sua opinião preferia calar-se; o que fez com que escutasse a vida toda que era um pau mandado, um nada, um livro sem receitas, um homem vazio... Nunca se importou com isso, não falava porque não valia a pena dizer, somente o que era certo, era dito: “três pães, por favor,”, não importava dizer algo sobre a coloração dos pães, “nossa, como estão tostados”, já estavam tostados, de que valeria dizê-lo.

Mas...se olhou no espelho.

O homem olhava assustado para a imagem do espelho, não pelo corte feito, que era pequeno demais para alguém dar-lhe algum valor, mas seu estupefato olhar era da frase que sua boca havia proferido; não era homem de dizer vilezas, não era homem de falar mal por pouco, nem por muito havia perdido sua linha; nada disso era o que lhe tinha causado o pavor, a voz que lhe saíra da boca não parecia ser sua, aterrorizado não sabia o que fazer, baixou os olhos para tirá-los do espelho e sussurrou baixinho o seu nome, queria escutar-se.

Se a voz dominara o homem ou se ambos haviam se fundido em um só não é coisa para se pensar nesse momento da narrativa porque nada de filosófico há na mudança e o que se é relevante dizer são os fatos, os fios condutores das ações; o caso é que o senhor Bastos estava mudado e nem mesmo sabia onde tudo isso tinha começado, acostumara-se com a nova maneira que a vida lhe impusera com a mesma brandura que se habituara á barbas; agora era ser que cuspia fogo, deixava marca por onde passasse, rasgava todos os verbos, espantava os bichos, encantava e desencantava.

Bastos era um senhor que vivia sozinho em um pequeno apartamento do centro da cidade de São Paulo. O único filho morava em outro país e falavam-se várias vezes durante o ano. Alguns parentes no interior visitavam sempre o homem, que recebia todos calorosamente em longos papos e risadas madrugada a fora, resgatando sempre o que havia guardado na primeira gaveta da memória: lembranças. Da sua rotina diária, além dos pequenos afazeres de limpeza, manutenção da sua sobrevivência, cozinhar algo, aparar a barba, alimentar os pássaros, sobrava-lhe uma enorme parte do dia para conversar, cantar, aconselhar, jogar conversa fora, discutir...

domingo, 3 de março de 2024

TERQUEDAD

 

Mira la perseverancia y

 

com el passo del tiempo

 

firme em la constancia,

 

en la base de la obstinación.

 

Mira, para que tengas siempre

 

las delicadezas...

 

Cambia frenéticamente su

 

vida estampida y puesta

 

al principio del acaso

 

para que tengas siempre

 

las delicadezas...

 

que sin duda se traducirá

 

en palabras y acciones.

FOTOGRAFEI VOCÊ NA MINHA...

 


         O famoso lambe-lambe e sua potente "rolleiflex" entram num recinto...

         A luz não importa, nem sequer é necessário um refletor para que seus dedos ágeis e duros apertem o botão e um flash sorridente capture o instante.

         No seu transtorno-maníaco-compulsivo-obsessivo, obseda na imaginação o melhor ângulo da figura que se move em sua frente. Atenção! Um corpo que chega, um algo que se movimenta, um rosto que lamenta, uma boca que canta, um instrumento que toca, o rebolar dos quadris, a pose da moça, um "fotofóbico" que balança e o cão que ri. Não há objeto para a objetiva que retrata o indelével.

         Como se não bastasse, o impávido fotógrafo precisa também ser parte da sua sétima ou décima arte, e num revés desesperado, em toda a loucura, procura uma regra-três que com seu dedo substituto em riste, faça surgir num “click” a imagem congelada do exímio-louco que lhe sorri.

         E todos os instantes não revelados,  nem coloridos tampouco pretos e brancos se avolumam nas páginas solitárias virtuais, a espera de outro olhar que saudoso relembre o momento e gargalhe ou chore ou... odeio ser fotografado. Já diziam que rouba minha alma.

         Lá vai o famoso lambe-lambe produzir suas fotos-legenda.

         “E não é que você ficou bem na foto”.

 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

A LENDA DA POETISA CEGA


Numa pequena aldeia, nasceu uma menina cega. Ninguém sabia da cegueira até que a criança completou seus três anos e passou a esbarrar em tudo. Para tristeza dos pais a pequena criatura recebeu todos os cuidados que alguém que não pode ver o mundo receberia.
Apesar do fato, a garota, agora mais velha, havia aprendido a enxergar o mundo com as mãos. Tocava nas coisas todas e sempre passava no rosto para senti-las. Dos bichos ás plantas, as sensações do universo eram absorvidas assim pelo contato, tato, olfato e paladar, eram absorvidos pelos sentimentos do olhar escurecido por Deus.
Mais adolescente e esperta, a mocinha cega passou a percorrer a aldeia sozinha. Era ágil e caminhava ouvindo seu andar pelos campos. Sentia o Sol durante o dia e a banhava-se com o Luar. Nunca aprendera a escrever, mas declamava versos o dia todo que eram compostos na sua mente criativa e poética. Declamava-os ao vento, aos bichos, aos homens, às crianças, aos mendigos, aos ricos. Eram versos de encantamento e calmaria.
Naquela manhã, a moça decidiu que era hora de sentir as águas do rio que corriam pela aldeia. O rio verde e profundo engoliu a garota cega para seu fundo em redemoinhos contínuos, não houve como gritar, apenas entregou-se à morte. A família nunca mais soube da moça, muito menos do que tinha acontecido com ela.
Porém, passados alguns meses, um velho pescador jurou ter lido nas águas do rio da sua aldeia, versos e poemas refletidos nas superfícies do rio. Ninguém acreditou nele. Novas pessoas também juravam ter lido pequenos poemas e toda a aldeia percebeu o que havia ocorrido. Muitos vinham de lugares distantes para ler as poesias do rio da poetisa cega. E a menina cega pôde descansar em paz.


O FLAGRANTE

  Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...