segunda-feira, 28 de março de 2011

A ESPERA DA PERSONAGEM - PARTE XVIII

         Senti tanto dó de Maria Amélia que resolvi caprichar mais nessa história dela. Afinal de contas era só mais uma personagem, tão comum que chegava a dar pena. Nas classificações, um enredo chapado e sem grandes conflitos. Pensei que mesmo que não me rendesse uma publicação ou ainda indicações com cinco estrelas nas resenhas de jornais e revistas, sim, eu daria uma vida literária digna para Amélia.
         Queria dizer a ela que não sentisse mais medo, nem angústias, pois faria de tudo para que seu romance transcorresse na mais perfeita normalidade. Mas algo estranho havia acontecido, tentei buscá-la e não vinha. Não aparecia minha criação. Fiquei confusa por alguns minutos e senti uma aflição por achar que tinha sumido de mim.
         Tinha me afeiçoado á ela, gostava dela. Da sua falta de glamour, das suas maledicências, da vida sem rumo que eu criara para ela e de como transitava em meus pensamentos e alterava meu estado de espírito. Escrever sua narrativa havia me transportado para um universo desconhecido, o da simplicidade.
         Simplicidade de ações e palavras, de enredo e construção, nossa sinergia era agora clara e necessária. Assim como o pão com a manteiga - de preferência na chapa-, o dia e a noite, o Gomes e a Maria Amélia. Diria: Cara personagem agora amiga, não sei que rumo traçarei para sua história de amor, tão desejada e sonhada por você, minha Maria. Saiba que esta escritora abdicou da complexidade das suas intenções primárias para que vivesse esse intenso romance. E irá vivê-lo, isso eu garanto!
         Iniciava-se nos segredos das próximas páginas o meu artífice mais comum, banal, precário, desmedido, contraditório e quer saber, nem me importo mais com nada disso. Vou relatar cada linha, ponto e parágrafo de Maria Amélia Canto e Melo e Aristeu Gomes, porque agora sou eu quem quer viver essa história.


2 comentários:

Selma disse...

Puxa vida a autora afeiçoou-se a Maria Amélia, pelos indícios que a autora dá, tudo ficará bem!!!! Assim fico feliz!!! Vou confessar uma coisinha: eu também sensibilizei-me com ela e agora mais do que nunca, gostaria que o final fosse feliz!!!!!
(desculpe autora) rsrs

Valsa Literária disse...

Não foi só você, parece que todos se afeiçoaram pela Amélia, que coisa, né!!!

POEMA ATEMPORAL

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