domingo, 16 de setembro de 2012

UM SONHO APENAS


CAPÍTULO SÉTIMO

– Alô, João, é Freitas, como está?

– Tudo bem? Aconteceu...

– Calma, está tudo bem, é que seu pai me pediu um favor e achei melhor perguntar para você.

– Ele está bem? Está me escondendo algo?

– Não! Verdade. Juro. É que ele me pediu para levá-lo a outro médico, em outra cidade. Não quer ir ao Jaime.

– Ué, mas por quê?

– Sei lá, achei estranho também, mas ele pediu. Que você acha? Na realidade ele não tem ido jogar dominó com a gente, disse que as pernas doíam...

– Isso ele já havia dito antes, é não sei...

– Mas ele está bem, viu, foi só esse pedido mesmo.

– Está certo, então. No mais...

– Tudo bem João, fica calmo é só isso mesmo, garanto!

– Não sei, vou ligar de noite para ele e depois falo contigo.

– Está bem. Acho que ele vai ficar bravo comigo.

– Não esquenta Freitas, amigo é pra essas coisas...

 

 Naquela noite João ligou para o pai que enfurecido prometeu acabar com a alegria do trancinha do Freitas. “Amigo da onça”, dizia ele ferozmente ao telefone. Jurou ao filho que não era nada e que iria procurar o Dr. Jaime mesmo como de costume, e que aquilo tudo eram manias de velho, como as de qualquer velho que não tem mais o que fazer.

Falou com Pedro ao telefone e soube das novidades do seu neto primeiro e querido, ficou feliz. Prometeram uma visita logo que pudessem, porém, Jonas sabia que isso tudo era mentira, as visitas só viriam no final do ano, e ele já nem pensava mais nisso, seus pensamentos eram puro sonho e fantasias.

 

sábado, 15 de setembro de 2012

UM SONHO APENAS


CAPÍTULO SEXTO

            Os sonhos nem sempre são de fato aquilo que desejamos, mas muitas vezes, daquilo que precisamos. Naquele fim de manhã, o bom e correto Jonas decidiu que seus devaneios careciam de mais análise, a velhice nos dá a chance de gastar todo o tempo que ainda nos resta com o que queremos. Dá-nos também o crédito de não fazer nada, nada mesmo, aposentadoria de tudo. Se quisermos passar o dia a pensar, enfim.

            Lembrou-se, então, de seus grandes porres. Foram tão poucos que sabia descrevê-los com cuidado real. O primeiro quando entrou na faculdade de Direito, o segundo quando sua primeira mulher Laura morreu, tão precocemente, tão levada pelo acaso, enfim. Não bebia, não fumava, não tinha nenhum vício, exceto o mau humor exagerado e a arrogância de sempre, talvez até exigência da profissão.

            Rememorou sua paternidade. Nenhuma queixa dos filhos. Sabia que havia criado os dois para o mundo e foram. Disso ele bem sabia, e nada lhe aborrecia vê-los somente nas datas festivas ou funerais. Falava semanalmente por telefone com eles e isso bastava. Sentia falta, sim, mas nada que o matasse. Do pequeno Pedrinho, esse sim, seu primeiro neto, não tinha vergonha de admitir (apenas para si mesmo) que era o preferido, sentia muita falta.

            Recuperou seus amores. De fato amou duas vezes. A fogosa Jandira, sua primeira namorada e Laura, mãe de seus filhos. Adelina, coitadinha, essa não foi amor, pura conveniência; também não devia ter gostado tanto assim dele. Amores suaves como a brisa. Sempre respeitou suas mulheres, olhava para qualquer anca que se movesse, mas longe das esposas; trair nunca, sua retidão de caráter jamais lhe permitiria isso. Olhar valia.

            Depois desse apanhado rápido, que lhe custou á tarde inteira, na velhice até os pensamentos vão lentos e tricotados, Jonas pensou no sonho que tivera dia anterior. Não sentia mais incompreensão ou repulsa pelo ocorrido. Voltou a ler, e nesse parágrafo sua cabeça começou a cultivar muitos outros sonhos:

            “A terceira força que me chamava ao bulício era o gosto de luzir, e, sobretudo, a incapacidade de viver só. A multidão atraía-me, o aplauso namorava-me. Se a ideia do emplasto me tem aparecido nesse tempo, quem sabe? Não teria morrido logo e estaria célebre. Mas o emplasto não veio. Veio o desejo de agitar-me em alguma cousa, com alguma cousa e por alguma cousa.”

           

 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

UM SONHO APENAS


 
CAPÍTULO QUINTO
            Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência;”
            Não sabia ao certo se falaria com Freitas, seu melhor e grande amigo, sobre o sonho, seus pensamentos e tudo que tinha sentido na noite anterior. Ficou com uma dúvida imensa. Passava um pouco das dez quando o amigo chegou. Disfarçou até não caber mais na conversa sem rumo que saia de sua boca, tanto que foi deflagrado.
– O que há amigo?
– Não sei ao certo.
– Como assim, está doente, está sentindo algo?
– Não.
– Aconteceu alguma coisa que não me disse?
– É mais ou menos.
– Desembucha homem, estou ficando nervoso.
– Quero ir ao médico, mas não no Dr. Jaime, em outro.
– Ué, como assim? Você sempre vai nele, é o melhor daqui.
– Eu sei, mas... Quero ir a outro geriatra, de outra cidade; isso, de outra cidade, você me leva?
– Sim, mas por quê? O que está sentindo o Jaime não pode resolver?
– Estou pedindo um favor, amigo, não pergunte o motivo.
– Não estou gostando dessa conversa, quer que eu ligue para o João, ou...
– Por favor... Arranje um médico qualquer e marque a consulta, é só isso!
– Está bem, vou fazer. Agora vamos então até a praça, eu ajudo.
– Hoje não, amanhã. Juro que amanhã eu vou. Quero descansar e terminar o livro.
– Certeza?
– Sim.
 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

UM SONHO APENAS


            CAPÍTULO QUARTO

            O problema de quando se faz uma retrospectiva de tudo que se viveu, não é recordar bons ou maus momentos, é justamente pensar naquilo que não foi feito. As lembranças de menino eram mais fortes agora do que há vinte anos. Lembrou-se do dia em que os garotos foram matar aula para nadar no riachinho e viram a Dona Cândida nua. Ele não foi e não viu. Quantas situações deixou de ver e sentir por ser assim? O bom velho agora remoía os sentimentos em nós, encruzilhados, atados pela angústia que nunca havia um dia sentido.

            A imagem dos peitos em seu rosto causou novo calafrio, o cheiro da moça que rumava em sua direção parecia estar ali, ao seu lado. Começou a suar frio, sentado esticou as pernas e sentiu uma dor absurda. Os músculos, gastos pelos tantos andares e caminhares de mais de oitenta anos, estavam agora tesos e doloridos. Fechou os olhos e respirou fundo. “Que sonho foi esse?”     

– O troco é meu?

– Será que é possível avisar quando estiver entrando?

– Sempre entrei assim, o senhor é que mandou.

– Me assustou, guri.

– Ah! Estava dormindo e sonhando de novo...

– Ponha as coisas lá na mesa da cozinha e obrigado.

– Quer que venha a Nicinha para fazer o café e os pães?

– Não obrigado, eu mesmo me arranjo hoje, quero estar sozinho.

– Está se sentindo bem, Seu Jonas?

– Estou garoto, vá, ande, e obrigado. Amanhã lhe chamo...

– Está bem...

– Garoto!

– Sim senhor.

– Pede ao Freitas para passar aqui amanhã cedo, mas só amanhã, está certo?

 

 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

UM SONHO APENAS


CAPÍTULO TERCEIRO

– Que foi, que foi, que foi

– O senhor mandou me chamar.

– Moleque porque me acordou, que raiva!

– Ué o seu Freitas que mandou vir aqui!

– Sabe há quantos anos não sonho com isso?

– Com o quê?

– Ah! Deixa para lá. Não acredito. Pega minha bengala.

– Conta.

– O que menino?

– O sonho. Era bom? O senhor estava parecendo morto.

– Já estou quase lá.

– Desculpe não quis dizer isso. É que o senhor estava meio branco.

– Traz aqui a bengala.

– Seu livro, doutor.

– Coloque ali na mesinha. Pegue no pote o dinheiro e me traga uns quatro pães e meio de café. O troco é seu.

– Machado, isso é nome de gente?

– O maior de todos os tempos, essa geração não lê nada. Vai logo antes que feche a padaria.

 

Sentou-se novamente e tentou lembrar-se do sonho. Ficou ofegante e irritadiço. Não conseguia entender o porquê.  Tinha pensado muito na sua vida e nada lhe parecia permitir esses tipos de pensamentos. Ficou confuso. Era tão lúcido que a confusão deixou-lhe assustado e hostil. Quanto tempo ainda à vida lhe daria? O que fazer com esses últimos momentos? A tarde foi comida por todos esses pensares.

 

 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

UM SONHO APENAS


 CAPÍTULO SEGUNDO

“Que há entre a vida e a morte? Uma curta ponte. Não obstante, se eu não compusesse este capítulo, padeceria o leitor um forte abalo, assaz danoso ao efeito do livro. Saltar de um retrato a um epitáfio, pode ser real e comum; o leitor, entretanto, não se refugia no livro, senão para escapar à vida.”

            Jonas fechou o livro sobre o regaço. Relia Brás Cubas. A frase o havia irritado, incomodado, não pelo fato de nas últimas duas semanas ter lido e relido seus romances favoritos, mas certamente pela veracidade dela. Imaginou o que escreveriam em seu epitáfio e riu. “Oremos pelo velho e bom Jonas Matos Silva, bom pai, bom homem, trabalhador digno, fiel cidadão boraense, deixa saudosos filhos, netos e bisnetos”. Riu. “Muito longo, ia ficar caro.”

            Se pudermos dizer que a vida dele foi a mais comum, é verdade. Casou-se duas vezes. A primeira quando ainda morava em Tupã, sua cidade natal. Lá criou e educou os filhos, trabalhando como delegado. Sua remoção para a cidade de Borá deu-se nos anos noventa. Sua mulher havia falecido e seus filhos já tinham ido para São Paulo. A ideia da remoção para outra cidade pareceu-lhe boa. Uma semana depois de instalado, diante da morosidade da cidade, casou-se com Adelina.

            Adelina foi uma boa companheira, mesmo diante da rapidez do encontro, arranjado e acordado pelos dois, ambos queriam por fim á solidão. Ficaram apenas sete anos juntos- tempo também suficiente para que o Senhor Jonas fincasse raízes de fato naquela cidade. De lá não sairia mais, disso ele mesmo sabia. O que se pode dizer é que tinha boas lembranças da sua vida. Nada tinha dado errado, umas ou outras coisinhas, nenhuma tragédia, nenhum grande sofrimento. Uma boa vida.

            Talvez tenha sido tudo isso que tivesse parado os pensamentos do velho homem naquela tarde. A retomada de lembranças e a percepção de que aquela pessoa nunca havia ousado nada. Tudo, absolutamente tudo tinha sido perfeitamente normal. Sua profissão, seus casamentos, sua conduta moral e até religiosa, simples e tradicional.

            Com o livro ainda sobre o colo, ele cochilou. Sonhou que estava num bordel. Duas mulheres peitudas acariciavam seus cabelos. A música era um jazz arrastado, o cheiro de bebida era forte. Em sua direção vinha outra mulher. O perfume dela era delicioso, mas ele não via seu rosto. As duas outras se afastaram ao sinal daquela que vinha. Ele não via seu rosto. A mulher sentou-se em seu colo e o beijou.

– Seu Jonas acorda, acorda...

 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

UM SONHO APENAS


CAPÍTULO PRIMEIRO

A velhice é o fim. Ela é o término de tudo, é o olhar para trás e saudosamente abanar os braços dando adeus a tudo que você tem a tudo que fez e principalmente ao que foi. Além dos guardados empoeirados valores, guarda-se a lembrança, os desvios, os prazeres, as maldades e claro os amores se os tivemos.

Senhor Jonas tem oitenta e cinco anos, viúvo de duas mulheres, vista muito boa para a idade; pernas fracas e emperradas; pai de dois filhos, quatro netos, e um bisneto. Mora só, na pacata cidade de Borá. Filhos foram todos para capital, fugidos da vida comum e banal. Atualmente apenas o telefone une essa família.

Na última semana, Senhor Jonas não conseguiu mais ir para a praceta jogar dominó. O fato inusitado deixou seu amigo mais próximo Freitas, preocupado. Foi ter com ele satisfações do por quê.

– Homem o que aconteceu?

– Emperraram as malditas.

– Quem?

– Minhas pernas ora.

– Quer ver o doutor?

– Nem pensar, logo voltam, é só esperar. Vou ler um pouco, isso ainda posso!

– Está certo disso?

– Pode ir sossegado, só me faz o favor de pedir ao moleque para vir aqui, preciso de uns pães e café.

– Eu trago.

– Não quero ser estorvo, e, além disso, o menino me ajuda, também há interesse nos trocados que lhe dou.

– Sentimos falta do companheiro de jogo.

– Nem tanta, sempre há um para ocupar nosso lugar.

– Está ranzinza, que mau humor.

– Estou velho! Não entenderia, tem quase doze anos a menos que eu, e nessa fase isso faz muita diferença.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

SEM TÍTULO É O TÍTULO


Hoje estava tão, mas tão sem inspiração para escrever...

Por um momento pensei até em republicar algo antigo que os leitores tivessem afundado no esquecimento. Depois, pensei em me obrigar a escrever qualquer coisinha mais simples mesmo. Por fim uma paródia de mim, quem sabe. Já irritada, lembrei-me daquele recurso dadaísta e corri para o dicionário. Uma palavra poria fim à minha angústia, quem sabe.

Veja lá a ironia: imaginativo s.m. 1 que(m) tem muita imaginação; adj. 2 que devaneia; sonhador.

Veja lá a “porrada” do acaso! Minha irritação ficou completa. Merecia mesmo essa brincadeirinha “non-sense” do destino ou da minha própria falta de inspiração, de imaginação, de devaneio... Se era justamente lá que eu estava procurando a tal.

Fechei a droga do dicionário e então pensei nesse recurso pseudo-metalinguístico de falar da própria desgraça poética. Tentei esboçar uns versinhos sobre a palavra em questão, veja só:

Imaginativo

Nativo

Da imagem

Pura visão!

Achei ridículos. Estão aqui apenas para compor a argumentação desta crônica.

Abri novamente o dicionário, quem sabe assim não consigo tema melhor. Minha mão oscilava entre o fim ou o começo. Não sabia se queria para os as, ou zês da vida. Arrisquei o meio e pimba!

Escafeder-se!

Juro.

Escafeder-se: fugir apressadamente; safar-se.

Depois dessa, caro leitor...

Isso.

 

 

domingo, 2 de setembro de 2012

CALOTE POLAR


CALOTE NO PAÍS

ESTÁ COMUM DE VER

CALOTE NA POESIA

É VERSO SEM PRAZER

CALOTE NA NATUREZA

É ÁGUA DERRETER!

 

CALOTE NA POESIA

É ÁGUA DERRETER

CALOTE NA NATUREZA

ESTÁ COMUM DE VER

CALOTE NO PAÍS

É VERSO SEM PRAZER!

 

CALOTE NA NATUREZA

É VERSO SEM PRAZER

CALOTE NO PAÍS

É AGUA DERRETER

CALOTE NA POESIA

ESTÁ COMUM DE VER!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

LI BER DA DE

CHAVÃO: NÃO TEM PREÇO
NÃO TEM MESMO NÃO
NÃO ME IMPORTO SE É
CLICHÊ OU LUGAR-COMUM
MINHA CONDIÇÃO É NÃO
SER ESCRAVO, É TER OPINIÃO
QUERO SER LIVRE...
E TENHO DITO!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

POESIA GENUÍNA

SERIA TÃO BOM
SE ESSA POESIA
PURA E DA BOA
DIALOGASSE
COM A MINHA
ALMA POÉTICA
TÃO VAGABUNDA.

domingo, 26 de agosto de 2012

SEXO, SEXO E SEXO


O título nada tem em comum com esta crônica. Só coloquei porque pensei que mais pessoas leriam algo com esse chamariz do que com outro. Afinal, quem não gosta, quem não faz e quem não se interessa por sexo? Não fique o leitor irritado por eu não falar sobre o sexo, aliás, nem poderia, é algo que não se fala, se faz, quero falar mais uma vez da Educação, do papel do professor... Que analogia mais absurda, não é mesmo?

Educação também não deveria ser falada, deveria ser praticada, mas peço aqui licença, talvez até poética, para falar á respeito do papel do professor na atual Educação do País. Do meu papel também, inclusive. Que estamos num caos total, que não há mais interesse dos alunos, que o professor está desmotivado, tudo isso é conhecido e notório. Não há mais como motivar um aluno com o discurso de que se ele estudar garantirá um bom emprego e lero-lero...

Então a questão a ser pensada é qual o trunfo que ainda nos resta? Como faremos para que haja interesse em ensinar e aprender? O que aconteceu com essa relação dialógica tão desgastada com o tempo? Usando a analogia anterior, o que fazer quando uma das partes não quer nada? Ou quando as duas não querem? Nada. Não há o que fazer. Ainda não sei o que fazer.

O que sei é que levei árduos seis meses, para deixar a turma para qual leciono, com a minha cara. Porque tenho paixão por isso. Com cara de Marili. Cara de quem adora escrever, estudar e conhecer. Cara de quem respeita o aluno e aquilo que ele é hoje. Cara de quem tenta mudar o ensino antiquado e ultrapassado, cara de quem acredita que temos que estudar não para ganhar dinheiro apenas, mas para transformar o mundo dando nossa contribuição como cidadão. Assim como o Professor Chiquinho (Enrique) tem pela Física e por seus alunos, que também tem a sua cara: Chiquinhos e Chiquinhas.

Não sei se tudo isso é o que teremos daqui para à frente, não sei como a Educação poderá piorar ou melhorar, nem mesmo sei se nós conseguiremos mudar o panorama atual. Só tenho a certeza de que sempre algum aluno, mesmo que seja um, sairá com a minha marca, e com a esperança de ser alguém melhor no mundo.

 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

POEMA MEIO SÉRIO


A moça olhou para o céu

Viu duas luas amarelas

Bêbada fez um escarcéu

Chamou outra, assobiadela.

 

Bebeu pela noite inteira

Pediu e contou copinhos

Cerva na mão brejeira

Copo dito bem cheinhos.

 

A moça olhou para o dia

Cansada, tanta emoção

Aliviada, enfim sabia

Entregue à tentação!

 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

POEMA SÉRIO


A moça olhou para o céu

Viu duas luas amarelas

Retirou do rosto o véu

Acendeu duas arandelas.

 

Rezou pela noite inteira

Pediu e contou bentinhos

Terço na mão como freira

Credo dito bem certinhos.

 

A moça olhou para o dia

Cansada, tanta oração

Abençoada, enfim sabia

Protegida da tentação!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

VINTAGE


Eu sou assim meio Vintage.

Precisei de vinte anos para ficar pronta,

E mais vinte, para poder amadurecer.

Não sei se estou no ponto certo,

O que sei é que me sinto assim...

Como aquele vinho maturado,

Esperando a hora de ser tomado.

Quero que a vida me tome agora...

Estou pronta.

Estou no aguardo!

O FLAGRANTE

  Enquanto duas senhoras conversavam sobre a maternidade, uma dizia que seu leite havia empedrado, e a outra ensinava como fazer uma ordenha...